Capítulo 5

 E voando sempre, Pombote alcançou o mar. Era maior e mais bonito do que imaginava, porém, assustador e, surpreso com o barulho das ondas estourando na praia pousou na areia, olhando bicoaberto a espuma branca que se desfazia a seus pés. Gaivotas sobrevoavam o mar, sem medo, grasnando e mergulhando em busca de peixes. Estava tão entretido, que não viu uma delas pousar a seu lado e assustou-se quando ela lhe perguntou: – Você é um pombo? – Sou, respondeu ele, pondo-se em guarda. – Ué…e o que está fazendo aqui? Pombos não mergulham nem pescam… – Estou vindo de muito longe e querendo saber que rumo tomar para chegar à cidade, de onde fui arrancado por um vendaval. – Ah, é? Tá certo. Tem uma cidade aqui, passei lá uma vez, mas fica longe. – E o que gaivota foi fazer na cidade? – Pescar, ora essa, que outra coisa a gente faz? Fomos acompanhando um navio grande, uma gaivota disse que tinha muito peixe lá. Se tinha, não vi quase nenhum, era uma mentirosa aquela gaivota, acho que queria me afastar daqui. Depois a tal gaivota, que na verdade estava com medo de ir sozinha e contou essa lorota para que um grupo fosse com ela, disse que houve um tempo em que havia sim muito peixe perto da cidade, mas os homens jogaram tanto óleo e outras porcarias no mar que os peixes fugiram de lá. – Mas a cidade é muito bonita. – Eu não como beleza, meu bem, como peixes. E voltei. Bobagem você voltar pra lá, mas já que quer ir…tá vendo aquele morro, onde a praia faz uma curva? Quando chegar lá, pouse numa palmeira magrela que tem lá e verá a cidade. Não é grande coisa, muita fumaça e barulho. Pombote agradeceu, deu umas bicadas na areia para sentir seu gosto e seguiu o desenho das espumas. Houve um momento de pavor quando a sombra de uma ave gigantesca, muito maior que um gavião, passou sobre a sua. Olhou de relance, era um pássaro estranho, de metal, e voava muito alto. Sem dúvida era o avião que sobrevoava a cidade onde nascera. Portanto, não representava perigo. Riu de alívio. Era noite quando pousou na palmeira. Deslumbrou-se com o amontoado de luzes que divisou, mas estava tão cansado, tão cansado, que deixou para satisfazer sua curiosidade no dia seguinte.

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