TEMPOS DIFÍCEIS

22 \22\UTC julho \22\UTC 2017 at 09:05 Deixe um comentário

O Brasil está passando por tempos difíceis, tristes e vergonhosos. Os jornais não param de dar manchetes escandalosas relacionadas a roubos de verbas públicas. Como no tempo do jornal alternativo O Pasquim, uma charge mostrava que ao abrir o jornal a gente levava um soco na cara. Está assim agora. A diferença é que desta vez, graças à operação Lava jato estamos vendo empresários e políticos irem para a cadeia. Naquele tempo só pobres e adversários do regime eram presos. Apesar da ação saneadora da Lava Jato, os notórios larápios continuam a fraudar e meter a mão suja no dinheiro público. Não têm medo nem vergonha na cara.

Quando a ex-presidente Dilma Roussef caiu, após mandato e meio de mau governo, arrastando alguns políticos bandidos na queda, todos pensaram que a situação ia melhorar. Seu substituto era o vice Michel Temer, em quem ninguém votou, mas de quem se esperava um governo melhor até às eleições de 2018. Não era um homem simpático, de andar duro e gestos poucos amáveis, parecendo mais um mordomo que um político. As boas impressões logo se desfizeram ao se constatar que ele levara para assessorá-lo uma constelação de políticos safados, fisiológicos, corruptos.

A Lava Jato, da PRF, já havia feito estragos nas hostes políticas e ministros com a reputação manchada começaram a ser substituídos. Os que entravam em seus lugares não eram melhores. As acusações borbulhavam na imprensa. Pela primeira vez viu-se que cadeia no Brasil não era apenas para alguns. Poderosos empresários e políticos passaram a frequentá-las. As delações premiadas, largamente utilizadas em outros países passaram a ser usadas pelo Juiz Sérgio Moro e a abater as aves de rapina em pleno voo. Políticos pouco sérios chiaram, é claro, mas o Supremo Tribunal Federal abençoou a prática e com a entrada em cena do Moro o cerco foi se fechando. Presos, empresários, publicitários, políticos e seus operadores, se dispuseram a delatar malfeitos e malfeitores para ter suas penas abrandadas.

O castelo de cartas do mal foi se desfazendo. As delações da Odebretch e da OAS, empreiteiras de peso e presença internacional, onde também cometeram seus malfeitos, foram importantes, mas as gravações de Joesley Batista e seu irmão, abalaram de vez os alicerces da presidência da República, que até então eram tocados de raspão pelas delações. Todo o arcabouço corruptivo montado pelos políticos maus e empresários gananciosos ruiu.

Como disse Sérgio Moro, por mais alto que alguém suba na vida ainda é alcançado pela lei. Nem o presidente da República, se denunciado, escapa de uma investigação e caso seja culpado de uma punição. A politica é necessária e deve ser a mais correta possível. Temos de deixar de votar em notórios corruptos e, se caso eleitos, se optarem por atos desonestos, que visam usufruir do dinheiro público em proveito próprio em detrimento do atendimento das necessidades da população, temos de retirar o apoio e aprovar iniciativas corretivas. Não mais podemos ter nos poderes republicanos homens gananciosos, sem escrúpulos; devemos acabar com o fisiologismo, o compadrio, o nepotismo, que tanto mal têm feito a nosso país.

A corrupção traz como corolário mentira, falsidade, desfaçatez e outras atitudes, o pior de cada um. Como um homem tira dinheiro da infraestrutura, da educação, da saúde, para gastar em campanhas políticas ou mesmo em proveito próprio? A consciência não lhe dói? Como encara de frente sua família, seus amigos? Quando surge na tela da televisão um homem correndo para esconder uma mala com 500 mil reais roubados, como o deputado Loures, como ele tem coragem de olhar de frente seus pais, seus filhos, amigos? Ninguém mais vai confiar nele, a não ser os membros da quadrilha.

A inconsciência do mal que está praticando vem de braços dados com a impiedade e com todos os demais criminosos modos de agir. O Brasil está passando por uma séria crise econômica e fiscal, programas importantes são abandonados, verbas são contingenciadas, a recessão está difícil de ser combatida. No entanto, para não ter suas atitudes examinadas – e não ainda julgadas – pela Comissão de Constituição de Justiça o presidente da República sai cooptando o voto dos deputados, distribuindo quase 16 bilhões de reais para comprar o voto dos contrários e ainda atropela o processo fazendo os partidos, através de suborno, substituir os que pretendiam votar contra o governo. Aonde vamos parar com tanta sujeira? Foi para isso que demos nosso voto?

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