Parte II

PARTE II

2. CARACTERÍSTICAS LOCAIS

A cidade fica na parte mais baixa da planície goitacá, a seis metros acima do nível do mar. Localizado na margem direita da foz deltaica do rio Paraíba do Sul. O município de São João da Barra está em sua maior parte situado sobre uma restinga e sobre o aqüífero Barreiras Recente, que fornece água pura e límpida para localidades como Barcelos, Açu, Grussaí, Atafona e Cajueiro, embora a cidade se abasteça no poluído rio Paraíba do Sul, sujeito a acidentes ecológicos. É curioso observar que, segundo cronistas da época, os goitacás não bebiam da água do rio Paraíba e sim das cacimbas que cavavam. Atualmente, com a contaminação do lençol freático por esgotos – são usadas fossas sépticas e pequena rede coletora na sede – e outros efluentes, nem as cacimbas forneceriam água aos espertos indígenas.

O município situa-se a 39,9 km de Campos dos Goytacazes, a 126 km de São Francisco de Itabapoana, a 283,5 km de Vitória/ES, a 322 km do Rio de Janeiro e a 720,8 km da cidade de São Paulo.

Aqüífero Barreiras recente – em listras vermelhas, cobrindo o município sanjoanense

ECOLOGIA

O município possui poucos bolsões de mata atlântica de transição para a vegetação de restinga – Caroara, São João, Coutinho, Mololô e outras, sobras da extensa e variada vegetação da época de sua colonização. Sua biodiversidade tem sido muito prejudicada. Árvores como guanandi, cuja madeira era largamente utilizada na indústria naval por sua resistência ao apodrecimento, são raramente vistas, assim como fruteiras nativas como grumixama e piabanha (muchila). Na mata do Caroara os exemplares da mini-orquídea, muito procurada por floristas e orquidófilos, são cada vez mais difíceis de ser encontrados.

Trecho de mata preservada em Porto Escuro, às margens do rio Paraíba do Sul.

Sua fauna nativa está reduzida ao mínimo. Da extensa fauna encontrada e relatada por Couto Reys, em 1785, à Coroa Portuguesa (edição do Arquivo Público do estado do Rio de Janeiro/UENF,1977) restam poucos exemplares, como tamanduás mirins, preguiças, tatus, lagartos, o quase extinto lagarto do rabo verde, ouriços-caixeiros, guaxinins, cachorros do mato, cobras, batráquios e muitas aves. Vez por outra algumas lontras brincam no rio Paraíba e raríssimos são os ururaus – jacarés de papo amarelo – que sobraram da grande população registrada anteriormente. Algumas capivaras e preás são avistadas. O surubim do Paraíba, peixe de alto valor comercial, antes tão comum no rio que deu nome ao trecho que banha o município de Paraíba do Sul (rio Sorobi), só é encontrado em alguns trechos, na cabeceira e no criatório do Projeto Piabanha, em Itaocara. O lagarto do rabo verde, espécie endêmica na restinga, tem sido pesquisado por bióloga da UFRJ, que anota seu afastamento para regiões ainda preservadas.

O município não está bem situado na relação dos municípios que cuidam de seu meio ambiente e no ranking do índice de Conservação Ambiental na Região Norte Fluminense para os anos de 2009 e 2010, montado pelo Cide – Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro, aparece com índice zero em 2009 – último lugar – e com 0,32891 em 2010, mudança propiciada pela criação de uma APA no bairro da Cehab, em Atafona, para proteção do que restou do manguezal na localidade, o Piripiri. Em 2009 não recebeu a cota do ICMS Verde mas sua posição deve melhorar após o anúncio da criação do Parque Grussaí pelos Governos Federal e Estadual, como o maior parque de restinga do país.

O município conta com duas ONGS ambientais desde a década de 90: SOS Atafona e  Cocidama.

Coordenadas da sede: Latitude Sul  21º 38’23”

Longitude W.Gr. 41º 03’04”

Área territorial – 461,9 km2. Após 12 anos da perda de dois terços de seu território, através de um Novo Plano Diretor – o primeiro foi feito no período de 1858/1861 -, o município foi reorganizado administrativamente, mantendo porém, seis distritos como antes da emancipação de São Francisco de Itabapoana: 1º – Sede, 2º – Atafona; 3º – Grussaí; 4º – Degredo (Cajueiro); 5º- Pipeiras e 6º – Barcelos.

Além da grande área perdida para a formação de São Francisco de Itabapoana, o município perdeu uma parte de seu território em 1868,  numa demarcação de limites, e a localidade de Morro do Coco ficou para Campos; e outras no início da década de 1940 quando o almirante Amaral Peixoto, então interventor do estado, determinou ao IBGE o traçado de uma linha reta, de Barcelos ao Açu, ficando várias localidades sanjoanenses como Bajuru, Folha Larga, Capela São Pedro e outras para Campos. No entanto a prefeitura sanjoanense continua a investir em saúde e educação nessas localidades, que recolhem impostos em Campos, onde sua população é computada para efeitos de recebimento de royalties do petróleo e do Fundo de Participação dos Municípios.

Limites – Norte – São Francisco de Itabapoana; Sul e Oeste – Campos dos Goytacazes;

Leste – Oceano Atlântico.

População – 33.136 habitantes (IBGE – estimativa para 2011, e 24.609 eleitores (colégio eleitoral em 2008). A maior faixa etária do município, segundo estudo do Sebrae, é a que vai de 39 a 49 anos e a menor a de 0 a 5 anos, provavelmente porque maioria dos partos de sanjoanenses são realizados em maternidades de Campos. O número de mulheres é bastante aproximado do de homens.

