HABEMUS PAPAM

27 \27\UTC março \27\UTC 2013 at 16:10 Deixe um comentário

Descer do papamóvel e acariciar um homem quase vegetal que lhe sorria dos braços de um parente mostrou a imagem que o papa Francisco, escolhido no conclave após a renúncia de Bento XVI, quer passar da igreja que vai dirigir. Não mais aquela postura imperial onde até o lava-pés da Semana Santa soava falso, como o gesto de pegar uma sujeira com as pontas de dedos enluvados só para demonstrar uma fictícia humildade e sim reviver a postura franciscana de conviver com os leprosos.

O papável da vez era d. Odilo Sherer, arcebispo de São Paulo. Mais um nórdico no Vaticano, depois de João Paulo II e Bento XVI. A escolha de um sul americano, ainda mais argentino, surpreendeu, embora no conclave que escolheu Bento XVI, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio tivesse ficado em segundo lugar. Imaginava-se que os italianos não deixariam escapar a oportunidade de retomar o controle da cidade –estado do Vaticano e da religião católica. Mas na véspera do conclave d, Sherer pôs sua eleição a perder ao proferir um discurso – ou sermão – onde defendia a cúria e o banco da igreja, ambos, juntamente com os casos de pedofilia, combatidos pela mídia internacional.

O papa Francisco, já na escolha do nome, mostrava sua disposição de fazer a igreja voltar aos tempos em que representava os ideais cristãos. Francisco de Assis, na Idade Média, surgira num momento crucial para a religião, como o de hoje, e as vozes que ouvia mandavam que ele reerguesse a igreja. A princípio ele pensou que fosse o reerguimento físico e ajudou a reformar templos na Itália. Aos poucos percebeu que sua missão era mais importante, era a reforma do espírito cristão da igreja. Francisco de Assis deu o exemplo ao se dedicar aos pobres e doentes e a viver estoicamente.

Ao se chamar Francisco o Papa optou pela linha de ação que seguia desde que era arcebispo em Buenos Aires e preparava sua própria comida e se deslocava de ônibus pela cidade. E nos seus primeiros movimentos depois de escolhido manteve essa linha ao renunciar a certos detalhes pomposos, como as sapatilhas vermelhas, o suntuoso apartamento papal e outros indicadores do poder imperial. O papa Francisco, diz um marqueteiro, com suas atitudes conseguiu mudar nesse primeiro momento, a imagem da igreja, desviando a atenção do mundo das denúncias de corrupção e pedofilia. E esses atos e posturas não são artificiais, forjados para chamar a atenção, formar uma imagem, ele sempre foi assim, dizem os argentinos.

O importante é que, optando pela simplicidade ele retoma os preceitos de Cristo e de São Francisco e devolve credibilidade à igreja, abalada por escândalos financeiros e sexuais. Era preciso que após tantos desmandos e ostentação surgisse um homem que, se não é puro, é simples e fala a linguagem do povo. Como era de se esperar, alguns detratores se dedicam a desmontar a imagem do novo pontífice. Ora alega-se que ele é um expert em marketing pessoal, o que é desmentido por se tratar de atitudes que ele tomava desde que era um simples padre, ou que foi omisso durante os anos de chumbo da ditadura argentina, o que tem sido contestado pelas supostas vítimas de sua omissão.

Vamos torcer para que ele saiba e possa enfrentar os dilemas que a igreja precisa encarar com seriedade e compaixão, como o aborto, o celibato eclesiástico, o casamento gay e as mutretas escondidas pelo IOR – Instituto das Obras Religiosas – o banco do Vaticano, como lavagem de dinheiro de bandidos e  evasão de divisas e outros.

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A SIRIRI AS DONAS NA HISTÓRIA

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