MEMÓRIA

9 \09\UTC março \09\UTC 2014 at 11:54 Deixe um comentário

Leio sempre as crônicas de Artur Xexéo no jornal O Globo e na revista de Domingo e fico impressionado com sua capacidade de se recordar de fatos de sua juventude em Copacabana, onde ainda vive. Será por isso, por viver sempre no mesmo bairro? Talvez por ter vivido em pelo menos seis cidades diferentes – São João da Barra, Campos dos Goytacazes, São João de Meriti (na Vila Rosali, na atual Nilópolis), Niterói, Rio de Janeiro, Atafona e novamente São João da Barra, minhas memórias se espalharam e se tornaram difíceis de serem recuperadas.  Pelo menos em parte.
Muita gente acha que memória é um supérfluo, algo dispensável e chato, para alguns é a bengala em  que o idoso se apoia para combater as frustrações do presente, para outros é uma forma de se vangloriar de façanhas que hipoteticamente cometeram em tempos cujas testemunhas se foram para sempre, e para outros ainda é material literário, como para meu amigo Célio Aquino, autor de livros imperdÍveis sobre o passado recente de nossa cidade. Dizem que quem não se importa com a memória tende a repetir os erros do passado.
São João da Barra, eu já escrevi isso, parece ter vergonha do seu passado pelo simples fato de ter sido glorioso enquanto o presente é medíocre. Se esquece, talvez deliberadamente, de ter possuído um dos mais movimentados portos da província, hoje reduzido a um trapiche em ruínas e às rampas do cais construído pelo barão de Barcelos. Nenhuma de suas escolas de samba produziu ainda um enredo para o desfile de carnaval baseado em alguns fatos de sua rica e interessante história, que não faz parte do currículo escolar. Temos um novo porto no Açu e provavelmente iremos cometer os mesmos erros que afundaram o porto passado. Lições de história não aprendidas.
Alguns eventos têm pipocado na cidade relacionados com sua história e não recebem a devida divulgação, nem parecem sensibilizar a população, mais preocupada com os shows musicais popularescos. Um desses eventos é a exposição de fotos no Centro Cultural Narcisa Amália. São fotos de Atafona e fotos antigas da cidade que deveriam ter estado guardadas em algum baú de reminiscências familiares. Faltaram textos explicativos sobre a origem das fotos e em alguns casos, de seus autores.
Outro evento importante é a exposição, inaugurada na noite de 18 de fevereiro, marcando os os 155 anos da imprensa sanjoanense. Tem como curador o professor Fernando Antonio Lobato que, na realidade, quis homenagear sua avó, a jornalista Adméa Lobato, que em fevereiro teria completado 101 anos de idade. Montada com muito carinho e cuidado, com exemplares de jornais raros do século XVIII protegidos por placas de vidro e tomos encadernados do jornal Folha Nova por ela editado durante 13 anos. Junto a esses volumes foram colocadas luvas para seus manuseio, uma providência indispensável, usual nas grandes cidades, para proteger suas páginas amareladas, fragilizadas pelo tempo.
Um belo e bem elaborado folder, com fotos de alguns desses jornais antigos, estão à disposição dos visitantes. O folder-catálogo traz ainda a relação dos jornais que já circularam na cidade. É uma visita imperdível para quem gosta de história e ama  sua cidade. Deveria ser uma visita obrigatória dos alunos das escolas da cidade e mesmo do município. Recomendamos.

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EXPLOSÃO DE VIOLÊNCIA SINCERIDAD

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