RETROSPECTIVA 2014

8 \08\UTC janeiro \08\UTC 2015 at 14:23 Deixe um comentário

Este é um ano para ficar na história. Um ano brabo. E não está nada fácil fazer sua retrospectiva. Um ano tão cheio de escândalos, de dramas e sustos, de violência, acidentes e mortes de pessoas muito importantes, que não sei por onde começar.
Certo é começar pelas coisas boas que aconteceram, como as ações do papa Francisco, que continua a faxinar o Vaticano, o que a presidente reeleita Dilma começou a fazer na política nacional em seu primeiro mandato e desistiu no meio do caminho. Difícil é saber porque. E o pior é que depois das eleições, escolheu um ministério que não está agradando nem a gregos nem a troianos. E ela continua a dar vazão a seu gênio autoritário, desautorizando publicamente o novo ministro do Planejamento mal ele tomou posse. Ela continua a interferir na politica econômica, querendo que os famosos “fundamentos econômicos” obedeçam a uma lógica partidária. Quanto ao restante do ministério, está sendo sorteado entre as siglas que possam vir a formar a base de sustentação de seu governo. Assim vai ser difícil fazer diferente do que não deu certo no primeiro mandato. Dizem que nem os gritos diminuiram, segue a tratar seus auxiliares como meros empregados.
Francisco, o primeiro papa não europeu, ao contrário, age com firmeza e discrição, a gente só sabe da mudança quando o visado já está na rua. Preciso, com suavidade promoveu importantes mudanças na cúria romana, chamou os cardeais às falas, condenando o luxo, a pompa, os abusos de toda sorte, a intrigalhada e o autoritarismo que grassam nos corredores do Vaticano. Lembrou lhes que são apenas homens investidos de cargos da igreja e não semideuses. Francisco faz jus ao nome. Ele ainda contabiliza a seu favor a ação para finalizar o embargo econômico a Cuba pelos Estados Unidos, e a promover as pazes entre os dois países, o que contou com o apoio do presidente Barak Obama.
2014 não foi um ano generoso para a agricultura, foi áspero e seco. Raras chuvas transformaram São Paulo num estado nordestino. Deveria servir de lição para os gananciosos que desmatam a Amazônia sem dó nem piedade, sem pensar que árvores são finitas se não forem replantadas. E que as florestas renovam o oxigênio. Não se ouviu mais falar do replantio da mata ciliar, importantíssimo para preservar as nascentes e margens dos rios, evitando o assoreamento. O clima depende da matas. O ser humano costuma destruir tudo o que ama ou admira. Como criança irresponsável. O resultado é a falta dágua que promete durar muito tempo.
É essa irresponsabilidade a principal causa dos acidentes de trânsito dizimam boa parte dos jovens brasileiros. Viajar por nossas estradas é como participar das guerras que ensanguentam o Oriente médio. Nos céus, também a imperícia e a irresponsabilidade causaram tragédias como a que vitimou o governador Eduardo Campos, tumultuando a eleição presidencial de outubro que, no fim das contas, também vitimou a candidata Marina, que chegou a ser apontada como a vencedora do pleito e cuja candidatura foi desconstruída implacavelmente pelos marqueteros do PT, numa das campanhas eleitorais mais marcadas pela agressividade.
Nem bem recuperados da vergonhosa derrota do Brasil na Copa do mundo promovida em casa, os brasileiros tiveram de contabiizar outras perdas, além da goleada alemã. Pior que tudo foi a perda de credibilidade da Petrobras, atingida em cheio pela ação saneadora da Policia Federal, do juiz Sérgio Moro e dos juízes do STF. Juízes sérios como Joaquim Barbosa, mostraram que em Pindorama ricos e famosos também podem amargar cadeia, embora por pouco tempo, como os bandidos do mensalão. Já é um bom começo. Os fortes jatos da operação policial lavaram a corrupção oficial e atingiram, pela primeira vez, salve!, os corruptores. Quem sabe assim os espertinhos tomam jeito e deixam o Brasil crescer e se tornar a potência mundial que tende a ser.
Outras perdas atingiram o país, como as mortes dos escritores João Ubaldo Ribeiro, ivan Junqueira, Ariano Sussuna e Manoel de Barros e outros artistas. No plano mundial a morte levou o incomparável Gabriel Garcia Márquez. Mas o mundo marcou um tento ao lutar pelos direitos das minorias e fazer um foguete pousar na superfície de um cometa, quem imaginaria que isso poderia acontecer?
O impossível pode acontecer e dá até pra pensar que as etnias que se sentem deslocadas em alguns países, como os catalães e os escoceses, vão conseguir se emancipar sem os percalços da Crimeia. Quem sabe o distrito de Tamoios consegue se emancipar de Cabo Frio, como o Norte-fluminense no início de nossa história?
Talvez por viver tantas emoções o ano passou rápido, e não doeu muito. Vai deixar de lembrança nossa cara vermelha de vergonha pela goleada de 7 a 1 e pela corrupção disseminada e a roubalheira nos órgãos públicos do país e mais a mordida do jogador antropófago Suárez, a entrada violenta de Zuñiga em Neymar e a abertura desastrosa da Copa, que poderia ter sido entregue a um carnavalesco. E temos ainda a tatuagem virando modismo, como se fossemos antigos marinheiros ou presidiários, a possibilidade de liberação de uso da maconha, que fez diminuir em 52,9% os crimes de morte no Uruguai, a promessa de Sarney e sua família de largar de mão a política, ufa!, o Maranhão pode melhorar, e os abutres que, fartos de ameaçar a Argentina, voltam suas garras para a Petrobras. Que Deus nos proteja!
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