JOGOS DE AZAR

15 \15\UTC janeiro \15\UTC 2014 at 14:34 Deixe um comentário

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

MicrosoftInternetExplorer4

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-qformat:yes;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:10.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:115%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,”sans-serif”;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}

Em apenas três anos o vício em apostas fez com que um cidadão britânico perdesse cerca de 750 mil libras (R$ 2,9 milhões), sua casa,o emprego, e a confiança da família. É o que conta reportagem na UOL.

Detesto jogos de azar. Eles foram responsáveis por vários problemas financeiros na minha família. Meu avô materno jogava muito e esse foi um dos motivos de sua derrota, segundo me contaram. Quando o conheci ele jogava apenas trunfo e bisca, mas já havia até viajado de vapor para apostar nas corridas de cavalo em Campos dos Goytacazes. Meu avô João Miguel, conhecido como João Beleza, era capataz da Fazenda Degredo e casou-se com sua proprietária quando ela enviuvou. Herdou metade dos bens e tornou-se um homem abastado. Perdeu quase tudo, em parte por causa do jogo.

Meu pai, seu genro, por sua vez jogava bastante. Em qualquer tipo de jogo, até em porrinha. Quando morávamos em Campos, jogava nos intervalos de seu trabalho na farmácia, aos sábados à tarde e a qualquer hora, quando a compulsão o atingisse. Perdeu muito dinheiro e conjugado com os fiados da venda de remédios, perdeu até sua farmácia. Na sequência se viu obrigado a vender a casa da avenida Maria Silva, na rua Formosa e a se mudar para outra na então periferia da cidade, na rua Dona Branca, no bairro do Turf-Club. Sem emprego e com três filhos para sustentar passou a ser um tipo de caixeiro viajante. Aliou-se ao primo Acácio, que vendia produtos da Fábrica de Conhaque de Alcatrão de São João da Barra, adquiriu bugigangas de plástico (galalite), goiabada em lata e outras coisas e saía vendendo pelo Espírito Santo e parte de Minas até a fronteira com a Bahia. Na volta trazia peles curtidas de jaguatiricas e onças para vender.

O jogador tem sempre a esperança, quase certeza, que a sorte no jogo vai mudar, recuperará o que perdeu e ainda ganhará o bastante para compensar o sofrimento. Do jogo surgiu a oportunidade de papai se reerguer. O Cassino de Atafona, há muito fechado, reabriu e ele foi ser seu gerente.  Nessa época, década de 50, com cerca de 13/14 anos, alto para a idade, fui trabalhar no Cassino vendendo fichas para o bingo. Fomos morar em uma casinha alugada, a Vila Maria da Glória, bem próxima do Cassino. O Cassino era muito movimentado, recebia gente de todo lugar. A praia de Atafona não tinha farmácia e durante o dia papai usava a janela da sala, que dava para a avenida dos Campistas, como balcão para vender remédios de emergência em sua maioria. Aos poucos foi ampliando a atividade e em pouco tempo tinha clientela numerosa. Quando o Cassino foi fechado pelo juiz Enéas Marzano ele pode se manter com a atividade.

Houve a invasão de um grande terreno pantanoso junto a uma rua que o pessoal apelidou de Paralelo 38. Meu pai pegou um excelente terreno de esquina, onde a muito custo mandou construir casa e garagem. Ali montou uma farmácia. Era no início dos anos 50. Eu estudava em Campos – Ginásio São Salvador e Liceu de Humanidades – e ia para Atafona em salteados finais de semana e nas férias escolares. Na garagem dessa casa do Paralelo 38 – ali começava o bairro da Coreia – papai explorava o jogo de pôquer e de pif-paf. Cedia o espaço, os móveis e o baralho e tirava o “barato”, espécie de remuneração. Eu ficava encarregado de levar a garrafa térmica de café, comprar bebidas e cigarros para os jogadores, que em troca me davam uma ficha para ser trocada por dinheiro no final do jogo. Durante o dia, enquanto a moçada ia à praia eu ficava no balcão e aproveitava pra notar fezinhas no jogo de bicho. A comissão que ganhava era gasta na compra de gibis.

No final dos anos 50, o industrial Hugo Aquino, presidente do condomínio de herdeiros da Indústria de Bebidas Joaquim Thomaz de Aquino filho S/A, decidiu montar consultório médico e dentário e farmácia para atender seus empregados e convidou papai para gerir a farmácia. A parte de baixo de um sobrado da esquina da rua dos Passos com a então chamada 11 de julho foi ocupado pelas unidades; na parte superior montou a residência onde instalou papai e sua família. Foi uma época boa, mais tranquila, os fiados eram poucos, pois os remédios comprados pelos empregados da fábrica eram descontados na folha de pagamento toda semana. E a casa, se não era bem dividida, era ampla e clara.

A paixão pelo jogo continuou. Papai saía praticamente todas as noites para jogar pif-paf. Aos empregados da farmácia era ensinado o básico para atender aos fregueses. Depois que ficavam experientes papai costumava sair a qualquer hora do dia para jogar. O empregado sabia onde se reunia a turma do jogo e em caso mais complicado ia chamá-lo.

O jogo campeia pelo Brasil desde os tempos coloniais. Desde o 21 até o sofisticado bacará. Em 30 de abril de 1946 o presidente Dutra, influenciado pela esposa, a católica Santinha (Carmela Dutra), proibiu o jogo em todo o território nacional através do Decreto Lei nº 9.215, o que não impediu que se continuasse jogando desbragadamente. O jogo do bicho é apenas o exemplo mais flagrante. Até o próprio governo promove a jogatina através das loterias, senas, quinas etc e tal. Já o particular não pode, mas muitas fortunas tem se dissolvido ou encorpado no pano verde.

Continuar a proibição do jogo é uma tolice. E uma oportunidade para o surgimento de transgressores, que na impossibilidade de contratar empregados por via legal, contratam pessoas com condutas nem sempre recomendáveis. Por outro lado deixa-se de arrecadar vultosos impostos que poderiam ser aplicados nas múltiplas carências do país. Não jogo, não gosto de jogo, mas acho que proibi-lo é criar condições para o surgimento de problemas mais sérios. Joga quem quer e todos esses anos de proibição mostrou que para os aficionados não há impedimentos.

Anúncios

Entry filed under: Crônicas.

RETROSPECTIVA 2013 NOITES DE LOBISOMEM E MAIS 15 HISTÓRIAS DO LIVRO EDITADO EM 2012

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Últimos Posts


%d blogueiros gostam disto: