RETROSPECTIVA 2013

4 \04\UTC janeiro \04\UTC 2014 at 07:41 Deixe um comentário

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A compra dos caças suecos pelo Brasil, notícia que praticamente encerra este agitado ano de 2013, foi decidida pela revelação de Snowden da espionagem norte-americana na correspondência eletrônica do governo brasileiro e pela falta de desculpas formais pelo governo Obama. Por isso foi cancelada a visita de Dilma Roussef ao presidente dos Estados Unidos, prática subserviente dos governantes sul americanos. Ela agiu corretamente, país nenhum deve meter o nariz nas mensagens dos outros, a não ser que haja motivo forte. Em relação ao Brasil a desculpa de prevenção do terrorismo não cola.

O ano parecia se ater às trapalhadas de um ano pré-eleitoral, onde o PT tenta continuar governando, mas foi pior que isso. Quando o partido foi criado, apoiado por operários paulistas, funcionários públicos e intelectuais, com proposta de reforma geral das práticas políticas, aderi de imediato. Nunca me filiei, mas sempre votei em seus candidatos até o primeiro governo Lula, uma frustração, que começou com a descoberta da corrupção montada pelos “aloprados” do partido, como Lula justificou. Se o país era berço de corruptos desde os tempos coloniais, esse governo institucionalizou todo o tipo de corrupção. Jorram escândalos em toda parte, pelo menos um por dia. Todo mundo frauda, de governantes a empresários. E isso é insuportável.

O julgamento dos envolvidos com a prática do mensalão, os mensaleiros, exibiu ao país e ao mundo um quadro horroroso das práticas de nossas elites. Por outro lado, pela primeira vez vimos políticos sendo presos, não por suas convicções e ideologias, mas por desvio de verbas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas. Isso foi positivo. No final nenhuma categoria se saiu bem. A honestidade virou babaquice, os poderes que administram o país, na minha opinião, perderam prestígio e respeito de boa parte da população. Nas pesquisas os políticos vêm em último lugar na opinião do povo. Pena que isso não se concretize nas urnas eleitorais. Dizia Ruy Barbosa que justiça demorada é injustiça, e o Judiciário é mestre em protelar julgamentos. Por sua vez, o Legislativo só pensa em seus interesses e o Executivo é refém de seu partido político. O país anda insatisfeito, irritado, como demonstraram as manifestações de meados do ano nas maiores cidades, com risco de se repetirem no ano que vem, durante a Copa.

A Copa do mundo de futebol num primeiro momento empolgou o país, vimos políticos e cartolas nacionais e estrangeiros vibrando com a escolha. Pareciam crianças que ganharam pirulitos. Mas na hora de gastar para as cidades escolhidas atingirem o tal padrão Fifa, viu-se que os gastos com as arenas e outras providências exigidas são desproporcionais aos ganhos esperados com o evento. Até o Banco Central prevê aumento da inflação em pelo menos dois pontos percentuais com a realização da Copa e dos Jogos Olímpicos. Terminadas as competições, o país terá de pensar no que fará com os elefantes brancos espalhados pelo nosso vasto território, em como serão usadas as arenas, obras cheias de problemas, que não se sabe se serão terminadas a tempo. Os estádios passaram a ser chamados de arenas, acredito, por causa das guerras das torcidas. Os ingressos estarão fora do alcance da população mais pobre, que tinha no futebol um divertimento bom e barato, apesar dos altíssimos salários pagos às estrelas dos gramados e dos ganhos dos cartolas. E as arquibancadas vão continuar a exibir o vergonhoso espetáculo de violência que vimos recentemente.

Enquanto isso a saúde, a educação e a infraestrutura dos municípios envergonham a gente. É triste ver nos noticiários televisivos doentes largados nos corredores sujos dos hospitais e a volta de doenças causadas por desnutrição e pelas más condições de higiene, que  assombram o país como em décadas passadas. Triste é ver como o povo fica feliz ao receber as migalhas da bolsa isso e bolsa aquilo, criadas para mantê-los quietos, submissos. As superlotadas cadeias públicas fazem corar até um frade de pedra, como se dizia antigamente. São universidades do crime e quem foi preso para ser reeducado socialmente sai de lá com diploma de MBA em todo tipo de crime, com acréscimo de prática de uma violência que até algum tempo atrás nos era desconhecida.

Culpa de quem? A economia mundial escorregou em más administrações. E se a economia vai mal, o país perde as chances de melhorar. O ex-ministro Delfim Neto, em artigo na revista Carta Capital, analisa que “para a economia mundial 2013 foi um ano muito difícil” e que o Brasil, depois de pular fora da crise nos primeiros dois anos críticos não reencontrou um ritmo satisfatório de crescimento, ao contrário dos Estados Unidos. A Ibovespa teve o pior desempenho entre os mercados globais, o que foi justificado pela elevação da taxa básica de juros (Selic) e pelo fraco desempenho de nossa economia.

Em São João da Barra, apesar das ilusórias esperanças anunciadas pelos marqueteiros, que viam aqui uma nova Xangai, para fazer Eike Batista vender mais ações das companhias marcadas pelo X de uma pretensa multiplicação, o que se viu foi o absurdo aumento dos preços de venda de imóveis e dos alugueis, o que provocou uma corrida na construção de lojinhas. As que foram ocupadas fecharam em pouco tempo. Era uma bolha especulativa nativa, mas os preços não caíram e espera-se agora o milagre de recuperação do complexo portuário. Eike, que prometia devolver a cidade aos áureos tempos do porto flúvio-marítimo, perdeu dinheiro e prestígio, deixou de ser bi para ser somente milionário, que pena. Nos rankings das publicações econômicas seu nome deixou de ser sinônimo de empreendedor de visão e sucesso e passou a ser considerado exemplo de fracasso empresarial. Suas empresas estão sendo alienadas para pagar o grande passivo causado pelo excesso de otimismo e ganância. Junto com ele ruíram suas obras mais significativas como a reforma do Hotel Glória, a construção de hotel no prédio entre as praias do Flamengo e Botafogo, a revitalização da Marina da Glória, a exploração da venda de ingressos para jogos da Copa do mundo e outros projetos megalomaníacos.

Enquanto Eike soçobrava pelo excesso de autoconfiança, vaidade e ganância, o papa Francisco, com sua simpatia, humildade, carisma e simplicidade, e com uma nova visão sobre a missão da igreja, além de conquistar corações e mentes ao redor do mundo, foi escolhido a personalidade do ano por várias publicações internacionais, como a prestigiosa revista Time. Já os editores e diretores de 11 jornais influentes que integram o Grupo Diários da América (GDA) elegeram Francisco a “Personalidade mundial do ano”. O reconhecimento é geral e espontâneo. Francisco era tudo que a igreja precisava para voltar a ter credibilidade junto a seus fieis. Como o Francisco de Assis, de quem tomou o nome, ele veio para restaurar a igreja católica.

Em segundo lugar na preferência mundial vem o presidente do Uruguai, José Mujica. Ex-guerrilheiro, velho e feio, de uma simplicidade franciscana, honesto de deixar certos políticos brasileiros enfurecidos, Mujica ousa ao aprovar o casamento gay, legalizar o aborto e por último legalizar a venda e uso da maconha para fins medicinais.Nisso foi menos ousado que o estado norte-americano do Colorado, que liberou a erva também para fins recreativos. Mujica é considerado pelos jornais como o Mandela sul-americano. Além de fazer um governo honesto, prima pelo combate à hipocrisia social, que costuma servir a outros interesses, nem sempre lícitos. Nos Estados Unidos, no início do século XX, a venda e consumo de bebidas alcoólicas foram proibidos em todo o país, o que resultou numa explosão de criminalidade, de formação de quadrilhas de traficantes de bebidas, e só terminou com o fim da chamada Lei Seca.  A maioria dos países envolvidos no combate ao tráfico percebeu que perdeu a guerra. As campanhas de combate às drogas, financiadas pelos Estados Unidos, porém, enriqueceram muita gente.

A Lei Seca nos centros urbanos e nas rodovias foi importante para fazer cair o índice de acidentes com vítimas. Nos feriadões, o morticínio diário de nossas rodovias decuplicavam. Gente nova, saudável, produtiva, era eliminada não só por problemas das rodovias e dos veículos, mas principalmente pela irresponsabilidade dos motoristas, useiros em ultrapassagens suicidas, em trafegar pelo acostamento para fugir dos engarrafamentos e pelo excesso de velocidade. Motoristas mal preparados ou sem habilitação rodam em nossas rodovias, sem se preocupar em destruir vidas e bens. Assim também os motociclistas, que morrem como moscas. Neste feriadão de natal/ano novo houve uma discreta queda no massacre rodoviário. O número de acidentes diminuiu em cerca de 10% em relação ao ano passado. Neste ano foram computados 6.651 acidentes das estradas, com 379 mortos e 4.352 feridos. 

São João da Barra brilhou na pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios, realizada pelo IBGE. No quesito Municípios com maior PIB per capita ficou em 8º lugar, com renda pessoal de R$ 179,9 mil. Somos ricos, o que confirma o que disse um professor de economia que a sigla PIB significa na verdade Produto Ilusório Bruto. O repasse dos royalties no ano que passou para nosso município foi de R$ 1.355.037.534,02, uma média de dez milhões de reais entrou por mês nos cofres públicos. E da arrecadação de impostos, aumentada por causa das empresas que trabalham no porto do Açu se sabe pouco, só se sabe que é muito para um município do tamanho do nosso. E o que foi feito desse dinheirão? Cadê a propalada transparência dos gastos públicos?

Nesse ano morreram artistas importantes de todas as artes e atletas campeões. O ginasta Arthur Zanetti conseguiu na prova de argolas no Japão sua oitava medalha de ouro, mas quem levou o prêmio de melhor atleta olímpico do Brasil foram Jorge Zarif na vela e Poliana Okamoto na maratona aquática. Na maratona de São Silvestre os quenianos foram os vencedores, como nos últimos anos.

Em junho os blackblocs, um grupo que se diz anarquista, protesta mascarado e destroi tudo o que encontra pela frente para chamar a atenção, chegou a assustar as autoridades, mas passado o susto tudo continuou na mesma. Os políticos prometeram e nada cumpriram. Por isso todos foram mal avaliados nas pesquisas, mas o governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, ficou entre os três piores. Cadê a reforma política? As chuvas chegaram violentas como sempre para um país tão despreparado como o nosso. Dessa vez escolheram os estados do Espírito Santo e de Minas Gerais.Tragédias.

As eleições vem aí. Concorrendo com Dilma Roussef, dona da caneta e considerada a melhor colocada, vêm uns oito candidatos. Marina Silva, que poderia levar o pleito ao segundo turno, foi boicotada e não conseguiu criar seu partido, a Rede. Mas partidecos de ocasião, siglas de aluguel, foram criados sem problemas. O Brasil continua o mesmo. Marina pulou  para o PSB, que tenta emplacar seu candidato, o pernambucano Eduardo Campos na presidência. O problema de Eduardo, na minha opinião, foi ter nomeado a própria mãe para o Tribunal de Contas de seu estado. Alguns videntes de fim de ano consultados pelos jornais dizem que a vitória pode ser do mineiro Aécio Neves. Vamos ver. Que vença o melhor para o povo, o que restaure a moralidade no trato da coisa pública e não acabe com a democracia pelo descrédito dos eleitores.

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Entry filed under: Crônicas.

VESPERA DE NATAL – conto publicado no livro O PAI DA MENINA NUA, ed. Cátedra, Rio, 1974 JOGOS DE AZAR

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