NOTAS DO PARAÍSO LXV

16 \16\UTC maio \16\UTC 2011 at 12:09 2 comentários

* As canaletas que acompanham o meio fio da rua dos Passos, atravessando a Coronel Cintra, estão assoreadas, o que faz com que uma chuva um pouco mais forte provoque o alagamento da esquina e de sua vizinhança. Forma-se ali uma sucursal do rio Paraíba do Sul. É simples a solução: basta tirar a terra que as entope.

* A ação dos vândalos na cidade cresce a cada dia. As praças estão depredadas, lixeiras rebentadas, quebrados os brinquedos, os locais para as crianças brincarem entregues a adolescentes que não se importam em destruir. As mães fogem de lá, os moradores mais antigos lembram com saudade o trabalho de “seu” Antoniquinho, que impunha respeito. A praça que ele tomava conta era um brinco. Hoje, quem vigia as praças?

* Houve tempo que os cachorros vadios – e são muitos por aqui, ameaçando contaminar as pessoas com sarna e micoses – se apoiavam nas lixeiras para pegar os sacos de lixo em busca de restos de comida. Os animais, abandonados, famintos, desapareceram, devem ter morrido de fome, pois nunca os vi sendo recolhidos pela municipalidade. Hoje são bípedes os que arrebentam os sacos de lixo ou jogam-nos na rua só pelo prazer de sujar a cidade. A cidade em que moram! A cidadania está em crise.

* Voltou à baila, depois da realização da XIV Marcha em Defesa dos municípios , que levou cerca de dois mil prefeitos a Brasília, a proposta de alteração do critério de distribuição dos royalties, não apoiado pelos governos dos estados do Rio, Espírito Santo e São Paulo. O senador Aécio Neves tem sinal verde para negociar nos seguintes termos, segundo a coluna Panorama Político, de O Globo: não se mexe na destinação dos recursos dos poços que estão em produção e, nos poços do pré-sal que ainda vão ser explorados os recursos serão divididos entre os 27 estados.

* É uma boa proposta. Dar mais dinheiro a administradores incompetentes, corruptos e alucinados é jogá-lo no ralo. Não se tem feito nada de bom com o dinheiro dos royalties, é só olhar os municípios produtores, que deveriam ser exemplo para o país e continuam tão carentes de melhorias das condições de vida quanto antes da exploração do petróleo. E é preciso criar uma fiscalização rigorosa e permanente sobre o uso dos repasses.

* Assim como o estaleiro de Biguaçu/SC, o Porto Brasil, que Eike pretendia construir em Peruíbe/SP, naufragou. Havia aldeias indígenas nos terrenos que seriam ocupados pela retroárea do porto e a Funai disse não. Já aqui… E se o empreendimento era tão bom, trazendo progresso e a costumeirq miríade de empregos, por que não se brigou por ele?

* Nos lugares onde Batista ergue empreendimentos exigem compensações ambientais e outras, como no caso do Porto Sudeste, em Itaguaí. Dinheiro não falta ao homem mais rico do país. Na semana passada foi anunciado que a OGX deve encomendar mais três PPSOs – plataformas  flutuantes – até 2015. E que a empresa recebeu, no Rio, os dez cabos que ligarão as amarras e a bóia semi-submersa do sistema de ancoragem do FPSO. Também no Rio foi aprovado pelo Iphan o projeto conceitual da nova marina da Glória, a ser reformada pelo Grupo EBX, com custo previsto de R$ 200 milhões.

* São negócios rentáveis, ele tem que investir, mas cabe a pergunta feita a toda empresa com consciência social, pois o progresso deve melhorar a vida das pessoas: um pouco da dinheirama não pode ser utilizada para melhorar condições de vida do povo sanjoanense, onde está instalado o complexo portuário, símbolo do poderio do Eike? Asfaltar as estradas municipais, criar um super-posto de Saúde próximo ao Açu?

* Matéria de página inteira no caderno Economia do jornal O Globo do domingo 15 é dedicada ao complexo portuário do Açu. Muitas omissões e a insistência em fantasiar os zilhões de empregos que serão oferecidos e o aumento de sete vezes da população. Diz que a cidade vai crescer em função dos 70 bilhões que serão injetados na economia local. Será? Atualmente o município recebe cerca de nove milhões por mês de royalties mais os impostos e nada mudou. Não se sabe para onde vai tanto dinheiro, obras pífias e shows popularescos não justificam seu sumiço.

* Assim os empregos, a miríade de empregos prometidos a cada empreendimento a ser instalado no complexo. Descrença geral. Os poucos empregos que devem ser oferecidos num empreendimento automatizado irão para pessoas de fora e não para os moradores, mão de obra não especializada. Além disso, a sede fica bem longe do porto. Obra como o complexo portuário não precisa de tanto marketing. Só em época de eleição.

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2 Comentários Add your own

  • 1. Evaldo Cardoso  |  17 \17\UTC maio \17\UTC 2011 às 12:29

    Sobre a criação de empregos para pessoas que virão fora, cadê as autoridades da regiao que nao trabalham para estruturar a educaçao da regiao voltada para o desenvolvimento com a chegada do complexo portuário.

    Antes de pregar a chegada de 200 mil pessoas para morar em SJB, grande parte da mao de obra a ser utilizada no complexo, poderia ser absorvida pela populaçao da regiao (Campos, SJB, SFI e Quissamã). É menos complicado receber 40 mil novos habitantes para a tal mao de obra especializada nao encontrada na regiao (estimasse em 10 mil), ao invés de arrumar espaço para 200 mil novos habitantes.

    Responder
  • 2. Andre Pinto  |  20 \20\UTC maio \20\UTC 2011 às 09:17

    Carlos, eis a genealogia simplificada de Célio Aquino, feita por papai…
    Abraços

    Vasco Fernandes Coutinho , donatário da Capitania do Espírito Santo (1536), era filho de Jorge de Melo, apelidado “Lagio”, fidalgo português natural do Alenquer, e de Leonor Sobreira. Casou-se com Maria do Carmo (filha de André do Campo) e tiveram dois filhos: Jorge de Melo e Martim Afonso de Melo. Dele, também nasceu um filho bastardo: Vasco Fernandes Coutinho (filho), que foi casado com Luísa Grimalda, filha de Pedro Álvares Correia (irmão do famoso Caramuru).

    Vasco Fernandes Coutinho (filho) e sua mulher Luísa Grimalda foram pais de João Ferreira Coutinho, o qual se casou com Maria de Mello Nunes, filha de Mathias Teixeira Nunes. Desse consórcio, nasceu o Capitão-mor Antônio Teixeira Nunes (figura importante na revolta de Benta Pereira, em Campos), o qual se casou com margarida, filha de Nicolau Tolentino Lisboa, tendo, entre outros, os seguintes filhos: José Teixeira Nunes (avô do saudoso Ubaldo Sena) e Anna, que viria casar-se com Braz de Souza. Desse último casal, nasceu Clara Teixeira Nunes, que se casou com Manuel Malhardes, português, natural do Algarves, dos quais vieram os filhos Agenor de Souza Malhardes, Maria (Mariquinha), Antônio Nunes, Amélia de Souza Pinto e Agravalina de Souza Aquino, casada com Pedro Aquino.

    (Dados extraídos dos livros HISTÓRIA DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL, litografia Nacional, Porto, Portugal, 1924, e HISTÓRIA… de S.J. da Barra, de F.J. Martins, Rio, 1868).

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