Posts tagged ‘Memórias’

ANTIGAS EXPRESSÕES

Hoje praticamente não se ouve falar em “golpe de ar”, “vento encanado” e outras expressões de terror materno semelhantes. No entanto, há uns tantos anos eram expressões corriqueiras, que assombravam mães e avós. Na época em que a tuberculose grassava, sem perspectiva de cura, era preocupação constante. Temia-se que o golpe de ar ou o vento encanado fizesse uma pessoa adoecer de “fraqueza dos pulmões” ou tísica, eufemismos para designar a tuberculose. A tuberculose era incurável e muita gente morreu por causa dela. Principalmente os jovens, sem juízo, destemidos, descuidados. Nunca se pronunciava o nome da doença, achando que isso a atrairia. Como a palavra câncer hoje. A penicilina, popularizada depois da 2ª Guerra Mundial afastou o pesadelo materno.

    

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26 \26\UTC novembro \26\UTC 2008 at 21:11 1 comentário

UM CARNAVAL QUE PASSOU

Foi um carnaval de muita, muita chuva, talvez o mais chuvoso de toda a minha vida.  Durante todo o reinado de momo (via o chavão!) choveu torrencialmente.Lembro o céu cinza escurecendo o rio, a chuva caindo, poucos períodos de estiagem, as ruas vazias, de noite e de dia. Uma tristeza para esse povo tão festeiro, que espera o carnaval com ansiedade.

    Poucos mascarados ousaram sair à rua e logo retornaram para os bares, entanguidos. Os dominós, figuras marcantes dessas festas, devolveram as fantasias aos armários. O bloco União das Flores não saiu. Como cantar e dançar naquelas fantasias de papel crepom debaixo do aguaceiro? Iam derreter antes de chegar na praça, tingindo a pele das meninas com as variadas cores das flores. As crianças permaneceram em casa, olhando desoladas a água que não parava de cair do céu.

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7 \07\UTC novembro \07\UTC 2008 at 10:08 3 comentários

Férias de julho em Atafona

As férias de julho na praia de Atafona na década de 50/60 não eram apenas a pausa necessária para recuperar pais e filhos do desgaste do período letivo, mas um tempo de fruição, relaxamento, de novos conhecimentos e novas experiências de lazer. Entre banhos de mar, visitas ao piripiri, pescarias no Pontal, no curto período de um mês romances surgiam ou se desfaziam, novas amizades e inimizades nasciam, imorredouras como a adolescência.

    O vento soprava manso, o sol dourava peles e corações e a água do mar, longe da interferência barrenta das cheias do Paraíba, era clara e deliciosa. Sensualmente envolvia os corpos jovens, ativava a circulação dos hormônios, dava novo brilho ao olhar, passava uma borracha sobre a imagem de professores exigentes, de matérias que se estudava sem saber pra que serviriam.

    Sabíamos, nós que morávamos em Atafona, que as férias tinham realmente começado quando surgiam, em meio à poeira, caminhões e camionetes trazendo a mudança dos “veranistas”, campistas que possuíam ou alugavam casas para a temporada. Nas carrocerias se amontoavam móveis e panelas, malas, colchões e trouxas com roupas de cama e mesa. Geladeiras eram raras. Às vezes no meio de toda aquela confusão, vinham crianças excitadas, cachorros arfantes e não raros galinhas ofegantes, atadas pelos pés.

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2 \02\UTC outubro \02\UTC 2008 at 15:26 3 comentários


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