DIA DE DOMINGO

21 \21\UTC janeiro \21\UTC 2013 at 08:36 Deixe um comentário

Minhas relações com os domingos nem sempre foram harmoniosas. Quando fui trabalhar para o Rio detestava os domingos. Tinha pouco dinheiro no bolso e durante a semana almoçava num dos restaurantes da Rio Light, empresa onde trabalhava. Aos domingos, ou arrumava um jeito de visitar a casa de um parente na hora do almoço ou comia um sanduíche de mortadela, acompanhado de um copo água. Normalmente ia à praia de Copacabana, se tivesse sobrado dinheiro para a passagem do lotação. Tempos duros, sorte é que não duraram. Tempos em que Adalgiza Colombo, que faleceu recentemente, foi miss Brasil e iluminava nossos sonhos. Concurso de miss era um hit da época e no concurso que elegeu Yeda Maria Vargas consegui convite e vi aquele monumento desfilar no Maracãzinho. Os domingos eram também dias chatos, pois no dia seguinte, bem cedo, ia para o trabalho.

Os domingos do tempo em que estudei em Campos eram variados. Em alguns ia com minhas irmãs, que estudavam em regime de internato no Ginásio São Salvador, para Atafona, onde meu pai montara uma pequena farmácia para recomeçar suas atividades depois do fim da farmácia de Campos. Nos demais, depois do almoço na pensão do primo Alfeu – Hotel Novo Mundo, na rua 21 de abril – onde eu morava, ou levava as irmãs e algumas colegas sanjoanenses na matinê de cinema ou, quando não podiam deixar o internato, me sentava com elas na varanda para conversar ou contar histórias. Sempre gostei de contar histórias.

Antes, nos tempos em que era garoto e morava na rua do Conselho (hoje João Pessoa), onde papai tinha a farmácia, domingo era dia movimentado. Logo pela manhã ia ao mercado municipal com meu pai. Uma festa para todos os meus sentidos, em especial a visão e o olfato. As barracas e tabuleiros coloridos pelas verduras, legumes e frutas, emitindo perfumes que até hoje guardo nas narinas, me deslumbravam. Em meio a isso, gaiolas com aves e animais, brinquedos como bodoques, cataventos, ioiôs, piões saquinhos com balebas, pipas, meu Deus, que mundo de encantamento! À tarde, geralmente meu pai me levava para a casa de um seu amigo, um advogado gordo que morava ali perto. Ele ia jogar baralho, apostar nas corridas de cavalo, no que houvesse para arriscar a sorte, e eu ficava sentado numa poltrona puída lendo as revistas que o advogado comprava para sua filha, que raramente aparecia e quando o fazia era com cara de poucos amigos. Ali conheci não só as tiras de histórias em quadrinhos dos jornais, como revistas maravilhosas como Eu sei tudo, Tintim, Pinduca e livros ricamente coloridos como os tomos do Tesouro da Juventude. Eu amava aquelas tardes. Noutras tarde ia à matinê no Trianom. Esse belo cinema, criminosamente posto abaixo por um banco, exibia seriados imperdíveis, como Os perigos de Nyoka, Tarzã, Fu Manchu e outros. Lá assisti filmes como Cinderela, Branca de Neve e outros de Disney.

No Rio, com meus filhos pequenos, aos domingos eu os carregava para parques e jardins. Às vezes acompanhados de coleguinhas seus, íamos ao Jardim do Palácio do Catete, ao Parque do Flamengo, ao Parque Guinle, ao Parque Lage, Jardim Botânico, a gente não parava em casa nas belas manhãs de domingo.

Hoje, aposentado, meus domingos são dias comuns, que pouco se diferenciam dos demais dias da semana. Mas não me incomoda, leio, escrevo, converso com amigos, faço tudo o que na ativa não podia fazer. Cada coisa tem seu tempo e lugar.

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ERA BEM FACIL II LIBELO

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