ABANDONO E DECADÊNCIA

26 \26\UTC janeiro \26\UTC 2016 at 15:35 Deixe um comentário

A manhã de hoje foi produtiva. Caminhando pela cidade encontrei dois baluartes da cultura local, André Pinto e Fernando Lobato. Fiquei sabendo que André lança neste ano seu livro sobre a estrada de ferro Campos-Atafona e em junho, acho que no dia do aniversário do município, dia 6 de junho, que nossas autoridades nunca se lembram de comemorar, livro sobre a Câmara Municipal. Duas obras preciosas. Tomara que nosso povo entenda a importância desses lançamentos e compre os livros para estimular nossos autores e pesquisadores. Nada pior que ver pouca gente comparecer no lançamento e mais tarde ver os livros amarelando nas prateleiras das bancas de jornal.
Este introito é para começar a série de comentários que há tempos estou querendo fazer, mas não me animo, por achar que não terão repercussão. André está trabalhando no antigo Grupo Escolar Alberto Torres, onde gerações de sanjoanenses estudaram. O prédio, representativo das residências dos poderosos na época do porto flúvio-marítimo, além de ser esse repositório de saudades, é um monumento histórico, já que foi a residência do coronel Manoel José Nunes Teixeira, comerciante português que foi interventor municipal na passagem do império para a república, foi um dos sócios da Companhia de Navegação São João da Barra – Campos, deputado estadual e um dos fundadores do jornal Combatente, que chegou a ser editado pelo jornalista. Zenriques. Sua sepultura, na aleia de entrada do Cemitério do Santíssimo Sacramento, lado direito de quem entra, está se acabando. Qualquer dia some mais esse marco de um passado que deveria ser reverenciado pela sua importância.
E deteriorado esteve por muito tempo o velho Grupo escolar, o prédio onde o coronel residiu. Dava medo passar por perto dele, faltando telhas, reboco, invadido por capins, cupins e pombos. Apesar de ter servido de escola pública e escritório da coordenadoria regional de ensino, abrigado o Jardim de infância Ilka Araújo Peçanha e o Ginásio da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos, primeira escola de nível médio do município, hoje na praça São Benedito, era uma ruína que enfeava a cidade numa de suas ruas principais. Até que a municipalidade tomou a peito reformá-lo ao entender que era uma das aspirações dos cidadãos sanjoanenses. Ficou bonito, valorizou a rua e a cidade e recebeu o nome de Palácio Cultural Carlos Martins, um artista plástico sanjoanense, um dos fundadores da Feira de Artesanato de Ipanema, no Rio de Janeiro, por escolha do professor Fernando Lobato. Eu preferia que fosse chamado de solar, acho que seria mais condizente. Mobiliado com móveis antigos, cada uma de suas salas e pátios recebeu o nome de um intelectual ou artista da cidade. Muito bom.
E outra vantagem que eu, através do jornal. S. JOÃO DA BARRA, propugnava é que recuperado fosse reutilizado pela comunidade, o que realmente está acontecendo. Ali são ministrados concertos, saraus, exposições diversas, salas de aula e, como hoje fui informado por André, guarda a coleção de discos de vinil doada pelos herdeiros de Carlos Martins que está sendo recuperada para uso dos interessados. São discos de cantores populares e de mestres da música clássica. Ele e a professora Jurema ainda pretendem recuperar a biblioteca também doada. O jardim nos fundos do palácio é utilizado para festas como a do Divino Espírito Santo, casamentos, e recentemente um concerto da Banda União dos Operários, regida pelo maestro Joel de Sá Rosa, durante o evento “Navegando na fé”, onde foram mostradas as procissões fluviais do padroeiro, de São Pedro e de Nossa Senhora da Penha. Belíssima exposição, organizada por André, Sonia Ferreira, Ellen Cardoso e uma funcionária da Prumo e promovida pela empresa do porto do Açu.
Por isso tudo, principalmente pelo que representa como motivo de orgulho dos moradores da cidade, o Palácio devia merecer cuidados constantes. Não é o que acontece. Como passo sempre por uma rua lateral do prédio para encurtar caminho, vejo que a cada dia ele decai um pouco. As placas indicativas em metal amarelo estão foscas, o reboco apresenta falhas, as janelas também, manchas escuras escorrem pelas paredes, pombos invadem os beirais, enfim, é como se ele estivesse caminhando para voltar a ser o grupo velho tão maltratado. Sei que estamos vivendo um momento de recessão, de crise econômica mas acredito que quanto mais cedo esses problemas forem sanados mais barato ficará uma futura restauração. A quem a gente apela?
SJB, janeiro/2016

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