Datas de fundação – em 1630, o pescador Lourenço do Espírito Santo, acompanhado de mais 30 moradores de Cabo Frio, funda o povoado de São João Batista da Barra. Em 6 de junho de 1676 o povoado foi elevado a vila com o nome de Vila de São João da Praia, conquistando independência político-administrativa. Em 17 de junho de 1850 a vila foi elevada à categoria de cidade, com o nome atual.

Prefeita municipal desde 2004 – Carla Maria Machado dos Santos – PMDB.

Administração pública – A Prefeitura Municipal, a Câmara de Vereadores e o Fórum de Justiça funcionam em prédios próprios na sede, e a Subprefeitura em prédio na localidade de Sabonete, no 5º distrito, onde funcionam poucos setores administrativos, como a Assistência Jurídica.

A Câmara tem nove vereadores e seu presidente neste ano de 2011 é  Gerson Crispim.

Secretarias municipais – Fazenda, Planejamento, Administração, Meio Ambiente, Saúde, Turismo, Esporte e Lazer, Educação, Obras, Transporte, Pesca, Promoção Social e Agricultura.

Orçamento municipal para 2009: R$ 301.319.900,00. A receita estimada para 2010 é de R$ 361 milhões e para 2011 é de R$ 384.554.300,00.

Acessos – Fica a 330 km da cidade do Rio de Janeiro pela BR-101 e a 38 km de Campos dos Goytacazes pela BR-356. Estradas municipais e estaduais levam às praias e às principais localidades do município. Uma empresa de transporte coletivo, a Campostur, liga o município a Campos dos Goytacazes. O transporte alternativo é intenso.

Clima – ameno, (quente e úmido) com temperaturas médias de 19º C no inverno e de 32º C a 35º C no verão. Baixa pluviosidade – maiores preciitações em dezembro e menores em junho -, alta luminosidade, vento predominante – nordeste.

O município tem 32 km de praias e cinco lagoas: Atafona, Grussaí, Iquipari, Taí e Açu e parte da lagoa do Salgado, patrimônio geopaleontológico em processo de drenagem para dar lugar a pequenas lavouras. A lagoa do Açu possui bom manguezal.

ATAFONA

As águas do mar em Atafona são barrentas por ser ali que o rio Paraíba deságua, trazendo sedimentos com alta concentração de iodo, de teor terapêutico. A areia da praia apresenta faixas de coloração escura com brilhos metálicos. São ocorrências de areia monazítica, de ação medicinal, por apresentar radioatividade leve. Em 1925, uma comissão de médicos norte-americanos ali esteve e a recomendou para o tratamento de doenças como poli nevrite, beribéri e assemelhadas. É uma praia morena e saudável.

transgressão do mar no Pontal de Atafona destruiu casas de seis ruas, prédios comerciais e o farol da Marinha.

A foz do rio em Atafona sofre, desde a década de 60, os efeitos devastadores causados pelo fenômeno denominado “transgressão do mar”, cuja causa não se pode precisar, apesar de muito estudado. A ação do homem no leito do rio, com represas, hidrelétricas, projetos agropecuários, abastecimento de água potável em cidades, desmatamento da mata ciliar, lançamento de esgoto in natura e outras ações desse tipo contribuem para potencializar o efeito destruidor do fenômeno. Todo o Pontal, onde havia um povoado de pescadores, foi destruído, bem como a parte do manguezal da foz conhecida como “piripiri”. O mar derrubou casebres de pescadores e mansões de veranistas, cerca de seis ruas, posto de gasolina, sede da cooperativa de pescadores, bares, boates, restaurantes e a capela de Nossa Senhora dos Navegantes, reconstruída em outro local. A destruição continua e recentemente as ondas levaram o que restou de um prédio de quatro andares onde funcionou um hotel e um supermercado. A ilha de Convivência, no centro da foz, teve sua área reduzida à metade. As ruínas do Pontal tornaram-se ponto de interesse, visitadas por pesquisadores e turistas, e faz parte do projeto Caminhos geológicos.

A palavra Atafona, de origem árabe, designa um moinho para grãos, ainda usado em algumas localidades de Portugal e Açores.

Igreja da Penha – Construída em 1868 pelo vigário Calvosa sobre a elevação onde se presume que Lourenço do Espírito Santo tenha instalado seu povoado. Um prédio maior foi construído de 1878 a 1882 no mesmo lugar. Sofreu várias reformas. Na enchente de 1906, com seus alicerces sendo solapados pela fúria das águas do Paraíba, a capela recebeu o reforço do casco do navio Aquidabã, atravessado na sua parte traseira, onde ainda está, não deixando o prédio ruir. No adro da capela foi erguido um monumento aos primeiros povoadores. A festa da padroeira, realizada na segunda 2ª feira após a Semana Santa, atrai romeiros de toda a região e do estado. Uma bela procissão fluvial pelo  delta, com barcos de pesca decorados, é uma das atrações da festa.

Farol da Marinha – segundo conta o jornalista João Noronha em seu livro, o 1º farol foi erguido em meados da década de 1880, em frente ao prédio da Capitania dos Portos, no centro de Atafona, uma estrutura de ferro, com cerca de 10 metros de altura. Foi depois construído em alvenaria na entrada do Pontal, em 1910, e destruído pela transgressão do mar em 1982. A Marinha mandou reconstruí-lo no local do primeiro farol, com barras de aço galvanizadas. Em 2007 foi erguido o farol hoje em funcionamento.

A Escola de Aprendizes Marinheiros, prometida por Nilo Peçanha em sua campanha à

presidência da República, começou a ser construída em meio a um areal em Atafona no governo Gaspar Dutra, como uma parte da base naval a ser montada na foz do Paraíba do Sul, flanco desprotegido da capital federal, no Rio de Janeiro. Angra dos Reis e São Pedro da Aldeia eram os flancos já protegidos.

