NOTAS DO PARAÍSO XLIX

2 \02\UTC fevereiro \02\UTC 2011 at 07:36 1 comentário

* Posso parecer redundante, mas insisto na idéia de homenagear nossos vultos ilustres. Por que outras comunidades erguem estátuas, bustos, placas e outros monumentos a seus cidadãos que se destacam e nós lhes votamos um incompreensível esquecimento, a começar pelas centenas de pessoas que fizeram de nosso porto um dos mais movimentados do país na época do império?

* Já falei muito da necessidade de erguermos um Memorial da Navegação junto ao rio, nas ruínas do trapiche da Cia. de Navegação Irmãos Araújo, para que amanhã as novas gerações não imaginem que o cais foi construído para que os sanjoanenses e visitantes apreciem os belíssimos pores de sol no rio. Só o cais de pedra construído pelo Barão de Barcelos, com rampas e argolas para amarrar embarcações, lembra que existiu o porto.

* Se o montante repassado de royalties mensalmente mais o apurado com o pagamento do ICMS do porto do Açu não derem para custear os monumentos, que se faça uma coleta de dinheiro entre a população São muitos os heróis de nosso panteão municipal que precisam ser reverenciados, e repito mais de uma vez, para que a juventude do município saiba que já produzimos grandes homens.

* Quem sabe não estimularemos o surgimento de poetas como Narcisa Amália, Antonio Braga, Santos Lavra, Lucas Miranda, Pinto Neves, Coriolano Henriques, Manoel Barreto, Ruy e Newton Alves, Aluízio Faria, José Estevam Machado, João Oscar, astrônomo como Domingos F. da Costa, ou antropólogo como Castro Faria, pai da antropologia brasileira, escritores como Fernando José Martins e João Martins da Silva Coutinho, fundador do Clube de Engenharia, no Rio, heróis como capitão Agostinho, da Guerra do Paraguai, ou então jornalistas como José Henriques, Manoel e Felisberto Moreira e outros merecedores da admiração dos conterrâneos?

* Ou não merecem? O capitão Agostinho de Oliveira, que recebeu todas as medalhas por bravura na Guerra do Paraguai e a comenda da Ordem da Rosa, a mais importante do Império, chegou a ter seu nome dado a uma rua na cidade. Não se sabe como nem porquê o nome foi trocado, e hoje nem se sabe que rua era essa.

* Voltando à triste rotina: quatro presidentes da Cedae, conta reportagem de O Globo, da terça 1º, foram condenados pela Justiça a pagar multas equivalentes ao dobro do que receberam na Companhia, acusados de improbidade administrativa, entre 2002 e 2006, nos governos Benedita da Silva e Rosinha Garotinho. Como o órgão do corpo humano que mais dói é o bolso, deviam aplicar a mesma pena aos maus prefeitos.

* Diz o jornal, ao falar da posse dos deputados e senadores, que o Congresso é novo, mas as práticas são velhas e prejudiciais ao povo brasileiro. Como a da Cedae de cobrar do comércio, mesmo com as lojas fechadas, com consumo zero de água, a exorbitante taxa de quase R$ 150,00, a título de manutenção do sistema. Isso também é roubo.

* No boletim da revista digital Envolverde, de 14 de janeiro, comentando a tragédia na região serrana do Rio, disse a deputada estadual Aspásia Camargo: “O pesadelo retorna, e redobrado, com as chuvas de verão. Sempre as mesmas desgraças. E tratadas com a mesma negligência. Em geral, existe um grande interesse pelas vítimas e suas perdas e nenhuma atenção às causas de tais calamidades. Mas agora parece que a opinião pública acordou de seu longo torpor e começa a se interessar por uma solução mais racional e adequada. Vamos ter que levar a sério o aumento de frequência e intensificação das chuvas, provocado pelas mudanças climáticas.”
* Retornou às ruas da cidade outro pesadelo, o barulho infernal dos carros de som pelas ruas da cidade, desrespeitando determinação judicial. Como não há fiscalização, usa-se e abusa-se do direito de perturbar o sossego alheio. Motos com descargas abertas, som automotivo bem alto. Uma geração de surdos se forma e ninguém parece se importar. Um dia, como o cantor Elton John, vão se arrepender de provocar e escutar barulheira.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Joao Noronha  |  4 \04\UTC fevereiro \04\UTC 2011 às 08:00

    Pois é, meu caro. Em São João da Barra só é lembrado quem tem uma família enorme para dar voto. Defunto não vota, daí o não compromisso com o resgate da história. Ah, outra coisa: Quando se faz homenagens a pessoas vivas, as autoridades sequer adotam critérios sérios para justificar a lembrança. Estamos em São João da Barra, e não poderia ser diferente. Abs

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