NOVELAS E NOVELÕES

28 \28\UTC novembro \28\UTC 2012 at 14:25 Deixe um comentário

Há muito deixei de assistir novelas. A excessão que acompanhei foi a das empreguetes, divertida, puro entretenimento, sem os velhos truques. Cansei dos enredos pobres, repetidos, personagens sem nuances, situações mais que conhecidas, é o golpe da barriga, é a sogra que quer pagar para a mocinha se afastar do filho, é o filho que não sabe quem é seu pai, é o irmão que se apaixona pela irmã sem saber, enfim há um rol de situações dramáticas que se repetem em todas as tramas televisivas. Uma pena, um desperdício de atores de primeira linha. Os remakes, então! Para diminuir o cheiro de mofo atualizam-se umas passagens, apimentam-se outras, só mudam o glacê do bolo.

E como novela é um produto que dá bom retorno à emissora, se a original tinha 120 capítulos, o remake não terá menos de 180. Com isso aumenta-se o número de tramas paralelas, o que exige mais personagens e como o número de atores/atrizes tem um limite, usa-se o mesmo profissional de uma novela em outra, o que ocasiona falta de gente disponível e acirra a briga entre autores/diretores e o estresse nos artistas. Tira muito da credibilidade ver uma atriz que numa novela era a mocinha, na outra ser uma tremenda vilã, ou o galã que cortejava a mocinha virar seu irmão ou seu inimigo numa putra produção. Ou o pai, remoçado por maquiagem ou plástica, se transformar num namorado. Mais capítulos significa mais espaços para anúncios comerciais e merchandising. O retorno financeiro é tão bom que o número de horários aumentou.

As tramas paralelas, que no início da veiculação das novelas na televisão eram poucas e apenas enriqueciam ou complementavam o enredo principal, se tornaram uma forma de aumentar o número de capítulos. Hoje são imprescindíveis e competem com a trama principal. Não é difícil encontrar enredos com dois ou mais protagonistas e tramas secundárias que, como ramos de uma árvore, crescem em importância, tendo apenas um leve gancho a prendê-los ao tronco.  Acontece às vezes, por descuido , imperícia ou cansaço do novelista, que a trama paralela e seus personagens se tornem mais interessantes que a principal, com seus filhos bastardos e ricaças inimigas de pretendentes ao seu filho.

Uma outra mudança de peso foi a necessidade de se começar uma novela sempre com locações no exterior. Especialmente nos novelões, pretenciosos. A trama começa em Veneza, Istambul, Madri ou qualquer outro país e vai terminar nos Estados Unidos ou Paris. Reforçam o charme das emissoras, cuja tecnologia se aproxima da perfeição.  As locações locais servem apenas como recheio. Por pouco novelas genuinamente brasileiras como Gabriela e O Tempo e o Vento, não foram desfiguradas com locações estrangeiras. Alguém deve lucrar muito com essas modificações, pois o telespectador quer apenas uma emocionante história, pra rir u chorar.

Uma outra descoberta dos produtores foi tornar as novelas veículos de discussão de problemas sociais como o tráfico de pessoas, os novos procedimentos cirúrgicos, como transplantes, consumo de drogas, e outros que tais. Assuntos que deveriam ser tratados, com toda a seriedade, em programas específicos.  Assim como o Domingão do Faustão fica chato quando se quer didático ou o apresentador procura “traduzir” a resposta do entrevistado, como se o público fosse abestalhado, quando a novela deixa sua função de entretenimento e vira sala de aula perde toda a graça.

SJB, 28.11.12

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