DUAS TRAGÉDIAS ANUNCIADAS

18 \18\UTC novembro \18\UTC 2015 at 08:36 Deixe um comentário

Nas últimas semanas duas tragédias abalaram o mundo e o Brasil, ambas evitáveis, uma vez que todos já sabiam que acabariam por acontecer. Uma por culpa do fanatismo religioso, outra por culpa da desonestidade, da corrupção, da sensação de impunidade que macula nosso país.
No Brasil pode-se ver, pelas eficazes operações da Polícia Federal, que a corrupção está entranhada no sistema de governo e pior, em nossa maneira de viver e de pensar. As pessoas parecem anestesiadas, já a aceitam como fato inevitável, como característica do povo e continuam a votar alegremente em políticos comprovadamente corruptos, muitos deles já alcançados pela mão da Justiça. Esse clima de desesperança, de descrédito, facilita a ação dos bandidos de colarinho branco, que agem na maior cara de pau, sorrindo quando são presos, mesmo algemados, como se as algemas fossem uma espécie de diploma ou habilitação para exercer o poder público e avançar gulosamente sobre o erário. Não se importam, nem se vexam de tirar leite e merenda de criancinhas, de fazer doentes e acidentados serem atendidos nos corredores dos hospitais, de permitirem que famílias vivam nas ruas. Sua ganância domina tudo.
Constata-se que a ruptura das barragens poderia ter sido evitada se houvesse fiscalização. Em muitos casos a fiscalização é a maneira dos fiscais se locupletarem. O que pode ter acontecido na tragédia brasileira, onde as barragens dos reservatórios de rejeitos de mineração se romperam e destruíram cidades, mataram pessoas, muitas delas com os corpos ainda soterrados por toneladas da lama. Sabe-se que os reservatórios são feitos com rejeitos sólidos, o que exige monitoração constante, quase diária das barragens. No caso de Mariana, conta a revista Época, há 3 anos técnicos não comparecem para vistoriar as barragens. Nesse período elas passaram por reformas significativas, como alteamentos, sem serem monitoradas. A quem interessa isso? Não investir em segurança significa aumentar os lucros? Quiseram atribuir o rompimento a pequenos sismos ocorridos na região, mas técnicos garantem que não eram suficientes para causar o desastre. O que realmente provocou o rompimento das barragens,acabou com algumas pequenas cidades, destruiu a biodiversidade do rio Doce, matou pessoas, cujo número ainda se desconhece, pois há muitos desaparecidos, foi o descaso do governo e a falta de fiscalização.
A tragédia brasileira está sendo considerada o maior acidente com rejeitos da história e o custo para os reparos deve chegar a um bilhão de dólares. Se o Brasil exigisse das empresas multinacionais que atuam no país os padrões de segurança exigidos por outros países essa desgraceira não teria acontecido. A multa de R$ 250 milhões, que será aplicada à empresa Samarco, fusão da anglo-australiana BHP Billiton e da brasileira Vale,  dona da mina de minério de ferro, não é nada perto do que as mineradoras faturam e é considerada muito abaixo de multas aplicadas no exterior em acidentes semelhantes. E a Samarco ainda avisa que mais duas barragens na mesma região correm risco de se romper. E aí?
A segunda grande tragédia ocorreu na França, grande não pelo número de mortos, menor que os da boate Kiss, no Rio Grande do Sul, mas pelo que representa de intolerância religiosa, que faz os homens cometerem as maiores atrocidades. Uma rápida passada de olhos pela História vai nos mostrar os efeitos danosos dessa religiosidade distorcida, exacerbada, fruto de interpretações radicais de documentos religiosos, que muitas vezes se misturam ao desejo de poder, de dominação de um grupo de homens sobre outros. O cristianismo, quando se transformou no catolicismo, provocou a ira de insanos reis e imperadores, que jogaram fiéis aos leões nos circos romanos; a reforma religiosa promovida por Lutero e Calvino foi responsável por reações desmedidas e sangrentas, como a noite de São Bartolomeu e o extermínio dos cátaros nessa mesma França hoje chorando seus mortos. Essa intolerância queimou homens e mulheres na fogueira durante a malfadada Inquisição.
Hoje vemos o islamismo dividindo o mundo em ateus e fiéis, provocando atentados e guerras, o que certamente os criadores da religião não aprovariam nem seus fieis lúcidos aprovam. Assim como os líderes das igrejas neopentecostais, dissidentes dos evangélicos, com certeza abominam os ataques contra os centros espíritas, os terreiros de umbanda, os budistas e outras denominações religiosas. Há lugar no mundo para todos. Cada um tem o direito de adorar Deus da forma que achar mais correta e eficaz. A continuar assim, de breve os promotores desses crimes coletivos serão odiados pela Humanidade.
SJB,18.11.2015

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CORRUPÇÃO DEMAIS RIQUEZAS MINERAIS E OUTRAS

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