RETROSPECTIVA 2016

31 \31\UTC janeiro \31\UTC 2017 at 14:31 Deixe um comentário

Esse foi um ano muito difícil, complicado, doloroso, mas que deu aos brasileiros a esperança de ver seu belo e rico país livre da corrupção sistemática, do desmando, das injustiças, da violência, das discriminações, do jeitinho, dos apadrinhamentos, da política suja e destrutiva. Do atraso.

Nesse ano alguns mitos caíram por terra, como a ideia de políticos e empresários ricos não irem para cadeia. Apesar do ingente trabalho realizado principalmente pelos jovens membros dos ministérios públicos e da polícia federal, resta sonhar que a Justiça, tão desrespeitada pelo presidente do Senado e por outras autoridades, torne-se célere, produtiva e justa. A atual presidente do STF, a íntegra juíza Carmem Lúcia, apesar da escorregadela no caso do Calheiros, tem disposição para isso. Parece ter herdado um pouco do fogo sagrado que celebrizou e fez desistir da luta o juiz Joaquim Barbosa, que tanta esperança acendeu no peito de brasileiros e brasileiras, como ainda se pode ler nas Cartas dos leitores nos jornais.

A imprensa foi uma importante aliada dos julgadores. Reportando todos os feitos e malfeitos conseguiu mobilizar a opinião pública ao mostrar o escuro lado B da política e da gestão pública. Que vergonha a ação dos nossos representantes no Congresso! Nós os elegemos para serem nossos olhos e boca, para que fiscalizassem os poderes da República, e o que acontece? É de chorar. Daqui a pouco temos novas eleições e os corruptos serão reeleitos por falta de opções. Parece que os honestos fogem da política.

Os advogados, que nunca tiveram tanto trabalho nem tanta exposição quanto o proporcionado pela Operação Lava Jato e outras correlatas, deblateraram contra essa ação saneadora, é possível? Já o Depto. de Justiça dos Estados Unidos classificou a atuação da Odebrecht e da Braskem, envolvidas até o pescoço no lamaçal de corrupção e que pagaram U$ 1 bilhão de propina no Brasil e em mais 11 países, como “o maior caso de suborno internacional da História.” O Brasil é o maior, né não?

Futuro ameaçado com as investigações que paralisaram os governos, os estudantes foram para a rua, melhor lugar não há para se protestar. E muitas de suas justas reivindicações foram atendidas. Só que, com isso, aulas não foram dadas, o período letivo foi seriamente afetado, entregas de diplomas foram adiadas. E por causa disso muitos estudantes não puderam fazer a prova do Enem, cujo sigilo também havia sido quebrado em alguns estados. Por essas e outras, no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) os alunos brasileiros não foram bem. Em matemática 70% dos nossos alunos ficaram abaixo do mínimo aceitável pela OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O Brasil ficou em 63º lugar em Ciências, em 59º em leitura e 66º em matemática. Puro vexame.

Escritores, poetas, atores e artistas plásticos, teatrólogos e cientistas abandonaram este mundo neste ano. Talvez por isso, aqui ninguém valoriza a arte, a ciência e a literatura. Valor  aqui tem o futebol e os salários dos jogadores são astronômicos, maiores que os de artistas, cientistas, professores, policiais e escritores.

Governo, estatais e empreiteiros patrocinaram as Olimpíadas e Paralimpíadas, belos espetáculos, que realmente honraram o país. Nunca obtivemos tantas medalhas. O mundo se admirou com nossa eficiência em montar palco para tantos esportes. Mas até hoje não sabemos quanto custou nem o que fazer com os elefantes brancos espalhados pelo município do Rio de Janeiro.

Foram muitas as catástrofes. No Brasil e no mundo. Aqui foi provocada pela ação saneadora e benéfica da Lava-jato. Uma catástrofe benfazeja, que acabou com a carreira política de muitos. Mortes por acidentes e por homicídios são normais numa sociedade desigual como a nossa, só que os índices de  ambos extrapolaram as expectativas. Mata-se demais por aqui, armas demais circulam entre bandidos e homens bem intencionados que imaginam assim se defender. Pura ilusão, muitas das vezes os bandidos levam as armas dos incautos para cometer outros crimes. E os bandidos tornaram-se cruéis, matando suas vítimas sem piedade, infernizando a vida das médias e grandes cidades. Quando nos livraremos deles?

Em política pagamos micos e mais micos. A presidente da República foi impichada por desobedecer as leis com suas pedaladas, o corrupto presidente da Câmara dos Deputados foi afastado pelo STF depois de muitos reclamos da sociedade e o corruptíssimo presidente do Senado, que além de tudo deu o mau exemplo de não obedecer a uma ordem judicial, escapou da forca não se sabe porquê. E quer voltar chefiando a Comissão de Constituição e Justiça. Logo ela, é muito caradurismo.

Os partidos políticos desmoralizados conseguiram aumentar o Fundo Partidário, criado para impedir que acossem as empresas em época de eleição, para R$ 819 mil. Mas pelas quantias que a Polícia Federal descobriu terem sido destinadas a propinas a partidos e políticos, caixa dois ou não, pagas na eleição passada, dá pra ver que esse montante não será o suficiente. Vão achacar mesmo com o Brasil sofrendo uma bruta recessão, que só deve diminuir em 2018. Político não aprende.

Afastada do governo, a ex-presidente Dilma continua dando pitacos, tentando desmoralizar a Lava-Jato em benefício do ex-presidente Lula, que pretende concorrer ao cargo que já ocupou nas eleições de 2018. E o pior é que se vier é capaz de ser eleito por eleitores surdos e mudos que não vêm sinais de corrupção no sitio de Atibaia e no tríplex de Guarujá, só vêm os trocos que recebem dos programas sociais. Não foi assim que foram eleitos Ademar de Barros, Maluf, Color, Renan, Eduardo Cunha, Gedel e outros? A indicação de Lula como chefe da quadrilha que dilapidou os cofres públicos foi uma dolorosa decepção.Ele foi uma esperança.

O mundo continua com a bagunça de sempre, como prova a permanência de Maduro e Assad na presidência de seus países e a eleição para presidente dos Estados Unidos do rico e doido empresário Donald Trump, misógino, homofóbico e inimigo de imigrantes. Esses puritanos que criaram os EUA são pirados. Eleger Trump seria o mesmo que eleger Sílvio Santos presidente do Brasil.

O jornalista e escritor Fernando Gabeira diz em uma de suas crônicas em O Globo que ”Viver no Brasil é educar-se para a complexidade.” Não só aqui, caro Gabeira, não só aqui.

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A PRAGA DE DOXINHA MINHA RELIGIOSIDADE

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