O QUE FAZER?

22 \22\UTC novembro \22\UTC 2016 at 08:49 Deixe um comentário

O que eu gostaria de estar fazendo agora?

É a pergunta que me faço quando me vejo sem nada para fazer nem para ler fato raro desde que me aposentei e encerrei minha atuação na edição do jornal S. JOÃO DA BARRA. Foram 49 anos de trabalho e o corpo se acostuma à labuta. Por isso ainda acordo às 5, 6 horas da manhã. O que abandonei de vez foram os sapatos e o terno, símbolos escravistas.

E a resposta à insistente pergunta? Pois é, gostaria mesmo era de estar reunido com toda a família, filhos e netos, gente maravilhosa, prêmio que me foi dado pela vida. Vivem longe, filhos e netos, em função de estudos e trabalho. Entendo, isso aconteceu comigo a partir dos 13 anos de idade, quando tive de morar numa pensão em Campos para poder estudar. Depois em outra pensão, na rua Saldanha Marinho, no centro de Niterói, me preparando para os primeiros vestibulares, os que não deram certo.

Em segundo lugar gostaria de estar conversando com a diretoria de uma grande editora, discutindo termos de um contrato para edição de um dos três romances que tenho prontos e inéditos e que acabarei por imprimir e mal distribuir. O ideal é a distribuição ser feita por uma das potências editoriais, levando meus textos, minhas histórias ao conhecimento do grande público. Editar não é difícil, complicado é distribuir. Num dos meus primeiros livros procurei uma famosa distribuidora e tive um choque ao ser informado que a tiragem mínima para ela aceitar a distribuição seria de 10 mil exemplares. Ante minha expressão de surpresa me afirmaram: só no Rio de Janeiro temos mais de 10 mil bancas de jornal. E o resto do país?

A terceira opção para responder à pergunta seria: viajar. Curto uma viagem longa ou curta, no Brasil ou no Exterior. É muito bom conhecer novos lugares, novas gentes, novos costumes. Adoro andar a pé por cidades além da minha, ver e ouvir as pessoas em seu dia a dia. Já caminhei toda a extensão da avenida Paulista. A primeira viagem que fiz para fora do país foi a Portugal, em 1987, para pesquisar a vida de meu bisavô, Zenriques, cuja biografia eu escrevia. Como o avião ia até Madri – a Lisboa fui de trem – e precisei ficar algumas horas na cidade, visitei a exposição de Goya no Museu do Prado, o que, por si só, valeria a viagem. Foi emocionante conhecer Paços do Brandão, uma pequena e antiga cidade perto da cidade do Porto, onde meu avô nasceu. Outra forte emoção – confesso que estive a ponto de chorar – foi anos depois visitar o túmulo de São Francisco no Santuário de Assis. Embora menos impactante, mas gratificante, foi ver de perto os montes Parnaso e Olimpo, sempre sonhei conhecer a Hélade  (Grécia), berço da civilização ocidental.

Enfim, voltar a ver a Casa de Cultura Zenriques, que criei ao voltar à minha cidade, 47 anos depois de ter ido estudar e trabalhar no Rio de Janeiro a existir como um polo cultural. Era muito legal, aos sábados, ver a turma interessada em cultura sentar para conversar, debater soluções para o município, o estado, o país e o mundo. Sabe lá o que é ter Célio Aquino e outros na sala? Puro papo cabeça da melhor qualidade. Da CC Zenriques nasceu a calçada da fama, onde intelectuais, artistas e esportistas locais foram homenageados imprimindo suas mãos no cimento. Hoje estacionam bicicletas e motos em cima dela. É desolador. E seus frequentadores estão dispersos.

Tudo isso eu gostaria de estar fazendo agora, como opção a esse papo com amigos desolados com a prisão de dois ex-governadores do estado por corrupção. Terrível, as pessoas ficam estupefatas, votaram neles, apostaram que fariam um governo senão progressista, pelo menos decente.

E agora, como vamos agir diante de uma urna eleitoral?

SJB, nov/16

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