Uma Comissão de Portos e Vias Navegáveis começou a retificar o leito do rio com pedras transportadas de longe em pranchas, para a construção de um espigão com cerca de quatro quilômetros de extensão, indo da cidade ao Pontal, o que aprofundaria o leito do rio, permitindo a entrada de navios maiores. Como resultado da paralisação das obras antes de seu término, o rio depositou sedimentos nos quadrados formados pelas pedras do espigão, criando acréscimos de terrenos, onde foram construídos o Ginásio de Esportes e Eventos, os prédios do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, da Escola para Educação Especial, do  conservatório Musical da Banda Amédio da Costa e do Ciep 265 – Gladys Teixeira.

A Escola de Aprendizes forneceria o pessoal capacitado para a base na foz. Grande parte da Escola já havia sido construída (alojamentos, salas de aula, cassino dos oficiais, refeitórios e até um heliporto) quando a obra foi paralisada no governo Kubitscheck. Dizem que as verbas foram desviadas para a construção de Brasília. O general Paulo Torres, no governo do estado, buscou interessados em transformar a construção num hotel. Não houve interesse e tudo ficou abandonado no meio do que era então um extenso e deserto areal.

Saqueadas, as ruínas serviram até como boate em alguns verões. Muitos anos depois, já na posse da extinta Flumitur, partes do terreno foram dados em comodato à prefeitura, que ali instalou um camping, visando estimular o turismo. Hoje a área abriga o Espaço da Ciência “Maria de Lourdes Coelho da Anunciação”, um espaço recreativo, o Corpo de Bombeiros e a sede e tanques de piscicultura em cativeiro do Projeto Capacitar para Transformar Economias Locais, criado pelo professor Alcimar das Chagas Ribeiro, com o apoio do Programa Fome Zero, da Petrobras.

Os prédios em ruínas poderiam abrigar uma faculdade para estudos das águas litorâneas (doce e salgada) e seus fenômenos, do manguezal, biologia marinha e fluvial, além de engenharia de pesca e tratamento industrial de pescado.  Na praia em frente ficam os ninhos de tartarugas marinhas, protegidos pelo Projeto Tamar, que ali tinha uma de suas bases.

PESCA

Num município fundado por um grupo de pescadores oriundos da comarca de Cabo Frio em busca de local mais piscoso, a pesca sempre representou um dos pilares de sua economia. Com o correr dos anos a produção pesqueira foi decrescendo. As alunas do Curso de Licenciatura em Geografia, do Cefet/Campos dos Goytacazes, Levani V. da Silva e Nelma F. Berto, em sua monografia “Introdução à geografia da pesca: educação como alternatva à crise”,de 2007, investigaram as razões da decadência e concluíram que a sobrepesca – escesso de barcos pesqueiros em área restrita – a pesca predatória, a utilização de aparato tecnológico de ponta pelos grandes barcos de pesca estrangeiros e ainda a não observância pelos pescadores do período de defeso (época de reprodução dos peixes) a provocaram. Hoje os pescadores produzem cerca de 2.000 ton/ano de pescados.

COLÔNIA DE PESCA

No litoral sanjoanense, com cerca de 32 km de praias, a área propícia à pesca vai até 30 milhas, mas é da praia de Atafona que sai para o mar a maior parte dos 450 barcos.

Em 1918 surge a Colônia de Pesca Z 24, que nos anos 70 passa a ser a Colônia Z 2. Sua sede, reformada pela prefeitura em 2001, fica no Pontal e seu atual presidente é William Pereira. Segundo o livro “Uma dama chamada Atafona”, do jornalista João Zaccaro Noronha, a Colônia abriga 350 marisqueiras/caranguejeiras, 1.200 pescadores fluviais e 2.000 marítimos. Os peixes mais pescados são corvina, cação, tainha, robalo, perua, pescadinha, enchova e xaréu, além de camarão pitu e siri.

Seis frigoríficos conservam o pescado, que é exportado e/ou vendido no Mercado de Peixes, ao lado da igreja de N. Sra da Penha.

Em 1966, com o apoio dos norte-americanos Charles Robert e John Peter, do Corps Peace, e presidida pelo capitão de corveta Hemínio Barreto surgiu a Cooperativa de Pesca do Norte Fluminense com financiamento do Banco Nacional de Crédito Cooperativo e Sudepe, que durou até por volta de 1970, quano foi fechada por problemas com os cooperados.

O Projeto Cetáceos, da Uenf, realiza estudos na foz e já produziu alguns trabalhos, como “Biologia e conservação de Pequenos Cetáceos no Norte do Estado do Rio de Janeiro”, de Ana Paula Madeira di Beneditto e Renata Maria Arruda Ramos, organizado por Carlos Eduardo Rezende, Uenf, Campos dos Goytacazes, 2001. O Projeto Pólen, da Petrobras, cuida da educação ambiental.

O Museu do Mar foi transferido para a sede da Colônia de Pesca Z 2, que congrega os pescadores profissionais da área.

O beato José de Anchieta passou algumas horas na foz do rio em 1595, enquanto aguardava o fim da missão do capitão do navio que o levaria a Cabo Frio. O místico Pietro Ubaldi visitou Atafona em 1951 e voltou em 1953, quando escreveu seu livro “As grandes mensagens”. O médium Chico Xavier passou alguns dias na praia, em 1957, onde escreveu o livro “No portal da luz”.

