RETROSPECTIVA 2015

31 \31\UTC dezembro \31\UTC 2015 at 11:41 Deixe um comentário

Pode-se dizer, sem medo de errar, que 2015 foi um ano cruel para nosso país. Não é comum que um país sofra, ao mesmo tempo, crise hídrica, crise econômica, crise política, ambiental e crise moral. E não dá para dizer qual a mais importante. E há crise na saúde e na educação. E o mosquito Aedes Egypti a se mostrar vetor de outras duas doenças tão perigosas quanto a dengue. Não bastassem as doenças comuns.
Mas a doença que mais incomodou o brasileiro nesse ano, que puxou o Brasil pra trás, foi a corrupção. Foi um escândalo atrás do outro. Nem bem tínhamos digerido a vergonha do mensalão eis que aparece o petrolão, muito mais letal. Sem contar outros de menor repercussão. Isso adoece qualquer país e faz as agências internacionais de risco baixar nossa cotação no mercado. Nos tornamos país não confiável.
Por outro lado, pela primeira vez, graças a ação de homens probos, como o juiz Joaquim Barbosa do STF e Sérgio Moro, de Curitiba, membros do Ministério Público e da Polícia Federal (Operação Lava-jato, Catilinárias e outras), vemos pela políticos e empreiteiros irem para a cadeia. Alguns escaparam graças a leis feitas para livrar os colarinhos brancos da prisão e outros ainda não foram alcançados pela mão da Justiça, que parece ter tirado a venda dos olhos. Mas ainda podem ser.
A saúde coitada, tem que ir para a UTI tão gravemente doente está. Sucateados, sem verbas, sem pagamento de salários a seus médicos e outros funcionários, os hospitais públicos nada podem fazer e os doentes são atendidos nos corredores, mulheres dão a luz na porta de hospitais ou nas calçadas, o que parece proposital para forçar o retorno da CPMF, o imposto criado para melhorar a saúde e que serviu pra tudo, menos pra isso. O sofrimento do povo que vota e paga impostos é um detalhe desprezível.
As contas do governo não fecham, graças a programas sociais mal estruturados, a subsídios e incentivos fiscais a quem não precisa, a despesas funcionais desnecessárias e improbidade administrativa. É incrível o que acontece em nosso país, onde se as contas governamentais nunca fecham e sempre se faz preciso cortes de gastos, quando pensa-se logo nos cidadãos de menor poder aquisitivo, nos que ganham menos, naqueles que não tem cacife. E tome corte na verba da saúde, da educação, da previdência social. O salário mínimo, que é mesmo mínimo, tem que ser contido, os aposentados têm seus proventos diminuídos. Ninguém pensa em fazer como nos países desenvolvidos em taxar as grandes fortunas e grandes heranças ou diminuir o número de secretarias e ministérios. Os salários dos políticos e dos altos servidores não podem ser diminuídos, pelo contrário, aumenta-se mais as mordomias com cartões corporativos, diárias, auxílio disso e daquilo, o escambau. Os seus automóveis são trocados com frequência por outros mais novos e possantes. E caros. São benesses para os políticos, os que escolheram o sacrifício de lutar por melhores condições de vida para seus eleitores, que além não poder desvotá-los têm que ficar de bico calado porque se forem pra rua protestar o pau come. A polícia está aí pra isso mesmo.
A educação na “pátria educadora” da presidente, que começa por alterar a gramática, fazendo-se chamar de “presidenta” e a gente se lembra que aprendia na escola que palavras terminadas pela letra e não flexionam, não se diz tenenta ou melianta, muito menos presidenta. Em São Paulo o governador tentou diminuir umas escolas, na certa para transformá-las em presídios para jovens negros e mal alfabetizados que escaparem das balas achadas. E para completar, parece castigo, o Museu da Língua Portuguesa se incendiou.
As crises politicas parecem emendar uma na outra, a mídia aponta erros, o povo reclama e continua a votar nos mesmos facínoras. Mas o que pode o povo fazer se tem de votar nos nomes indicados pelos partidos, nomes manchados por desmandos e malfeitos? O voto é obrigatório, o direito virou dever. Para ser eleito o candidato tem de gastar muito e logicamente vai querer ser ressarcido das despesas ou, o que é mais comum, apelar para financiamento da campanha por empresas o que acaba por camuflar propina, como se viu nas delações premiadas. Outras características que a política exige dos candidatos são nervos de aço e caras de pau, estão aí Renan, Cunha e Dilma e uma caterva menos famosa que não deixam a gente mentir.
Essa propinagem afrouxa os controles sobre quase tudo e propicia desastres como o mar de lama que destruiu um povoado em Minas e asfixiou pessoas com rios de rejeitos da barragem da Samarco, que reluta em indenizar as vítimas. Meio ambiente é outro motivo de tristeza e indignação dos brasileiros, que neste ano sofreram com seca e inundações. Neste país de dimensões continentais, esses desastres ocorrem simultaneamente, nordeste seco, sul inundado, ainda bem que não temos vulcões porque tremores de terra e ciclones começam a aparecer. Culpa-se o fenômeno El Niño, que aquece o oceano Pacífico, e esquece-se o desmatamento desenfreado que reduziu a 7% o tamanho da Mata Atlântica e caminha para fazer o mesmo com a floresta que cobre a Amazônia e retarda o aquecimento global.
Todo esse descalabro se reflete na economia que não consegue bons resultados. O economista Alcimar Ribeiro não está otimista com as perspectivas econômicas do país. Culpa de uma governante que se atrapalha e não ouve opiniões de quem conhece o assunto e faz tudo errado. Com isso a inflação, que parecia domada chega neste final de ano a mais de 10%. A bolsa registra baixas, o dólar sobe, o desemprego aumenta e o país se sente como se tivesse regredido.
Aqui, com o porto do Açu em ritmo moderado e royalties diminuídos – ninguém economizou quando o pagamento dos royalties era certo e volumoso – com negócios dando pra trás e provoca reações inesperadas como o vandalismo que atingiu o cemitério público com a destruição de mais de 40 sepulturas.

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TROTE BANDIDO UM ANO PARA ESQUECER

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