NOTAS DO PARAÍSO XXXII

4 \04\UTC abril \04\UTC 2012 at 15:52 Deixe um comentário

* Uma peça publicitária veiculada na televisão mostra o ator Fábio Assunção maquiado como um velho que aos poucos remoça, enquanto comenta o desrespeito com os idosos e termina dizendo que velho é preconceito que se tem. Em todas as culturas orientais o velho é respeitado, suas opiniões ouvidas e acatadas. Entre nós ocorre o contrário. As pessoas agem como se nunca fossem envelhecer.

* Este comentário foi provocado pela minha indignação por ter sido, pela segunda vez, deixado no ponto após ter pedido a um dos ônibus da Campostur para parar e ele ter passado direto por ter visto meus cabelos brancos. Sequer parou para avisar que não havia vaga no coletivo e que teria de pagar a passagem, o que eu faria pois tinha hora marcada para consulta médica em Campos. Reclamei com os fiscais da empresa que ficam na rodoviária, pediram o número do ônibus, que tinha acabado dce sair dali. Quem consegue guardar o número de um carro que passa voando? Será que a direção da empresa sabe desse desrespeito à lei? E aos idosos? Já vi vários em pontos da rodovia acenando em vão para os ônibus. A passagem gratuita para os idosos não é uma cortesia da empresa, é o cumprimento de uma lei federal.

* Um dia vai aparecer um idoso invocado que vai fazer um boletim de ocorrência na delegacia e entrar com processo na Justiça. Vai demorar a ser julgado, mas no fim ele será indenizado pelo descumprimento de uma lei federal. E o mais engraçado é que nas colunas da Policlínica (ex-hospital municipal Dr. Herculano Aquino), em frente à rodoviária, está estendida uma faixa convocando a população para o III Fórum dos direitos da pessoa idosa. É o terceiro e pelo jeito, o que foi discutido e aprovado nos anteriores de nada valeu. Os idosos continuam discriminados.

* E por falar em rodoviária, a da cidade está bem precisando de uma reforma e de manutenção. Sobram teias de aranha e picumãs, paredes sujas e descascadas. Até serve de quarto de dormir para alguém cujo colchão, com travesseiro e roupa de cama, fica junto aos guichês das empresas de ônibus. Um gato toma conta. A rodoviária é a sala de visitas da cidade. E num ano eleitoral!

* Também gritam por conservação as praças, com brinquedos quebrados a oferecer risco às crianças que ousam ir ali brincar. Não adianta só reformar, tem que conservar. Olha a eleição aí, gente!

* Saindo do municipal para o federal continuam as decepções. Que vergonha, meu Deus, ouvir um senador da República, que se dizia paladino da moralidade pública, ser envolvido em negócios ilícitos com contraventores! Em 2007 ele proclamava no Senado: “Realmente, os políticos perderam a vergonha na cara.” E no mesmo ano, ao falar sobre as suspeitas que envolviam o senador Calheiros: “A imagem do Senado, hoje, é a de um pau de galinheiro.”  E o pior é que, no máximo, vai lhe acontecer é se desfiliar do seu partido para entrarem outro. Eser eleito, pois brasileiro parece gostar de corruptos.

* Não bastasse essa vergonha e vem o senador Cyro Miranda, do PSDB, ao apoiar o despropósito de se pagar o 14º e 15º salários aos congressistas, reclamar: “Eu não vivo de salário de senador, mas tenho pena daqueles que são obrigados a viver com R$ 19 mil líquidos com a estrutura que temos aqui.” Tadinho dele, né não? E cabe perguntar a Sua Excelência: e como seus eleitores podem viver com menos de um salário mínimo e sem qualquer estrutura?

* E que mal pergunte, pra que serve o Senado?

* Os cientistas que pesquisam a cura de doenças – e muitos morrem de infecção ao lidar com vírus e bactérias – recebem menos que os 19 mil do senador e bem menos do que recebe do jogador de futebol Neymar, que acaba de comprar um iate no valor de R$ 15 milhões. Nada contra bem remunerar as habilidades futebolísticas de Neymar, Adriano, Love, Ronaldinho e outros, só que estão exagerando no valor dos salários. No tempo do meu tio José Henriques, craque sanjoanense, que integrou o primeiro time do Fluminense F. C. do Rio de Janeiro, para pode jogar precisou ser empregado pelos cartolas no Banco Real.

* E nem no futebol a corrupção dá tréguas. Lembrado para integrar a comissão da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, o ex-jogador Romário, hoje deputado, se escusou, dizendo que a roubalheira ia ser muito grande.

Dá pra assistir futebol com prazer com esse espinho encravado na alma? Dá para ser feliz assim?

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