Atafona é considerada um pólo energético e portal de entrada de Ovnis. Moradores e visitantes já viram discos voadores na região.  Praia já foi cantada em prosa e verso. O professor campista Hélvio Santafé, publicou “Atafona – vento nordeste”, pela Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, em 1999. O escritor Osório Peixoto Silva, que morou muitos anos em Atafona, onde tinha um bar, ambientou no Pontal, nas ilhas de Convivência e Pessanha e no manguezal, seu romance “Mangue”, J. Olympio, Rio, 1981. A folclorista e artista plástica Ana Augusta Rodrigues e sua mãe Lili, também pintora, tinham o Pontal como tema para suas telas. Ana Augusta tinha um casarão no Pontal, já levado pelo mar, onde recebia artistas como a pintora Djanira. Muitos outros artistas frequentaram ou visitaram Atafona, que até a década de 60 contava com a atração do Hotel Cassino Balneário, que até os anos 40 funcionou legalmente e a partir daí, com a proibição do jogo no país, clandestinamente, até à década de 60, quando foi fechado pela Justiça.

CHAPÉU DO SOL – praia intermediária, de mar aberto, boa para pesca de linha, onde há o maior número de relatos de aparição de objetos voadores não identificados. Na sua orla, pontilhada de casuarinas, foi construída uma casa no formato de disco voador, onde funciona uma pousada. Existe ainda uma Academia de Tênis na localidade.

GRUSSAÍ

Praia de mar aberto, tem seu nome devido ao grande número de grauçás, designação tupi para um pequeno caranguejo amarelo e branco, arisco, que corre freneticamente pela praia, em grande número: daí grauçá-y, grauçai ou gruçaí, sua grafia correta. Alguns chamam o grauçá de guruçá.

A presença de veranistas começa a ser anotada no início do século XX. Chega-se à localidade  por uma bifurcação da BR 356, que dá  para uma pequena estrada estadual. Fica a cerca de oito quilômetros da sede. Comércio sazonal satisfatório, concentrado principalmente na Avenida Liberdade (ou Paulo Pinto) que foi inicialmente chamada de Restinga. Seu padroeiro é Santo Amaro, cuja capela foi erguida em 1921, pelo construtor português Lourenço Augusto Russo, trazido por Ademar Laranjeira. Em 1956 a capela foi reformada e ampliada. A festa de Santo Amaro acontece no dia 15 de janeiro.

A praia de Grussaí é muito frequentada no verão, principalmente por campistas, os veranistas que construíram ali verdadeiras mansões e fundaram o Grussaí Praia Clube. Alguns professores da Uenf, em busca de tranquilidade, estão morando na localidade.

Ressalte-se a existência na localidade do Cepeg – Centro de Pesquisa e Estudos de Grussaí, com biblioteca, banda marcial e companhia de dança, criado em 1990 por Carlos José, que o administra.

Na rua Antonino G. Carvalho, numa pequena estrada com saída para a BR-356, está instalado o Complexo Turístico do Sesc Mineiro de Grussaí, que além de boa capacidade de hospedagem, possui centro para convenções e sede social, promovendo eventos anuais na baixa temporada. Muito frequentado por turistas de minas, principalmente.

“Grussaí, eu te vi  crescer” é um depoimento autobiográfico poético de Áurea Magalhães de Souza, campista, veranista da praia desde sua infância, publicado de forma artesanal (Campos, ano 2000).

Em agosto de 2009 o governo do estado anunciou a criação do Parque de Grussaí, que seria o maior de resting do mundo.

AÇU – praia de mar aberto, limite com o município de Campos dos Goytacazes, muito frequentada no verão, está em processo de rápida modificação graças à instalação do Complexo portuário da LLX e à presença de empresas terceirizadas. Tem clube de praia. No início da colonização da região, quando o rio Iguaçu ainda fluía, foi uma movimentada porta de entrada de colonizadores e aventureiros. Além da capela do padroeiro conta com uma capela original, aérea, dedicada a Nossa Senhora, onde só cabem duas imagens, construída por Bau (Amaro Faustino de Souza) em cima da caixa dágua de sua casa, em pagamento de uma promessa.

O mar tem destruído parte de sua praia. São muitos os pescadores artesanais do local.

Outras praias – VEIGA e RANCHO

LAGOAS

O município possui quatro lagoas: Grussaí, Iquipari, Taí (antiga Taí grande) e Açu e parte da lagoa do Salgado, patrimônio geopaleontológico, e dois manguezais preservados na foz e no Açu. A lagoa de Grussaí, com a maior parte de seu entorno ocupada por residências, está poluída pelo esgoto lançado

A bela e não poluída lagoa do Taí, antiga Taí Grande, é cercada por propriedades particulares e seu acesso depende de autorização dos donos. A Taí Pequeno sumiu.

A foz do rio em Atafona sofre, desde a década de 60, os efeitos devastadores causados pelo fenômeno denominado “transgressão do mar”, cuja causa não se pode precisar, apesar de muito estudado. A ação do homem no leito do rio, com represas, hidrelétricas, projetos agropecuários, abastecimento de água potável em cidades, desmatamento da mata ciliar, lançamento de esgoto in natura e outras ações desse tipo contribuem para potencializar o efeito destruidor do fenômeno. Todo o Pontal, onde havia um povoado de pescadores, foi destruído, bem como a parte do manguezal da foz conhecida como “piripiri”. O mar derrubou casebres de pescadores e mansões de veranistas, cerca de seis ruas, posto de gasolina, sede da cooperativa de pescadores, bares, boates, restaurantes e a capela de Nossa Senhora dos Navegantes, reconstruída em outro local. A destruição continua e recentemente as ondas levaram o que restou de um prédio de quatro andares onde funcionou um hotel e um supermercado. A ilha de Convivência, no centro da foz, teve sua área reduzida à metade. As ruínas do Pontal tornaram-se ponto de interesse, visitadas por pesquisadores e turistas, e faz parte do projeto Caminhos geológicos.

