SIM, ERA BEM MAIS FÁCIL

5 \05\UTC janeiro \05\UTC 2013 at 12:07 Deixe um comentário

Ingressar no mercado de trabalho está cada vez mais complicado. Exige-se demais do pobre pretendente. No mínimo experiência anterior. E qualificação.

Antes era bem mais fácil. O 2º grau, ou seja, curso científico ou clássico, era o exigido. Curso superior só para profissionais especializados, como médico, advogado, engenheiro, arquiteto, e assemelhados. Um curso de datilografia era essencial e era comum ver salas cheias de máquinas de escrever com rapazes e moças batucando A S D F G e por aí ia. Catar milho, como faço até hoje, era ridicularizado.

Lembro uma prova que fiz para tentar entrar na Petrobras, chamado por um primo em cima da hora. Diante da máquina de escrever, olhando as teclas enfileiradas, só dava vontade de rir. Escusado dizer que não fui aprovado, levei horas para datilografar um texto curto, enquanto os datilógrafos entregavam suas provas. Era uma prova fácil, o concurso da Petrobras não era ainda concorrido, quem pagava os melhores salários era o Banco do Brasil, que tinha a fama de reunir quase gênios em seus quadros. Seu concurso era disputadíssimo, quase como um vestibular.

O que se pede hoje é intimidade com essa máquina, o computador, que assusta tanta gente, mas que a garotada trata com a maior intimidade. Lembro que a primeira vez que vi um computador, na sede da Cedae na rua do Riachuelo, perto da redação de O DIA, através de uma porta entreaberta, era um monstro de metal que ocupava toda uma sala e roncava como um porco. Maravilhado, fiquei imaginando que seus usuários deveriam fazer cursos no exterior, pois sabia que o bicho roncava em inglês. Meu neto de sete anos pega uma maquineta com jogos (games) e em poucos minutos a domina.

O 2º grau virou o curso médio, um degrau para se chegar à faculdade, cujo diploma, sem pós-graduação, MBA e outros cursos, não abre muitas portas, a não ser para balconista, atendente, outros. E é comum ver a recepcionista, antes de nos atender, guardar o livro ou o caderno onde estudava para a aula na faculdade. Uma coisa que me surpreendia, quando cursei a ESPM, à noite, era ver garotas voltando para casa, sentadas nos bancos duros dos ônibus urbanos, sempre estudando. Após um dia inteiro de trabalho cansativo ainda encontravam disposição para encarar um livro didático. O resultado é visto na invasão de mulheres em todas as profissões. São jornalistas, advogadas, arquitetas, administradoras, um batalhão de esforçadas belezas. Não se vê um júri onde elas deixem de envergar as capas pretas, ou vestidas de branco em consultórios, dá prazer ver esse esforço ascensional. Os homens, só de raiva, fazem cursos para chefe de cozinha.

Sim era bem mais fácil para elas que se preparavam para ser donas de casa e para eles, que ficavam felizes com um emprego burocrático, com salário razoável. Era bem mais fácil para quem vivia naquele tempo.

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RETROSPECTIVA 2012 ERA BEM FACIL II

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