15ª FLIP – FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATYI

27 \27\UTC julho \27\UTC 2017 at 11:15 Deixe um comentário

Eu sempre quis ir à Flip e nunca pude. No dia 26 começou sua 15ª edição, que vai até o dia 30, em Paratyi, no sul de nosso estado. O homenageado deste ano é o escritor Lima Barreto e ainda haverá um espaço dedicado do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, em reforma desde que se incendiou em dezembro de 2015, uma perda lamentada até por quem não é usuário do nosso idioma. A instalação em Paraty ficará na Casa da Cultura.

Reconhecida e prestigiada internacionalmente, a Flip – Festa literária Internacional de Paratyi, já trouxe ao Brasil grandes nomes da literatura e arte mundiais e neste ano espera-se uma maioria de mulheres. Os debates acontecerão no chamado auditório da Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira local, construção de 1873, com 18 mesas e 450 lugares. O preço do ingresso é de R$ 55,00, mas haverá um telão para os que não puderem ou não conseguirem entrar. O preço é alto e a crise financeira do país ainda está aí.

Parati é uma cidade linda. Uma das mais antigas cidades do país, emancipou-se de Angra dos Reis em 1667 e teve durante o período colonial um movimentado porto exportador de ouro, extraído das minas brasileiras. Seu município tem 930,7 km2 e população de 39.965. Prédios históricos bem conservados, belas paisagens, lindas praias de águas claras fazem de Parati importante polo turístico. Também é conhecida por produzir famosa cachaça e ser residência de d. João, neto da princesa Isabel e pai do conhecido fotógrafo d. Joãozinho.

A cidade e o escritor nacional homenageado nesta Flip, Lima Barreto, durante alguns anos ficaram longe dos olhos do público, ele por ter sido considerado escritor menor pelos beletristas, acadêmicos e editoras de sua época. Negro e pobre, neto de escravos, com problemas de alcoolismo, foi jornalista, carreira que começou no extinto Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, de onde foi demitido ao escrever o romance “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, inspirado no cotidiano do jornal. Lima trabalhou em outros jornais e revistas e publicou mais dois romances em que critica a vida social e política da cidade e do Brasil. Outro romance seu foi publicado depois de sua morte, ocorrida aos 41 anos, por doença provocada pelo alcoolismo. Diz Joselia Aguiar, curadora desta Flip: “O que eu gostaria é que a Flip contribuísse para revelar o grande autor que ele é. Para além das questões importantíssimas sobre o país que ajuda a levantar, tem expressão literária inventiva e interessante, à frente de sua época em termos formais, capaz de inspirar toda uma linhagem da literatura em língua portuguesa.”

Por sua vez Parati ficou fora do alcance do público que hoje lota suas praias e seus hotéis devido à dificuldade de acesso, por um tempo só possível por mar. Em parte foi bom para a  preservação de seu casario e de suas ruas adaptadas à chegada das marés altas, já que está a apenas cinco metros acima do mar. Hoje é uma joia histórica e um monumento da arquitetura colonial. Tem ainda uma colônia de pescadores e um mercado de peixes.  Passei duas ou três férias ali com meus filhos pequenos, lembranças gostosas.

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