A palavra Atafona, de origem árabe, designa um moinho para grãos, ainda usado em algumas localidades de Portugal e Açores.

Igreja da Penha – Construída em 1868 pelo vigário Calvosa sobre a elevação onde se presume que Lourenço do Espírito Santo tenha instalado seu povoado. Um prédio maior foi construído de 1878 a 1882 no mesmo lugar. Sofreu várias reformas. Na enchente de 1906, com seus alicerces sendo solapados pela fúria das águas do Paraíba, a capela recebeu o reforço do casco do navio Aquidabã, atravessado na sua parte traseira, onde ainda está, não deixando o prédio ruir. No adro da capela foi erguido um monumento aos primeiros povoadores. A festa da padroeira, realizada na segunda 2ª feira após a Semana Santa, atrai romeiros de toda a região e do estado. Uma bela procissão fluvial pelo delta, com barcos de pesca decorados, é uma das atrações da festa. Ao lado da igreja está instalado o Mercado de Peixes.

Farol de Atafona

Farol da Marinha – segundo conta o jornalista João Noronha em seu livro, o 1º farol foi erguido em meados da década de 1880, em frente ao prédio da Capitania dos Portos, no centro de Atafona, uma estrutura de ferro, com cerca de 10 metros de altura. Foi depois construído em alvenaria na entrada do Pontal, em 1910, e destruído pela transgressão do mar em 1982. A Marinha mandou reconstruí-lo no local do primeiro farol, com barras de aço galvanizadas. Em 2007 foi erguido o farol hoje em funcionamento.

A Escola de Aprendizes Marinheiros, prometida por Nilo Peçanha em sua campanha à

presidência da República, começou a ser construída em meio a um areal em Atafona no governo Gaspar Dutra, como uma parte da base naval a ser montada na foz do Paraíba do Sul, flanco desprotegido da capital federal, no Rio de Janeiro. Angra dos Reis e São Pedro da Aldeia eram os flancos já protegidos.

Uma Comissão de Portos e Vias Navegáveis começou a retificar o leito do rio com pedras transportadas de longe em pranchas, para a construção de um espigão com cerca de quatro quilômetros de extensão, indo da cidade ao Pontal, o que aprofundaria o leito do rio, permitindo a entrada de navios maiores. Como resultado da paralisação das obras antes de seu término, o rio depositou sedimentos nos quadrados formados pelas pedras do espigão, criando acréscimos de terrenos, onde foram construídos o Ginásio de Esportes e Eventos, os prédios do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, da Escola para Educação Especial, do  conservatório Musical da Banda Amédio da Costa e do Ciep 265 – Gladys Teixeira.

A Escola de Aprendizes forneceria o pessoal capacitado para a base na foz. Grande parte da Escola já havia sido construída (alojamentos, salas de aula, cassino dos oficiais, refeitórios e até um heliporto) quando a obra foi paralisada no governo Kubitscheck. Dizem que as verbas foram desviadas para a construção de Brasília. O general Paulo Torres, no governo do estado, buscou interessados em transformar a construção num hotel. Não houve interesse e tudo ficou abandonado no meio do que era então um extenso e deserto areal.

Saqueadas, as ruínas serviram até como boate em alguns verões. Muitos anos depois, já na posse da extinta Flumitur, partes do terreno foram dados em comodato à prefeitura, que ali instalou um camping, visando estimular o turismo. Hoje a área abriga o Espaço da Ciência “Maria de Lourdes Coelho da Anunciação”, um espaço recreativo, o Corpo de Bombeiros e a sede e tanques de piscicultura em cativeiro do Projeto Capacitar para Transformar Economias Locais, criado pelo professor Alcimar das Chagas Ribeiro, com o apoio do Programa Fome Zero, da Petrobras.

das ruínas da Escola de Aprendizes Marinheiros ainda não utilizada. O hangar já foi transformado em boate num verão.

Os prédios em ruínas poderiam abrigar uma faculdade para estudos das águas litorâneas (doce e salgada) e seus fenômenos, do manguezal, biologia marinha e fluvial, além de engenharia de pesca e tratamento industrial de pescado.  Na praia em frente ficam os ninhos de tartarugas marinhas, protegidos pelo Projeto Tamar, que ali tinha uma de suas bases.

O Projeto Cetáceos, da Uenf, realiza estudos na foz e já produziu alguns trabalhos, como “Biologia e conservação de Pequenos Cetáceos no Norte do Estado do Rio de Janeiro”, de Ana Paula Madeira di Beneditto e Renata Maria Arruda Ramos, organizado por Carlos Eduardo Rezende, Uenf, Campos dos Goytacazes, 2001. O Projeto Pólen, da Petrobras, cuida da educação ambiental.

O Museu do Mar foi transferido para a sede da Colônia de Pesca Z 2, que congrega os pescadores profissionais da área.

O beato José de Anchieta passou algumas horas na foz do rio em 1595, enquanto aguardava o fim da missão do capitão do navio que o levaria a Cabo Frio. O místico Pietro Ubaldi visitou Atafona em 1951 e voltou em 1953, quando escreveu seu livro “As grandes mensagens”. O médium Chico Xavier passou alguns dias na praia, em 1957, onde escreveu o livro “No portal da luz”.

