CRÔNICA DE NATAL

9 \09\UTC dezembro \09\UTC 2014 at 16:40 Deixe um comentário

Estamos a menos de 15 dias dos festejos natalinos e como não escrevo há algum tempo, envolvido com viagens e com a preparação de um novo livro, desta vez de crônicas, resolvi escrever sobre o natal para iluminar este domingo que começou com uma ansiada pancada de chuva. Pode ser que assim os campos se enxarquem e as piaçocas voltem aos banhados, hoje quase secos. Com suas penas douradas clareando o castanho de sua vestimenta, a piaçoca, que no nordeste é chamada de jaçanã, nos diz que os bons tempos podem estar voltando.
É época de natal e me surpreende ouvir das pessoas que vivem em nossa cidade de poucos empregos e poucas rendas reclamações sobre a falta de enfeites natalinos na praça. Quer dizer me surpreende um pouco, pois desde o tempos da Roma dos Césares o que o povo quer é pão e circo.
Um pouco de enfeite não faz mal a ninguém, é como as mulheres feias arrumam companhia. E os políticos arrumam votos. Enfeitar a cidade para o natal, carnaval, festas juninas e outras efemérides é também uma forma de manter o povo calado, embasbacado diante das luzes e cores, esquecido dos problemas que assolam o seu dia a dia. Enfeites atraem foguetes e no dia de Nossa Senhora da Conceição, recentemente comemorado, foi tanto foguete a estrondar os ares que assustadas andorinhas e bentevis voaram para a ilha que fica em frente à praça do padroeiro.
Era nessa ilha que se soltavam fogos nos meus tempos de criança. A indústria de bebidas, como os postos de gasolina de hoje, se apavorava com a possibilidade que qualquer faísca solta inadvertidamente pudesse atingir o enorme tanque de álcool plantado ao lado de sua sede, do lado de cá do rio. Diziam que boa parte da cidade iria pelos ares caso explodisse. Não sei se o perigo ainda existe, se o tanque ainda guarda álcool ou se está ali por preguiça de se mandar retirá-lo.
Na época da festa de São João, nosso padrioeiro – porque pregava no deserto – na margem da ilha, além de foguetes queimavam os grandes bonecos de Pai João e Mãe Maria, cobertos de rodinhas de fogo girando e soltando faíscas e se refletindo nas águas revoltas do velho Paraíba. Todo mundo parava pra ver, era um espetáculo, a alegria das crianças. Depois o povo era chamado para participar do leilão de prendas, – tinha até garrotes,- oferecidas por fiéis para pagar aa despesas da festa, pois o dinheiro da prefeitura, na época bem curto, tinha outras finalidades.
Hoje aprecia-se uma famosa árvore de natal boiando alegremente nas águas da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, atraindo milhares de espectadores da cidade e turistas deslumbrados por vários dias. A árvore é o presente de natal de um banco comercial à cidade do Rio. Não se gasta dinheiro público para montá-la e o banco ganha retorno de publicidade. Melhor que anúncio na televisão, que passa rápido e nem todo mundo vê. No meu tempo de criança não havia banco por aqui, hoje temos três. Por que não se juntam e nos presenteiam com uma linda árvore de natal ou na margem da ilha ou flutuando nas águas hoje mansas do Paraíba do Sul? Os administradores da cidade bem que podiam tentar conseguir isso, né não? SJB, 09.12.14

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