VIAGENS EXEMPLARES

11 \11\UTC janeiro \11\UTC 2012 at 16:08 Deixe um comentário

Deixei de escrever aqui por um tempo mais ou menos longo. Mais de um mês. É que resolvi me afastar um pouco dessa cidade barulhenta que em nada lembra a minha cidade natal.

Fiz duas viagens que, se puder, repetirei neste ano. Não aos mesmos lugares, claro, o tempo que tenho pela frente pode não ser tão vasto e sempre gostei de conhecer novos lugares. Neste ano que passou visitei a Itália e o sul de nosso país.

Voltei renovado, com a certeza que a boa educação, a civilidade, o cuidado com a urbe e respeito ao cidadão não foram extintos. Desesperançado, pensava encontrar o mundo exposto aos sons automotivos altíssimos que infernizam nosso cotidiano, ruas sujas, animais pastando as plantas que brotam junto ao meio-fio e cachorros sarnentos defecando e vagando em busca de alimentos nos sacos de lixo jogados nas calçadas.

Único reparo: a pouca atenção que os visitados dão a brasileiros, especialmente nos aeroportos e portarias dos hotéis. Ninguém faz o menor esforço em nos entender e me arrependi em não ter aproveitado a generosa oferta da nossa municipalidade e entrado no curso de mandariam, pois parecia que falava com chineses. Ninguém nos entedia. Brasileiro é considerado cidadão de segunda classe, exceto no comércio, onde o dinheiro não tem nacionalidade e provoca sorrisos e gentilezas.

Em Veneza fomos premiados. Em cada gôndola cabiam seis pessoas. Como a brasileirada ávida desceu o deque e invadiu os barcos, sobramos dois casais menos afoitos, Germana e eu, e um médico capixaba morador de São Paulo e sua esposa. Na nossa gOndola sobraram dois lugares, ocupados então por um cantor e um tocador de acordeon. E vogamos pelos famosos canais venezianos, ouvindo clássicos italianos.

Não dá para contar tudo o que vimos e sentimos nesses dias de sonho. Eu já conhecia a Europa, onde fui no final do século passado para pesquisar a vida de meu bisavô numa aldeia portuguesa. Gostei muito, mas fui sozinho e com tarefa a cumprir. Desta vez não, fui curtir e junto com minha mulher, com quem dividia as emoções. Quando se viaja sozinho não se pode dividir o prazer de conhecer coisas novas.

E pensei, ao observar as músicas em tons civilizados, as ruas limpas, a ausência de animais desgarrados, estamos na Europa, é natural que o povo, mais civilizado, cuide do ambiente em que vive, respeite os ouvidos alheios e não suje as ruas. Mas, a viagem ao sul do país, na excursão do Natal Luz, passando por três estados, desfez essa impressão, pois me mostrou que a civilidade não é privilégio de europeus, embora as cidades por onde passamos tenham sido colonizadas por italianos e alemães.

Já conhecia Curitiba, com suas ruas cobertas, seus pássaros soltos, como sabiás-laranjeira, nos jardins das casas ou nos gramados dos parques, mas nunca tinha visto quero-queros mansos, cuidando de seus filhotes sem se preocupar com os humanos. Certamente sabem que lá as pessoas prezam e respeitam os pássaros, não avançam de olhos esbugalhados, doidos para pegá-los e trancafiá-los em gaiolas. É outra educação e outro respeito pela natureza.

Gramado e Nova Petrópolis, cidades gaúchas que visitei pela segunda vez,tem população do tamanho da nossa cidade, não desmentiram minha impressão anterior de respeitadores da vida. Não ouvi carros tronituando ouvidos indefesos.

Nova Petrópolis, que congrega bom número de confecções de roupas de lã, parece uma cidade de sonhos com seus jardins floridos, bem cuidados, com enfeites de natal belos e discretos, que não agridem o visitante com seu exagero. No  gramado de um restaurante um letreiro dizia: “Nossas plantas não fumam.” Delicado aviso para não jogar ali pontas de cigarro. Outro país.

O Natal Luz de Gramado é famoso no mundo todo e atrai milhares de visitantes. Apesar de produzir bons vinhos, não vimos bêbados caindo pelas ruas, nem brigas ou arruaças, e assistimos o Desfile de Natal e a encenação da Fantástica Fábrica de Brinquedos em meio à  multidão postada ao longo das calçadas enfeitadas sem se acotovelar. Também em Curitiba, no espetáculo do coral de crianças cantando no edifício cuja iluminação mudava de cor a cada canção. E tanto lá como em Gramado, durante a apresentação do Nativitatem, espetáculo de luz e som dentro de uma lagoa, na área urbana, caíram temporais com  relâmpagos e trovões, que iniciaram a temporada de chuvas que assola nosso país. Ninguém se mexeu. A Natureza tem seus momentos de falta de educação.

Anúncios

Entry filed under: Crônicas.

RELEMBRANDO ZENRIQUES HENRICADAS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Últimos Posts


%d blogueiros gostam disto: