O OBELISCO DO PORTO

7 \07\UTC novembro \07\UTC 2016 at 11:29 Deixe um comentário

Em recente reunião no Palácio da Cultura promovida pelo acadêmico André Pinto para exibir o acervo da casa e festejar os 100 anos do samba, presentes o jornalista Bruno Costa, o professor doutor Alcimar das Chagas Ribeiro, o ator Silvano, a pintora Márcia Cputinho, entre outros,  discutiu-se sobre a pasmaceira em que caiu a atividade cultural do município, com o fim dos grupo teatral Nós na Rua, o fechamento para o público da Casa de Cultura Zenriques e outros eventos tristonhos, o que me fez lembrar a matéria publicada no jornal campista Folha da Manhã daquele dia sobre a inauguração de um obelisco para comemorar o centenário, se não me engano, de Nilo Peçanha.

Fato marcante e bonito, como não aconteceu no sesquicentenário de nosso município. Lembro que na época a Casa de Cultura Zenriques, sugeriu que se criasse o Memorial da Navegação entre as ruínas do trapiche dos Araújo, um dos últimos baluartes da arquitetura da época de nosso porto, bem como se levantasse um obelisco no cais do imperador, homenageando os homens e mulheres que fizeram do porto de São João da Barra um dos mais importantes do país, tanto que mereceu a visita de um chefe de estado, o imperador Pedro II. A ideia caiu no areal inóspito onde deve habitar ainda nosso padroeiro, certamente escolhido por ser um santo que pregava no deserto.

Para que a ideia não caia no esquecimento total, o que é muito facilitado pelas areias soterradoras trazidas pelo vento nordeste, que apagou as mínimas lembranças de nosso melhor período econômico, a ponto de uma linda estudante perguntar a uma amiga se aquelas grades que enfeitam o cais erguido pelo Barão de Barcelos, eram “pra gente apreciar o por do sol”.

Eis a síntese do projeto do obelisco:

“Ideia para um monumento aos portuários – obelisco

Sobre uma base quadrada, cercada de estreitos canteiros com as flores branca e roxa da Saudade (flor que era típica de nossa cidade, mas parece que está extinta), um obelisco de concreto, com no mínimo cinco metros de altura, se erguerá, com quatro faces no pedestal, cada uma ilustrando um momento de nosso falecido porto e dos navios que aqui aportavam para deixar ou levar cargas e passageiros (chegavam a 75 navios/mês).

Na primeira das faces o alto relevo de um navio a vapor ou a vela, ou os dois.

Na face 2, a frase “Homenagem da cidade de São João da Barra aos homens que fizeram deste porto, no século XIX, um dos mais movimentados da província do Rio de Janeiro.”, ou algo semelhante.

Na face 3, o alto relevo de uma prancha, com as velas desfraldadas e um prancheiro a empurrá-la com o remo apoiado no peito.

Na face 4, relação dos profissionais da navegação homenageados: marinheiros, taifeiros, oficiais, prancheiros, canoeiros, operários, artesãos, estivadores, trapicheiros, carpinteiros, armadores, exportadores e importadores, práticos de rebocadores e escravos, homens que fizeram deste antigo porto flúvio-marítimo um dos mais movimentados da província fluminense até à Segunda Guerra Mundial..

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NOITE OUTONAL O VELHO TREM

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