RIQUEZAS MINERAIS E OUTRAS

22 \22\UTC novembro \22\UTC 2015 at 11:58 Deixe um comentário

Desde os tempos coloniais o solo do Brasil tem sido explorado para satisfazer a fome de minérios do mundo. Montanhas são derrubadas para extração de minérios, matas devastadas para plantio. Nos primeiros tempos, caravelas e outras embarcações carregadas de ouro, ferro, e outros minerais seguiam para Portugal. Nem sempre chegavam a seu destino graças a assaltos de corsários e piratas franceses, ingleses, holandeses. Talvez por esse crime as nações assaltantes tenham se beneficiado pouco dos saques, exceto a Inglaterra, que empilhou tesouro sobre tesouro em seus cofres, deu honrarias a seus ladrões, e hoje sua moeda é a mais valorizada do mundo. Os piratas viraram sir, ou seja, nobres, e se enriqueceram junto com a nação. Os ladrões internos, os corruptos, não eram tão gulosos e desavergonhados como os nossos, e os roubos não desfalcavam o erário público.
A exploração continuou no período imperial e se acelerou na República, graças às novas tecnologias. O Brasil assistiu passivamente e com certo orgulho a depredação de nossa natureza na busca dos minerais. Exportar é bom para nosso orçamento Produto Interno Bruto, diz-se. E tome ferro, ouro, bauxita, cobre e outros minerais vendidos para o exterior, com preços por eles estabelecidos. O problema é que eram explorados por estrangeiros, vendidos para estrangeiros e poucos dólares ficavam por aqui. Montanhas foram arrasadas, meio ambiente prejudicado, pessoas e bens destruídos e pra quê, me diga? Quem ganhou com isso se a população brasileira continua tão ou mais pobre que antes? As crises financeiras internacionais sequer abalam a Inglaterra e os Estados Unidos, os mais beneficiados da nossa riqueza mineral. A eles veio agora se juntar a China.
Quem não se lembra da Serra Pelada, aquela fantástica reserva aurífera, que levou milhares de brasileiros a agir como tatus, escavando a terra, carregando rejeitos, arrancando pepitas de ouro que vendiam ali mesmo para atravessadores nacionais e estrangeiros, estimulando a prostituição, o roubo e outros crimes e no final, o que o Brasil lucrou? A qualidade de vida, o atendimento médico, o ensino naquela região teve melhorias? E então? A região foi devastada, vai levar anos, muitos anos, para ser recomposta, como em torno de outras regiões de minas, se isso for possível. Não estou falando da beleza das montanhas cobertas por arvoredos, com invejável biodiversidade, que são agora doces memórias, temas de poesias e promessas políticas. Falo dos benefícios que os brasileiros poderiam receber como compensação por essas tragédias ambientais.
Leio que em alguns países onde ocorreram desastres ambientais como o de Mariana, que a nossa presidente chama de desastre da natureza, as multas aplicadas aos criminosos que exploram os recursos naturais do país, sem pensar no meio ambiente e na população, são altas e justas. Servem para recompor o ambiente, custear as despesas dos atingidos pelo desastre. E aqui? Leio na revista Época que menos de 9% das multas aplicadas pelo Ibama são pagas. São tantos os recursos utilizados pelos criminosos, que aqui o crime compensa.
Nos países civilizados, os mesmos que se locupletaram com a pirataria e com a exploração de outros países, os enriquecidos com atividades na maioria das vezes predatórias, usam parte da sua fortuna para criar centros de pesquisas médicas e outras, financiam hospitais especializados, universidades e premiam a criatividade dos estudiosos. Aqui essa “generosidade” é rara. Escrevi a palavra generosidade entre parêntesis porque na realidade não é isso, é uma retribuição, uma indenização pelos males que causaram. Aqui nem os impostos sobre a transmissão de ricas heranças nem sobre grandes fortunas passam pelo crivo das comissões parlamentares, sabe-se bem porque. Nem o pensamento de que mais tarde também poderão se beneficiar das pesquisas abre as bolsas de nossos ricaços. Eles não temem sequer a justiça divina.
Vemos diariamente a devastação da floresta amazônica. Toras e mais toras de madeira de lei são levadas para serrarias, transformadas em móveis, tábuas beneficiadas e tacos e enviadas para o exterior, que pelas convenções internacionais só deveria consumir madeira certificada. A floresta é transformada em pasto para o gado bovino, cuja carne é outro item de exportação. O clima é modificado, a qualidade de vida da população é prejudicada, o mundo fica um pouco pior. Da mata atlântica restam somente 7% de área, o que faz aumentar a temperatura, queimadas criminosas ou não proliferam, problemas pulmonares e alergias diversas preocupam. E daí?
No mar a exploração vem de longe. Nossos peixes são deliciosos e abundantes – ou eram? – Navios estrangeiros munidos de poderosos radares vasculham nossa costa e carregam os cardumes. E assim, a cada “comodities” que temos eles avançam sem pudor nem preocupação. Com o “desastre natural” de Mariana destruímos o rio Doce, e toda a fauna e flora das suas margens. Homens continuam soterrados pela lama e talvez não possam nunca ser resgatados, como aconteceu com os concretados nas colunas da ponte Rio Niterói. Será que compensa?

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