INCOERÊNCIAS

27 \27\UTC fevereiro \27\UTC 2013 at 15:22 Deixe um comentário

Na recente eleição para premier (primeiro ministro) da Itália, o notório Silvio Berlusconi, que no ano passado deixou este mesmo cargo sob a acusação de corrupção, promoção de orgias sexuais, como as famosas festas bunga-bunga, e uma administração desastrosa que quase levou o país à moratória, e que todos pensavam que estava politicamente morto, ressurgiu com grande votação, quase empatando percentualmente com o mais votado. Como isso pode acontecer? Como o povo pode dar seu voto a quem o roubou ou o envergonhou? É uma incoerência.

No Brasil as coisas não são diferentes. Os corruptos de carteirinha são reeleitos constantemente. O povo dá a impressão de gostar desse tipo de administrador público, e temos como exemplo o ex-governador e atual deputado federal até 2014, o paulista Paulo Maluf, que confirmou uma prática que fez famoso ex-governador paulista Ademar de Barros, eleito com o eslogam “Rouba mas faz”. Maluf foi eleito todas as vezes que se candidatou. É outra incoerência. Será que seus eleitores não sabiam de seus malfeitos? Não ouvem rádio, não assistem televisão ou leem jornais? Então. como podem votar num homem que não pode sair do Brasil pois será preso pela Interpol, acusado de movimentar ilicitamente milhões de dólares do sistema financeiro internacional? Se não tem ficha limpa…

Como entender os votos repetidos em Sarney, Barbalho, Renan Calheiros e outros, todos maculados com a pecha de corruptos? Na nossa região também temos esse tipo de políticos. Parece que o povo aplaude a esperteza daninha, mesmo que doa em seus bolsos, mesmo que uma obra pública, por causa da corrupção, passe a custar muitas vezes mais o seu custo real e impeça o país de aplicar as verbas de forma mais produtiva e correta para se desenvolver normalmente.

A importante escritora italiana Elsa Morante em um texto sobre o ditador Benito Mussolini, reproduzido pela revista CartaCapital de fevereiro, pergunta por que o povo italiano tolerou os crimes a ele atribuídos. E responde :”Alguns por insensibilidade moral, outros por astúcia, outros ainda por interesse pessoal…”

Acredito que isso responde em parte à nossa tolerância com os corruptos, os imorais, os incompetentes e outros aleijões morais. Admiramos os corruptos ou esperamos tirar uma casquinha, ter algum proveito em suas predatórias gestões. Somos a rêmora dos tubarões da política?

Uma vez desmascarados esses transgressores e apeados do poder, por que o povo torna a votar neles, a permitir que cometam outros crimes iguais ou piores? Além de prejudicar o país, essa prática estimula o surgimento de novos corruptos, tranquilos com a impunidade reinante. Se fosse nos tempos da monarquia, quando a dinastia se perpetuava no poder alegando direito divino, o povo incauto ainda podia ser enganado. Também nos tempos da velha república, quando os coronéis elegiam quem queriam com os votos de cabresto, podia se entender essa opção do povo pelos piores e mais prejudiciais à democracia. Eram obrigados a votar neles.

Hoje, monarquias como a espanhola são levadas ao julgamento do povo, graças à ação profilática da imprensa mundial. Os coronéis sobrevivem em uns poucos rincões do Brasil profundo, onde até a escravidão sobrevive. O voto é secreto, ninguém fica sabendo em quem se votou a não ser que se abra o voto espontaneamente. Portanto não há justificativa para se votar em certos políticos e seus habituais atos lesivos à e à economia do país e à moral da população. A votação nessas figuras abomináveis funciona como aprovação pública a seus desmandos e a sua cupidez e imoralidade.

Aliadas à morosidade da justiça, a aprovação aos atos dos políticos corruptos estimula o surgimento não só de novos políticos corruptos, como do ladrão comum que assalta e mata na rua ou nas residências, explode caixas eletrônicos bancários, sequestra pessoas, rouba carros e promove arrastões de assaltos. Sabem que não serão apanhados e, se o forem, não serão punidos. A impunidade parece reinar absoluta em nossas plagas. Como podem julgá-los os que cometem atos equivalentes?

Por que, sabendo disso tudo, sabendo o prejuízo que isso causa à nação e à moral das pessoas, continuamos a votar nos corruptos? Por que, como na Grécia antiga, não os condenamos ao ostracismo e os afastamos de vez da vida pública?

Com eles fora da vida pública certamente o número dos crimes públicos e particulares diminuiriam e o país não se vexaria de apresentar o pibinho de uma economia desbaratada pelos safados e inaptos nem de assistir um espetáculo vergonhoso como julgamento do mensalão.

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