VIOLÊNCIA

7 \07\UTC janeiro \07\UTC 2017 at 10:55 Deixe um comentário

Enquanto descaroço e saboreio uma romã que o amigo Gerson me presenteou no ano novo, leio “Akrópolis, a grande epopeia de Atenas” do escritor e historiador italiano Valerio Manfredi. A epopeia grega é um festival de violência, mostrando que o ser humano é violento por natureza. Ou não?

Visitei Atenas em 2013, uma cidade linda, repleta de monumentos históricos e calma, que em nada lembra seu passado belicoso, como nos contra Manfredi, em  permanente  disputa com a cidade de Esparta, então potência militar, aspirante a ser a líder da região, e com os países vizinhos. Sua história é uma crônica de violência. Lá nasceu a democracia e as noções de direitos e deveres dos cidadãos, mas para isso muitos sofreram. Além das guerras quase permanentes, os sofrimentos que impingiam aos inimigos presos eram terríveis. Cidades eram arrasadas, como fazem hoje os terroristas do Estado Islâmico. Os campos de batalha ficavam muitas vezes cobertos por cadáveres insepultos por falta de quem os enterrassem. Um horror, que remete aos tempos da pré-história, onde se matava para sobreviver e defender a família.

O mundo de hoje, tão evoluído em tecnologia, é terrível em termos de violência, a todo momento um atentado terrorista faz lembrar que na verdade pouco evoluímos desde a pré-história. Nos Estados Unidos, modelo de civilização, a violência campeia. Ainda ontem um atirador, aparentemente sem motivo ou razão, tirou sua arma da bagagem no aeroporto de Lauderdale, na Flórida, e atirou a esmo, matando cinco pessoas, e ferindo outras mais. Nesse país, que se quer modelo, compra-se armas de fogo pelo Correio. E a violência campeia.

Aqui pelo menos isso não acontece, as armas de fogo vêm para os bandidos pelos caminhos das drogas ilegais e letais. O que não diminui o morticínio. Neste princípio de ano sete policiais militares foram mortos em cinco dias, no Rio, segundo os jornais. Os policiais existem para proteger os cidadãos, mas parece que nem a si mesmos conseguem proteger. A solução tem sido colocar os bandidos nos presídios que estão superocupados, verdadeiros caldeirões de violência.

Em resposta ao massacre do presídio no Amazonas, onde há poucos dias cerca de 60 detentos foram executados, decapitados e desmembrados, num exercício de barbárie inacreditável, mas que o presidente Temer considerou um ”acidente”, o ministro da Justiça promete reduzir em 15% a população carcerária e construir mais cinco presídios. Solução? Não para todos. O secretário da Juventude do governo federal disse que se devia era matar mais presos. Demitiu-se em seguida à bombástica opinião.

Seguindo Manaus, dias depois, num presídio de Rondônia mais 31 presos foram brutalmente executados por seus colegas de cela. Alega-se que em ambos os casos ocorreu briga de grupos criminosos.  Pode ser. Talvez se a polícia conseguisse recapturar os mais de 100 criminosos que se evadiram do presídio de Manaus isso pudesse ser esclarecido. Quem sabe com o uso de delação premiada, como se faz com os criminosos delatores presos pela operação Lava-jato em Curitiba?

Enquanto as autoridades não encontram solução, a cidade do Rio de Janeiro sofre com a ação de bandidos. Na bela cidade, no verão repleta de turistas nacionais e internacionais, o jornal conta que são feitos 35 registros de assaltos por dia. Todos vimos no Jornal Nacional um ladrão audacioso adentrar a recepção de um hotel na zona sul para roubar dois turistas que se consideravam seguros. Aonde isso vai parar? Em Campos dos Goytacazes acontece um homicídio por dia, pelo menos.

Os bandidos acabarão nos presídios, coroamento de sua atividade predatória, onde se integrarão a bandos e acabarão degolados e esquartejados. E nós, pobres mortais sem armas nem guarda-costas, ficaremos à mercê de um programa governamental que diminua a quantidade de meliantes nas ruas oferecendo mais estudo e emprego à população despossuída. E que Deus nos proteja.

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AS ESPORAS DO PADRE

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