Atafona é considerada um pólo energético e portal de entrada de Ovnis. Moradores e visitantes já viram discos voadores na região.  Praia já foi cantada em prosa e verso. O professor campista Hélvio Santafé, publicou “Atafona – vento nordeste”, pela Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, em 1999. O escritor Osório Peixoto Silva, que morou muitos anos em Atafona, onde tinha um bar, ambientou no Pontal, nas ilhas de Convivência e Pessanha e no manguezal, seu romance “Mangue”, J. Olympio, Rio, 1981. A folclorista e artista plástica Ana Augusta Rodrigues e sua mãe Lili, também pintora, tinham o Pontal como tema para suas telas. Ana Augusta tinha um casarão no Pontal, já levado pelo mar, onde recebia artistas como a pintora Djanira. Muitos outros artistas frequentaram ou visitaram Atafona, que até a década de 60 contava com a atração do Hotel Cassino Balneário, que até os anos 40 funcionou legalmente e a partir daí, com a proibição do jogo no país, clandestinamente, até à década de 60, quando foi fechado pela Justiça.

CHAPÉU DO SOL – praia intermediária, de mar aberto, boa para pesca de linha, onde há o maior número de relatos de aparição de objetos voadores não identificados. Na sua orla, pontilhada de casuarinas, foi construída uma casa no formato de disco voador, onde funciona uma pousada. Existe ainda uma Academia de Tênis na localidade.

GRUSSAÍ

Praia de mar aberto, tem seu nome devido ao grande número de grauçás, designação tupi para um pequeno caranguejo amarelo e branco, arisco, que corre freneticamente pela praia, em grande número: daí grauçá-y, grauçai ou gruçaí, sua grafia correta. Alguns chamam o grauçá de guruçá.

A presença de veranistas começa a ser anotada no início do século XX. Chega-se à localidade  por uma bifurcação da BR 356, que dá  para uma pequena estrada estadual. Fica a cerca de oito quilômetros da sede. Comércio sazonal satisfatório, concentrado principalmente na Avenida Liberdade (ou Paulo Pinto) que foi inicialmente chamada de Restinga. Seu padroeiro é Santo Amaro, cuja capela foi erguida em 1921, pelo construtor português Lourenço Augusto Russo, trazido por Ademar Laranjeira. Em 1956 a capela foi reformada e ampliada. A festa de Santo Amaro acontece no dia 15 de janeiro.

A praia de Grussaí é muito frequentada no verão, principalmente por campistas, os veranistas que construíram ali verdadeiras mansões e fundaram o Grussaí Praia Clube. Alguns professores da Uenf, em busca de tranquilidade, estão morando na localidade.

Ressalte-se a existência na localidade do Cepeg – Centro de Pesquisa e Estudos de Grussaí, com biblioteca, banda marcial e companhia de dança, criado em 1990 por Carlos José, que o administra.

Na rua Antonino G. Carvalho, numa pequena estrada com saída para a BR-356, está instalado o Complexo Turístico do Sesc Mineiro de Grussaí, que além de boa capacidade de hospedagem, possui centro para convenções e sede social, promovendo eventos anuais na baixa temporada. Muito frequentado por turistas de minas, principalmente.

“Grussaí, eu te vi  crescer” é um depoimento autobiográfico poético de Áurea Magalhães de Souza, campista, veranista da praia desde sua infância, publicado de forma artesanal (Campos, ano 2000).

Em agosto de 2009 o governo do estado anunciou a criação do Parque de Grussaí, que seria o maior de resting do mundo.

AÇUpraia de mar aberto, limite com o município de Campos dos Goytacazes, muito frequentada no verão, está em processo de rápida modificação graças à instalação do Complexo portuário da LLX e à presença de empresas terceirizadas. Tem clube de praia. No início da colonização da região, quando o rio Iguaçu ainda fluía, foi uma movimentada porta de entrada de colonizadores e aventureiros. Além da capela do padroeiro conta com uma capela original, aérea, dedicada a Nossa Senhora, onde só cabem duas imagens, construída por Bau (Amaro Faustino de Souza) em cima da caixa dágua de sua casa, em pagamento de uma promessa.

O mar tem destruído parte de sua praia. São muitos os pescadores artesanais do local.

Outras praias – VEIGA e RANCHO

LAGOAS

O município possui quatro lagoas: Grussaí, Iquipari, Taí (antiga Taí grande) e Açu e parte da lagoa do Salgado, patrimônio geopaleontológico, e dois manguezais preservados na foz e no Açu. A lagoa de Grussaí, com a maior parte de seu entorno ocupada por residências, está poluída pelo esgoto lançado

A bela e não poluída lagoa do Taí, antiga Taí Grande, é cercada por propriedades particulares e seu acesso depende de autorização dos donos. A Taí Pequeno sumiu.

Localidades importantes

Barcelos – segundo o tabelião aposentado e ex-empregado da Usina Barcelos, João Brito Peixoto, em seu trabalho “Barcelos, origem e desenvolvimento”, publicado no jornal S. JOÃO DA BARRA, de nov/2001 a jan/2002, a localidade, sede do 6º distrito, nasceu da formação de um núcleo populacional surgido em torno do engenho de açúcar da Barra Seca do Sul, na fazenda do major Francisco Paes Soares de Oliveira. O advogado Domingos Alves de Barcelos Cordeiro, o Barão de Barcelos, inaugurou no mesmo local, em 1878, com presença do imperador, da imperatriz e do abolicionista José do Patrocínio, o Engenho Central de Barcelos, um dos maiores do estado na época, que por exigência do contrato de financiamento do governo imperial não utilizava mão de obra escrava.

Com a morte do Barão, em junho de 1904, seus herdeiros venderam a usina a Dídimo Siqueira, que na década de 1920 transferiu sua posse para o empresário paulista Palaridi Mortali, que faliu 10 anos depois, tendo a usina e suas fazendas sido arrematadas em leilão pelo empresário Raymundo Magalhães, da Companhia Agrícola e Industrial Magalhães – CAIM.  Em 1974 a Usina foi comprada pelo Grupo Oton Bezerra de Melo e atualmente se encontra paralisada, não se sabe se temporária ou definitivamente.

