ERA BEM FACIL II

14 \14\UTC janeiro \14\UTC 2013 at 20:16 Deixe um comentário

Não há mais diferença nas vestimentas das diversas idades do ser humano. Lembro que quando garoto eu sonhava em crescer para poder usar calça comprida, pois meninos só usavam calças curtas, como as bermudas de agora. Na adolescência, para ir à escola usava farda, igual às do soldado do Exército, e as garotas, além de mangas compridas e saias abaixo dos joelhos, mantinham a gola fechada no pescoço. Anos mais tarde, já adulto e morando no Rio de Janeiro, para ir ao cinema e ao teatro, usava terno e gravata, depois apenas paletó. Aos bailes ia-se de paletó, muito útil para disfarçar o seu visível entusiasmo pela menina, que colava o rostinho ao seu e apoiava sua mãozinha suave em seu pescoço. Ai, como era bom!

Nos meados dos anos sessenta, quando a bermuda já era aceita em alguns lugares do Rio, uns amigos foram passear no Paraná, se hospedaram em Curitiba e ao sair para dar uma volta pela cidade foram alertados pelo gerente do hotel que não podiam circular pelo centro semidespidos daquele jeito.

A gente sabia exatamente o que vestir em determinados lugares e horários e isso tornava a vida mais fácil, embora mais trabalhosa. Para cada idade e lugar havia uma roupa apropriada. Hoje as camisetas polo ou careca servem para qualquer um ir a qualquer lugar. Não lamento, claro, também contribui para a mudança de costumes, além do que o calor aumentou em todas as regiões do país e me dá pena ver, nas ruas do centro financeiro do Rio os executivos metidos em ternos escuros, engravatados e suando de escorrer. Mudou pra maior comodidade.

Mudou geral. Lembro que ao chegar a São João da Barra, numas férias, usando sandálias de dedo, como eram chamadas as havaianas, provoquei olhares críticos, maliciosos, só faltaram me apontar o dedo na rua. E no entanto essas sandálias tornavam bem mais cômoda a travessia pelo extenso areal de nossas praias que só faltavam ferver ao sol do verão. Hoje, na Europa, as sandálias de dedos são chiques.

Quando uma senhora mais vaidosa queria disfarçar seus cabelos brancos usava uma espécie de tintura que lhes dava um tom azulado. Hoje nenhuma mulher, bem como uns poucos homens, exibem cabelos brancos. Alguns são tão pretos que, em contraste com a cara enrugada se vê logo que estão encanecidos. Nunca se viu tantas louras, de diversos matizes, circulando pelas ruas. Mas considero muito bonita a cor branca nos cabelos – nas músicas dizia-se prateada – de todos os sexos. E disse o compositor–filósofo Caetano Veloso que é ridículo homem pintar cabelo, como Sarney e o ministro Lobão. Por isso, exibo com orgulho minhas cãs.

Era comum, antigamente, ver pessoas com uma mancha leitosa quase cobrindo a íris ocular. Era a terrível catarata destruindo o cristalino. Aquela manchinha ia crescendo, crescendo até tomar toda a menina do olho e comprometer a visão. Graças às novas técnicas cirúrgicas, só se vai encontrar esse tipo de desgaste ocular nos rincões do Brasil profundo. Mesmo assim existem equipes trocando de graça, ou pagas pelos governos, os cristalinos avariados em cirurfias praticamente sem riscos.

Foram avanços maravilhosos na área médica. As vacinas acabaram com a poliomielite – a paralisia infantil – que atacava indiscriminadamente, deformava pernas e colunas e inviabilizava o deslocar dos atingidos. As vacinas, que no início do século passado provocaram violenta revolta no Rio de Janeiro quando o governo federal tornou seu uso obrigatório pela população, salvou muitas vidas. Cadê o sarampo, a varíola, a rubéola, e tantas outras doenças hoje praticamente banidas do país? Da varíola restam marcas redondas nos braços dos estudantes, que antes de fazer a matrícula eram obrigados a se vacinar. Só falta descobrir vacinas para o câncer, aids e outras e viabilizar o uso das células-tronco para que a gente possa dizer: não, hoje é bem mais fácil.

 

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SIM, ERA BEM MAIS FÁCIL DIA DE DOMINGO

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