DE VIAGENS

29 \29\UTC agosto \29\UTC 2012 at 16:02 Deixe um comentário

No início deste mês passei um agradável fim de semana em Campos do Jordão, fugindo da cacofonia atordoante de nossa cidade. Refiz a viagem feita há muitos anos com o grupo excursionista da Light, empresa onde trabalhava naquela época, no Rio de Janeiro. Fomos de trem até Pindamonhangaba e dali, também de trem, subimos a serra. Amanhecia e fiquei encantado com a paisagem semidiluída na neblina, as árvores floridas – era setembro – e as lindas crianças, filhas de japoneses, faces rosadas pelo frio, paradas nas cancelas dos sítios.

Desta vez fomos de ônibus, numa excursão, e chegamos a Campos de Jordão, também ao amanhecer. A cidade mudou muito. Essa mesma impressão me tomou ao rever São Lourenço, cidade natal de minha mulher. Claro que com o tempo, com as mudanças naturais trazidas por sua passagem, as diferenças se impõem. Mas não era apenas isso, na verdade as mudanças ocorreram comigo, com meu olhar, tisnado pela experiência de vida, para melhor e para pior, pela bagagem de enganos e desenganos que a gente acumula quando se vive mais do que as probabilidades estatísticas do IBGE indicam.

Gosto muito de viajar. Talvez por que comecei a viajar ainda no útero de minha mãe, que depois de se casar foi morar em Barcelos e veio me parir na casa de seus pais, em São João da Barra, na cama em que ela mesma havia nascido. Não canso de citar esse fato, acho extraordinário que minha irmã e eu tenhamos nascido na mesma cama em que minha mãe havia sido parida. Hoje é impossível repetir esse feito, embora haja uma corrente de médicos e pensadores que propugnam pela volta do nascimento em casa, mais natural e acolhedor.

Depois viajei muito. Visitei as principais capitais do Brasil e outras cidades importantes. Fui a vila de Paços do Brandão, em Portugal, fazendo o percurso inverso de meu bisavô, que veio para o Brasil aos 11 anos de idade, sozinho, e não pode voltar para rever seus pais, por problemas financeiros. Saltei em Madri, viajei de trem até Lisboa e dali fui a Coimbra, Porto, Vila da Lixa, com seus magníficos bordados, e retornei a Madri, onde embarquei de volta. Viagem encantada, inesquecível.  Na cidadezinha chamada Condeixa, a velha, passei poucas horas à espera de condução para Coninbrigia, com suas ruínas romanas. Na praça principal da cidade havia uma casa enorme, com um muro semicircular, que ostentava no frontispício a placa “Casa dos Sá”. Fiquei empolgado e curioso, quis conhecer seus moradores, talvez remotos parentes, mas a casa estava fechada, “O senhor visconde está a Lisboa” como informou o dono do bar onde tomei uma bica (cafezinho).

Me impressionou a educação e cordialidade do povo lusitano. Na volta da visita à cidade de Tomar, sede da Ordem de Cristo, nome tomado pelos templários para fugir da perseguição do rei da França, de olho em seus bens, enquanto esperava o trem que me levaria de volta à Coimbra vi uma bela pereira, com galhos carregados de frutos quase maduros se debruçando sobre a plataforma, onde qualquer um poderia pegá-los, mas eram respeitados pelos passantes.

As viagens, além de encher nossa vista de belezas e novidades, também nos educam, nos mostram como o mundo poderia ser bem melhor se todos seguissem regras simples de civismo. É muito bom viver onde as pessoas respeitam o bem público. Pude ver isso nas cidades do sul, que visitei no ano passado, ruas limpas, floridas, respeito ao pedestre e outras atitudes que encantam. Numa churrascaria, para evitar que os fregueses jogassem guimbas – pontas de cigarros fumados – nos canteiros, havia um simpático letreiro que avisava: “Nossas plantas não fumam.” E nem um pedaço de papel  sobre o canteiro florido.

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