UM ANO PARA ESQUECER

2 \02\UTC janeiro \02\UTC 2016 at 11:36 Deixe um comentário

Há fatos e pessoas que são esquecíveis, que devem ser esquecidos, muitas vezes em benefício do equilíbrio mental e emocional da população. Tempos são mais difíceis de se olvidar, como esquecer certas datas, décadas, eras. Mas acontece. Como agora, em relação ao ano que acabamos de viver. 2015 é um ano perfeitamente esquecível.
Nesse ano de 2015 que alguns jornalistas chamam de 2 mil e crises, o mundo sofreu com ataques terroristas, com guerras que provocaram um absurdo êxodo de populações. Doloroso ver se arrastando pelas estradas um número incalculável de refugiados, crianças e velhos. Pelo mar a fuga foi mais difícil, muitos morreram em busca de segurança e paz. A imagem do corpo de uma criança afogada jogado na praia doeu nos corações até dos mais empedernidos. A tragédia em Paris, o ato insensato de fanáticos que matam em nome sua fé, nos devolve a tempos muito antigos, tempos de sacrifícios humanos para deuses, de morte em fogueiras, também em nome da fé. O papa Francisco, que veio para devolver credibilidade à igreja, como fez seu patrono, são Francisco de Assis, em outros tempos, lembra que esses cruéis atos não deviam se repetir. Também Francisco navega em mar revolto, tendo que lutar com intrigas e sabotagens no Vaticano.
A peste voltou, de maneira mais controlável, com menos vítimas que na Idade das Trevas na Europa. Vencida a Ebola, surgem novos vírus trazendo novas doenças e sofrimentos. Um mísero mosquito, um fiapo de vida, consegue infectar milhares com perigosas e transmissíveis doenças. Não bastassem as antigas, a ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica e o mal de Alzheimer a nos preocupar com sua cura tarda. No Brasil, onde ainda nem foi controlada a secular doença de Chagas, esses novos males apavoram. Ainda mais com a crise que deixa hospitais, médicos e funcionários sem salário, sem equipamentos e remédios para trabalhar. Tempo que também parecia ter passado.
Assim como a exigência de estudo de impacto ambiental para aprovação de grandes obras públicas, como hidrelétricas e minas, parece ter perdido importância. Temos como prova o grave acidente com a barragem de resíduos de minérios em Mariana/MG, cujo rompimento destruiu povoados, matou pessoas, poluiu o rio Doce e deu um monumental prejuízo à região e ao Brasil. Um prejuízo comparável ao provocado pela corrupção endêmica que se entranha em todos os segmentos sociais e políticos do país, acabando com nossa economia e projetando uma imagem de país de caloteiros no mundo. O povo não merece isso.
Nem merece ser obrigado a votar em candidatos que não contrataria para fazer uma obra em sua casa. Precisamos de homens dignos na política e na gestão pública, de outros também dignos no Executivo, Legislativo e Judiciário, para que nunca mais tenhamos acusados de crime presidindo Câmara Federal e Senado, nem presidente da República ameaçada de impeachment, o que não se via desde os tempos de Collor, de péssima memória, mas de volta aos afazeres legislativos. Dessa geleia geral alguns nomes escapam, como os membros do STF Carmem Lúcia e Joaquim Barbosa e o juiz curitibano Sérgio Moro. A nossa justiça, valha-nos Deus, tem excelentes salários e uma série de ajudas de custo e não consegue botar os julgamentos em dia, a não ser aqueles que repercutem na mídia.
É o não é 2015 um ano esquecível? Até a presidente Dilma, em pronunciamento de fim de ano, reconheceu que o ano foi mal e prometeu melhorar neste ano que chega. Mas como acreditar em quem tanto mentiu para se eleger?

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RETROSPECTIVA 2015 ABANDONO E DECADÊNCIA

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