A padroeira da localidade é Nossa Senhora da Conceição, festejada em 8 de dezembro, cuja igreja foi construída com recursos arrecadados pela comunidade, em terreno doado por Amaro Pereira Paes e esposa.

Barcelos tornou-se o 6º distrito pela Resolução nº 13 de 1957. No 44º aniversário da localidade, Luciano de Assis lançou o opúsculo “Barcelos, sua gente, seus valores”. Tem três clubes sociais, entre eles o Grupo da 2ª e 3ª idades Valdir Pinheiro Xavier. No carnaval se apresenta a Escola de Samba Trinca de Ouro, fundada em 2001. Parte de seu estádio de futebol “José Dutra”, no bairro de Roças Velhas, está no município de Campos, assim como parte do Cemitério.

Cajueiro – sede do 4º distrito, criado pelo Plano Diretor aprovado em 2008 pela Câmara Municipal, pouco se sabe sobre sua história. Distante cerca de 10 km da sede e da praia de Grussaí, conta-se que no local de uma das atuais marquises – abrigos de passageiros –  havia um cajueiro onde os ônibus da linha Campos/Atafona paravam para embarque e desembarque de passageiros, daí seu nome. Entrocamento para a antiga estrada do Galinheiro – a granja aviária de Percy, que se mudou para Campos – é uma das entradas para o Porto do Açu pela BR 356. Tem uma bela praça, ao lado de uma escola moderna e vários bares e restaurantes no trecho da rodovia, demonstrando vocação para se tornar um polo gastronômico. Na margem esquerda da rodovia abre-se uma estrada para a cabeceira sanjoanense da ponte inconclusa, que passa pelo prédio da escola Nascer – Núcleo de Ação Social, Cultural, Educacional e Recreativo Saint Germain, criado em 1998 por Amarita Lage, sanjoanense formada em Serviço Social e Ciências Políticas, com seus cursos de informática, eletricista cabeleireiro, artesanato e alfabetização de adultos. O prédio foi construído com apoio financeiro de ongs alemãs.

Nas margens da rodovia funciona diariamente uma feira de produtos e frutas nativos, como bacupari, pitanga, cambuí, ingá, ovos caipira, queijos e doces.

Caetá –antiga fazenda do barão de São João da Barra, que ali ofereceu banquete ao imperador Pedro II em 1847, coberta de canaviais, assistiu à tragédia vivida por um de seus herdeiros, o Visconde de São João da Barra, que se suicidou, diz-se que por causa de uma paixão não correspondida. O visconde trouxe de sua viagem à Europa a bela imagem de Nossa Senhora, que ocupa o altar mor da capela da fazenda, hoje aberta para a comunidade. Outras imagens originais de São João e São Benedito estão nos altares.

O barão administrou o município em várias gestões. Pelo Caetá também se tem acesso ao complexo portuário do Açu.

Outras localidades:

Roças Velhas (pode ser considerada bairro de Barcelos), Venda Nova, Degredo, Rua Nova, Amparo, Vila Abreu, Campo da Praia, Campo de Areia, Pipeiras, Cazumbá, Barra do Jacaré, Palacete, Água Preta, Sabonete, Enjeitado, Mato Escuro, Papagaio.

Principais atividades econômicas do município

Turismo, construção naval de embarcações de pequeno e médio porte, agropecuária, cooperativa de beneficiamento de leite e seus derivados, olericultura, fruticultura nativa, castanhas de caju cozidas, pesca, indústria de bebidas, fábricas de vassouras e de fios têxteis, olarias, farinha de mesa, usina de açúcar e doces batidos caseiros – banacaxi, goiabada, caju com castanha, araçá-pero – fruta que D. Pedro II muito apreciou em sua visita à fazenda Caetá, do barão de São João da Barra, em 1847 -, abóbora com coco, jaca e outros. Artesanato em palha de taboa e conchas, bordados diversos.

A cultura do caju nativo, importante fonte de renda para famílias pobres, foi destruída pela praga da mosca branca. Os cajueiros secaram e estão sendo substituídos pela cultura do caju anão precoce, com mudas trazidas do Nordeste do país. As castanhas, por enquanto, estão sendo importadas de outras regiões. As goiabeiras vivem sob a ameaça de ataque de nematóides em suas raízes. O problema está sendo estudado.

Quase 70% da receita municipal vem do repasse dos royalties do petróleo (poço de Roncador). No último ano houve significativo aumento da receita do ISS, em função do complexo portuário do Açu.

Matriz iluminada para o Natal (foto Wanderley Gil)

Igreja Matriz, dedicada a São João Batista, erguida por Lourenço do Espírito Santo em barro com teto de palha no séc. XVII e construída em alvenaria no início do século XVIII. Incendiou-se em 1882, foi recuperada e entregue à população em 1884. A capela de Nossa Senhora do Rosário escapou do incêndio. A torre da igreja tem estilo diferente, construída que foi para o centenário da cidade em 1950. Na sacristia, estão uma urna de mármore, usada para receber os restos mortais de uma mulher e seu bebê, envoltos em colcha adamascada, e uma Santa Ceia em miniatura, em terracota. A festa do padroeiro é em 24 de junho. Uma das atrações da festa é uma animada procissão fluvial, com barcos decorados, no dia 23.

Nossa Senhora da Boa Morte, construída em 1818, tem torre em forma de coroa, rara no país, e sua imagem principal é portuguesa, trazida pelo marujo Antônio Vasconcelos. Reformada várias vezes.

