ERA BEM MAIS FÁCIL

18 \18\UTC dezembro \18\UTC 2012 at 17:56 Deixe um comentário

Antigamente – não tão antigamente assim – a vida era bem mais fácil: o bebê nascia em casa e não corria o risco de ser trocado, como na vida real e em algumas novelas folhetinescas. Criança só brincava, não entendia de aparelhos eletrônicos mais que seus pais, não tinha gosto nem opinião, o que não impedia as famosas birras que resultavam, no mínimo, em cascudos bem aplicados. E cá entre nós, quem aguenta esses geniozinhos que olham os pais de cima quando ambos encaram um computador, smartphone, tablet ou engenhoca parecida?

Adolescente tinha mais é que estudar, no máximo flertar em certas ocasiões festivas, embora algumas meninas aparecessem grávidas apesar dos olhares de águia das mães. Violência nas escolas só nas horas do recreio ou na rua. Bem, não se pode esquecer das palmatórias, cascudos dos mestres, tudo merecido. Namorar era sensacional. Levava-se dias só nos olhares, bilhetinhos, roçadas de ombros, mãos se esbarrando sem nunca se entrelaçar até que um dia, sem dúvida na matinê do cinema, os joelhos se tocavam, um braço era displicentemente colocado nas costas da cadeira da garota e se não houvesse reação contrária, escorregava para os ombrinhos mimosos. Suspiros antecipavam o beijo levíssimo, lábios secos mal se encostando, e olhares lânguidos pontuavam cada avanço, menos o momento divino, inesquecível, de apertarde leve  o arfante seio que a blusa cobria. Jurava-se nunca mais lavar a mão, para poder sentir o odor da amada como se aspirasse o lança-perfume, que delicia. Quem sente isso hoje, quando tudo é quase mecânico e as meninas querem beijar muito, seja lá quem for? Para onde foi toda aquela emoção? Como se descobre o amor hoje?

Com raras exceções, os namoros que levavam a intimidades ingênuas, pelos padrões atuais, terminavam em casamento. Não tão rápido, claro. Antes tinha de pedir a mão da moça a seu pai, acompanhá-la em festas e bailes a que ia com os pais ou pessoas de extrema confiança deles, era o tal noivado, as visitas à casa dela se amiudavam, ouvia-se piadinhas de amigos e parentes – E aí, quando sai o casório? Queremos comer doces – eles cada vez mais indóceis, se esfregando em qualquer oportunidade, um prazer a mais. Marcava-se a data do casamento, expediam-se os convites, não tinha essa deselegância de botar listas de presentes caros nas lojas, cada um dava o que seu bolso e sua amizade permitiam, fogões, televisões e geladeiras e outros eletrodomésticos caros responsabilidade dos noivos, não tinha isso de querer que os convidados montassem sua casa, ora bolas. Nas listas de agora só falta se pedir automóvel, pagamento da viagem de lua de mel e os trajes dos nubentes.

Não era mais fácil? Chás de panela e de bebê não se usavam, se querem se casar ou ter filhos, que arquem com as despesas. Ninguém pode ser punido em seu bolso pelas besteiras cometidas por apaixonados.

A gente sabe que tudo acaba se repetindo, só muda o jeito. Não há inflação que assuste pombinhos dispostos a montar eu ninho. Então, feliz ano novo e que o futuro seja benvindo.

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NOS TEMPOS DO ACORDEOM VALIDADE VENCIDA

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