QUEM DIRIA QUE UM DIA FOMOS CABO FRIO.

21 \21\UTC junho \21\UTC 2017 at 09:25 Deixe um comentário

Quem vê uma Atafona destruída, com as águas barrentas do oceano arrasando o que resta de sua orla, na certa terá dificuldades em aceitar que já pertencemos a Cabo Frio. Não ao badalado e sofisticado balneário de hoje, mas à comarca de Cabo Frio, a quem pertenceram vários municípios do norte-fluminense. Assim como é difícil acreditar que possuímos um importante porto flúviomarítimo, que mereceu a visita de um chefe de estado, D. Pedro II, e foi ponto de escala de passageiros e cargas para Amsterdam, na Holanda, e Nova Iorque, nos Estados Unidos.  Como diz um amigo e conterrâneo, somos a “cidade do já teve.”

No tempo em que pertencemos a Cabo Frio a cidade ainda não era essa maravilha dagora, que recebe celebridades de todo o tipo, sedia festivais e tem suas areias claras e águas azuis enfeitadas por mulheres e homens que só vemos nas capas de revista. Naquele tempo era um ponto de desembarque de portugueses que cá vinham para enricar. É fácil constatar isso ao examinar o material guardado em seu Arquivo Público.

Apesar de sua rica história, que envolve eventos significativos para economia do estado, como a pesca, a indústria naval, a pecuária, a agroindústria do açúcar, o turismo, São João da Barra não tem um Arquivo Público onde se pesquisar, apesar do projeto da professora e historiadora Tania Aquino, que encalhou em alguma gaveta da prefeitura e lá vegeta, junto com a foto do astrônomo sanjoanense Domingos Fernandes da Costa, presente do falecido físico Marcomede R. Nunes, do Observatório Nacional.

A cidade de Gramado/RS, com 166 anos de fundação, tem seu Arquivo Público que orienta seus pesquisadores, já em nossa cidade, de 1850, isto é, de 167 anos, por não ter Arquivo, nomes de ruas são trocados de acordo com o interesse eleitoreiro dos vereadores, sem que se verifique o tempo e a razão do nome anterior, o que sempre causa confusão para os historiadores. A rua Joaquim Thomaz de Aquino Filho, já foi rua Dr. Motta Ferraz, Dr. Miguel Couto, Direita e Caminho Grande. E ninguém sabe o porquê de tantas trocas. Nosso município se soltou da comarca cabo-friense, tem mais de 300 anos. Talvez fosse melhor ter continuado onde estava.

Há alguns anos, sendo secretária municipal de Educação a professora Katarine de Sá Santos, foi feita uma segunda edição do livro basilar de nossa história, “História sobre a povoação e fundaçãode São João da Barra e dos Campos dos Goytacazes” de 1868, de Fernando José Martins. Alguns exemplares foram distribuídos, os demais desapareceram misteriosamente. Uns poucos exemplares escaparam. O mesmo aconteceu com os 200 exemplares do importante livro “São João da Barra, apogeu e crise do porto do açúcar do norte-fluminense” de Paulo Paranhos, que o autor doou à biblioteca municipal, documento que deveria estar sendo estudado em nossas escolas fundamentais e médias, para nunca mais alguém perguntar se o balaústre da beira do cais foi colocado ali pela prefeitura para evitar que alguém caia no rio ao apreciar nosso mais que belo por do sol ou as animadas procissões fluviais em homenagem a São João.

São coisas pequenas, sem importância? Não, não são, são tijolos da civilidade, forma de se identificar e se orgulhar de pertencer a um município tão importante, apesar de todos os golpes que tem sofrido. Desde que, segundo João Oscar, poeta e historiador, autor de outro livro básico de nossa identidade cultural “Apontamentos para a história de São João da Barra”, livro que a municipalidade deveria reeditar – não fica tão caro – e distribuir nas escolas municipais, nos desligamos de Cabo Frio, após a foz do rio Paraíba do Sul ter sido desobstruída da invasão das geoberas, tivemos um período mortiço, até que do próprio Cabo Frio veio o impulso para progredir. A pesca, uma das mais antigas alimentação do ser humano e que sempre fora uma das formas da população cabo-friense se alimentar, estabeleceu aqui povoações e o município se consolidou. Tudo isso está documentado e deveria estar no Arquivo Público de nossa cidade que um dia, certamente, quando os gestores públicos locais forem mais esclarecidos, será criado.

SJB, junho/17

 

 

 

 

 

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