São Benedito – inaugurada em 1839, passou por várias reformas. Na época do império era uma das irmandades mais ricas do município.

São Pedro – Construída por volta de 1885, pelo fazendeiro Emanuel Francisco de Almeida, onde ele e a esposa seriam sepultados, desejo frustrado pela secularização dos cemitérios. Sua imagem, cópia da que existe no Vaticano, está desaparecida desde outubro de 1982. Foi substituída por imagem esculpida em cedro por Uilton Mallet, em 1996.

Existem ainda as capelas de Nossa Senhora dos Navegantes, de Fátima, Aparecida e Imaculada (na estrada dos Cajueiros), Santo Antônio dos Pobres (erguida junto a um antigo cruzeiro), a capela do Educandário Santa Cecília, na cidade, e as capelas dos distritos.

Igrejas protestantes

A primeira igreja evangélica a se instalar no município foi a Batista, na sede, em 1981, seguida pela Assembléia de Deus – Ministério Madureira, no mesmo ano, em Atafona. Hoje são encontradas cerca de 30 igrejas e 20 congregações: Adventista, Luterana, Metodista, Mahanata, Presbiteriana, Pentecostal, Adventista, Testemunhas de Jeová, Universal do Reino de Deus. O Conselho de Pastores, criado em 2007, tem como presidente o Pr. Antônio Marcos de Souza.

Existem ainda locais de culto de outras confissões religiosas, tais como: Joanna de Angelis, Associação Humanitária Geraldo Costa, Grupo Francisco de Assis (espíritas), Mesiânica do Brasil, terreiros de Candoblé e Umbanda,

Times de futebol – o município tem cerca de 10 times de futebol, sendo os mais antigos o Fluminense F. C.(1943) e o Sanjoanense Futebol Clube e Associação Esportiva e Recreativa Portuguesa (ambos em 1953). Um time oficial foi criado em 2006, o São João da Barra F.C., mantido pela prefeitura, que participa do campeonato estadual na 3ª Divisão. O município tem produzido grandes jogadores para times nacionais e internacionais, como José Henriques de Abreu, Élson Beyruth, César Martins de Oliveira, Geraldo Novas, Evaldo e Jorge Sena,

Existem ainda praticantes de ciclismo, vôlei, futebol de areia, de salão, boardboring, caiaque, surf e windsurf. Os jipeiros, reunidos em uma associação, promovem passeios em trilhas e os cavaleiros da Associação Sanjoanense de Cavaleiros, promovem cavalgadas em datas especiais.

O povo aflui ao cais do imperador para esperar a chegada da Bandeira do Padroeiro.

PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO HISTÓRICO

Antiga Câmara de Vereadores e Cadeia Pública – único prédio que sobrou da época colonial, obra iniciada em 1794 e terminada em 1797. A argamassa de suas paredes de metro e meio de espessura foi misturada com óleo de baleia. As janelas inferiores têm, cada uma, grossas grades triplas de ferro. Na primeira reforma que sofreu, em maio de 1967, realizada pelo Iphan, descobriu-se um túnel sob o prédio, um fojo, que liga as celas ao rio Paraíba do Sul. Atualmente vazia, está em mau estado de conservação. Segundo Fernando José Martins, no porto de Gargaú estacionavam 14 naus piratas. Daí, talvez, o reforço da cadeia pública, que foi muito utilizada para prender escravos fujões. Um alçapão existente no andar superior fez surgir a lenda que na época colonial servia para lançar diretamente nas celas do andar inferior os vereadores cujos votos ou opiniões desagradassem a presidência.

O prédio da antiga Cadeia Pública e Casa de Vereança, reformado em 1967 pelo Iphan. Guarda segredos e lendas entre grossas paredes e as grades triplas de ferro nas janelas do andar inferior.

Palácio da Cultura Carlos Martins – Antiga residência do coronel Manoel José Nunes Teixeira, um dos fundadores da Cia. de Navegação S. João da Barra/Campos, interventor  municipal após a proclamação da República e deputado. Provável construção da segunda metade do século XIX, já abrigou o Grupo Escolar Alberto Torres, o Jardim de Infância Ilka Peçanha, o Colégio Cenecista São João Batista e a Coordenadoria Estadual de Ensino no município.

Antigo Mercado Municipal – ficava junto ao porto do mercado, um dos mais movimentados no ciclo da navegação, hoje aterrado. Sobre ele funciona uma academia de ginástica ao ar livre. O mercado, após reforma, abriga o Centro Cultural Narcisa Amália e a  biblioteca Municipal Professor Aloísio Faria.

A notar ainda as  Ruínas do trapiche da empresa Irmãos Araújo no cais do Alecrim, algumas residências de época diferentes, o Canhão manoelino no largo Fernando José Martins, o solar do Barão de Barcelos, reformado e acrescido de mais um andar para receber órgãos administrativos municipais, o antigo Cine Theatro Sanjoannense, inaugurado no início do séc. XX, também reformado. E o solar do Comendador André G. da Graça, rico traficante de escravos, que deu pernoite a Pedro II em sua passagem pela cidade em 1847. Abriga o Fórum de Justiça Municipal. E ainda o cais do Imperador, na praça do padroeiro, onde D. Pedro II teria desembarcado e  a poucos metros, o cais da Imperatriz.

Principais igrejas católicas:

1 Comentário Add your own

  • 1. Elfrieda Moisant  |  31 \31\UTC maio \31\UTC 2011 às 03:26

    Hey there this is somewhat of off topic but I was wanting to know if blogs use WYSIWYG editors or if you have to manually code with HTML. I’m starting a blog soon but have no coding knowledge so I wanted to get guidance from someone with experience. Any help would be greatly appreciated!

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


%d blogueiros gostam disto: