HOMENAGEM

11 \11\UTC junho \11\UTC 2013 at 08:18 Deixe um comentário

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Nesta quinta-feira 6, a municipalidade finalmente resolveu festejar o dia da fundação do município com uma boa programação, sem muitos foguetes e outros barulhos. Só parece ter esquecido de reverenciar a memória do poeta, historiador e escritor João Oscar, que faleceu em 6 de junho de 2006. João Oscar foi meu amigo, tínhamos muita coisa em comum além da cidade de nascimento. O amor pela arte, em especial pela literatura era forte ponto a nos unir.

João Oscar faz falta à cidade, à cultura, à história local. Às vezes penso que só eu e uns poucos amigos sentimos isso. Poucas pessoas falam em seu nome, poucos cultuam sua obra. Foi o que constatou o professor-doutor Alcimar das Chagas Ribeiro, numa enquete entre escolares da cidade. A areia do esquecimento, lenta e inflexivelmente vai cobrindo seu nome, como fez com outros luminares sanjoanense, como o jornalista Zenriques e seu filho o poeta e teatrólogo Coriolano, o historiador Fernando José Martins, o primeiro historiador do município, e seu filho, o engenheiro João Martins Coutinho, autor de vários livros e um dos fundadores e primeiro presidente do Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, o professor Castro Faria, da UFF, considerado o pai da antropologia brasileira, o professor Caetano de Campos, que o estado e a cidade de São Paulo homenagearam dando seu nome a praça, rua, escola, o mesmo acontecendo com Pessanha Póvoa, homenageado no estado do Espírito Santo e esquecido em sua cidade natal.

Aqui pouquíssimos mereceram uma homenagem duradoura, como placas, estátuas e outras. Só os Aquino, com bustos erguidos na praça do padroeiro pela empresa que fundou e que foi muito importante no tempo da decadência do porto, o primeiro, o flúvio-marítimo, também soterrado pelas areias do esquecimento. Além do cais de pedra que o Barão de Barcelos mandou construir quando administrador (prefeito) da cidade, nada lembra o nosso movimentado porto, que atraiu até a atenção de um chefe de estado, o imperador Pedro II, tão importante era. Há anos tento sensibilizar as autoridades para construir um Memorial da Navegação nas ruínas do cais do Alecrim e um obelisco no cais do imperador.  Em vão. Ainda hoje de manhã caminhando pela rua do Rosário observei o local onde existiu a praça do pelourinho, ora ocupada pela sede da Ampla e por um terreno posto à venda. Por que a prefeitura não o adquire e devolve a praça à população?

Voltando ao João Oscar, na época de seu falecimento eu editava o jornal S. JOÃO DA BARRA, onde publiquei uma charge, por mim, desenhada, em que ele era recebido no céu pela poeta e jornalista Narcisa Amália, que seu livro tirou do esquecimento. E também escrevi um poema em sua homenagem, que ora transcrevo:

TUDO COMO DANTES

Sob a redoma azul cristalina

perfurada pelo belo sol do outono, a cidade palpita.

O rio marola silente

sobre peixes esfomeados,

Buganvílias despejam cores

em cachos generosos

onde álacres borboletas se nutrem:

relâmpagos amarelos, azuis

pretos com manchas rubras nas asas.

Buzinadas, freadas, sustos,

crianças gritam na rua empoeirada,

galos cantam, cães latem em quintais remotos,

mulheres discutem por ninharias

alguém assovia sucesso de ontem.

A cidade resfolega, vibra.

Som explode quando o carro passa

anunciando as atrações da noite.

Um bebê chora ao longe.

Bem-te-vis insistem em gritar denúncias

mãos se separam, olhares dissimulam

e solitárias rolinhas arrulham, erotizadas

que mais podem fazer as rolas

senão arrulhar, ciscar, brigar pelas fêmeas?

A cidade é um ser vivo, indiferente,

caprichoso, rotineiro, surpreendente

e sempre insensível. Como as flores.

Acontece o que sempre acontece

a intervalos regulares e previsíveis.

Sons, cores e cheiros, os mesmos.

Tudo como dantes.

Entretanto,

na semana passada,

um poeta morreu.

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