METEOROLOGIA

8 \08\UTC março \08\UTC 2016 at 16:23 Deixe um comentário

Quando folheio o jornal e encontro a página da meteorologia tenho vontade de rir, se sobre a parte do mapa que representa nossa região vejo o ícone de uma nuvem com risquinhos inclinados, indicando chuva. Chuva, aqui em nossa cidade? Só quando sobra depois de irrigar toda a região norte-fluminense.
O meu dia começa quando abro o jornal e leio o noticiário. As notícias dos jornais televisivos só me tocam à noite. Talvez por ser um homem antigo, só me tocam as notícias do dia anterior. Por isso gosto das revistas semanais. Jornal e revistas fazem parte do meu esforço de entender o mundo, em especial, o Brasil. Mas há coisas que não consigo entender, como o momento em que vivemos, como os dirigentes que temos, como a corrupção que nos avassala, como esses ciclos danosos que voltam e meia jogam o país pra trás.
Rebobinando: meu dia começa cedo, apesar de aposentado. Acordo por volta das cinco e meia, seis horas, faço a barba (dia sim dia não, para poupar minha pele gasta) vou para o quintal, varro as folhas mortas, ponho o lixo ensacado no chão, já que a lixeira que há anos mandei instalar, foi quebrada durante o carnaval para dar passagem aos carros alegóricos dos Congos ,mas tenho promessa que será recolocada em seu lugar. Feito isso, tomo café e ainda meio adormecido vou à banca da praça da Boa Morte, pelo curto caminho verificando se os pássaros contumazes, pardais, rolinhas, pombas rolas, bem-te-vis, pombos e urubus estão em seus postos. Às vezes, raramente, aparece um gavião, e há dias, surgido não sei daonde, um quero-quero. No meu tempo de garoto era comum encontrar quero-queros pelos jardins das casas. O povo pegava o coitado, cortava um nervo das asas para que ele não pudesse mais voar e fugir e o pobre ficava ali, no meio dos canteiros de margaridas, saudades brancas e roxas, copos de sangue, rosas e outras flores menos votadas. Uma crueldade.
Mas voltemos ao assunto que motiva esta crônica, a falha da meteorologia no que tange ao tempo em nossa cidade. Houve um tempo que a previsão do tempo era motivo de risos, por que quase nunca dava certo. Com o aperfeiçoamento dos instrumentos de medição do tempo, o índice de acerto é de quase cem por cento.
Menos aqui. Considero nossa região um quase nordeste. No volume 12 dos “Estudos para o planejamento municipal” realizado pelo Fiderj/Secplan, em 1977, já se anotava que nosso município tinha baixa pluviosidade. No entanto chovia mais que hoje. Tanto que a chuva motivou alguns poemas meus, como “Chove”, in Canto Tentado, do qual gosto bastante. Gostoso ver a chuva caindo nas ruas areentas, que não permitiam que ficassem alagadas. Na areia a água escoa rápido, já no asfalto…
Enchente mesmo só no Paraíba, que há uns 60 anos era um rio de verdade, e quando recebia água das cabeceiras inundava a cidade, chegando à rua do Rosário e alagando a Rua Barão de Barcelos e o antigo campo do Suco. Cenas que o tempo levou, não sei se pro bem ou pro mal. Quando olho o terreno em frente à prefeitura, atual Largo Fernando José Martins, assim batizado por iniciativa do edil Domingos Vieira, chego a duvidar que vi o Paraíba se espraiando, grandioso, pelos terrenos onde foram construídos o Ginásio de Esportes, a Escola Especial, o Sispusba e o Ciep. Terras tomadas do rio, por iniciativa da antiga Comissão dos Portos, que pretendia regularizar o leito do rio, erguendo um espigão de pedra e barro 4 km, daqui a Atafona, apoiando a Escola de Aprendizes Marinheiros, outro doloroso monumento ao desperdício do dinheiro público e certamente à corrupção.
Mas essa é outra triste história.
SJB,março.2016

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ABANDONO E DECADÊNCIA ALELUIA, ALELUIA

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