HOMICÍDIOS EM ALTA

27 \27\UTC junho \27\UTC 2012 at 16:40 1 comentário

Na segunda-feira 25 mataram mais um rapaz em Atafona. É mais um na série de assassinatos que vêm sendo cometidos na sede do município e suas praias, quase todos por causa de drogas. Até 2000,houve paz. Naquele ano, o assassinato de Osmar Cardoso interrompeu o longo período de paz na cidade que começou em 1946, quando por um motivo fútil Patrício Pereira. Foram 54 anos de paz urbana e quando eu contava no Rio, ondeoi morto a tiros num bar. O cronista Célio Aquino conta essa história no livro “Minhas histórias de São João da Barra” (Cultura Goitacá Editora, S.João da Barra,1997) . Quando contava essa característica, – morei muito tempo – no Rio de Janeiro – que em São João da Barra não havia crimes de morte poucos acreditavam. Merece entrar no Livro dos Recordes, diziam, irônicos.

Nossos carnavais, familiares, registravam pouquíssimas ocorrências criminosas. As pessoas, fantasiadas, rosto coberto por máscara, entravam sem questionamentos nas casas das famílias. Quando um folião, ultrapassadas as doses de bebida, caía na rua, era levado até sua casa por outros moradores. Havia confiança e solidariedade. O aumento da população flutuante nas férias e nas festas juninas não traziam grandes alterações nos índices de criminalidade. A delegacia vivia às moscas.

A situação mudou. Acusa-se o progresso como responsável pela escalada da violência. Há um maior número de carros circulando pelas ruas, a construção do complexo portuário do Açu e os concursos públicos trouxeram gente nova para a cá e isso, dizem, contribuiria para esse insucesso. Drogas ilícitas, acrescentam, especialmente o crack, invadiram a cidade e as praias, enlouquecendo os mentalmente mais frágeis.

O aumento do número de carros é resultado do crescimento vegetativo do país, assim como o grande número de passageiros nas rodoviárias e aeroportos. Tem sido assim desde que se aumentou a distribuição de renda e se ofereceu melhores condições de crédito à população. O aumento no consumo de drogas, é apenas um ítem no consumismo desenfreado  dos brasileiros.

O estranho é que, enquanto os homicídios crescem por aqui, segundo o jornal O Globo, no estado do Rio de Janeiro o número de homicídios dolosos foi o menor registrado nos cinco meses deste ano. O que está acontecendo conosco?

O que se pode alegar para explicar a volta dos crimes de morte a nossas antes pacíficas plagas? Os reflexos do porto do Açu ainda são muito baixos por aqui, é um pouco mais de pessoas nas filas dos bancos, de automóveis nas ruas, especulação imobiliária intensa, e só. Talvez se possa atribuir ao aumento de aparelhos de televisão nas residências, ao afrouxamento das relações familiares, aos exemplos de violência exibidos nos filmes estrangeiros de baixa categoria, aos jogos violentos eletrônicos, onde a morte e a destruição são meros alvos dos jogadores. Ou serão essas músicas com refrões repetitivos e alucinantes, volume de som altíssimo, que embrutecem e atordoam as pessaos e as levam a cometer loucuras?

Como explicar o retorno dos crimes de morte a São João da Barra neste século?

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Entry filed under: Crônicas.

ANDANDO PELA CIDADE CAUSA MORTIS

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