NOTAS DO PARAÍSO XLVI

10 \10\UTC janeiro \10\UTC 2011 at 16:58 1 comentário

* Quando os caminhões pesados, os basculantes desconjuntados, as motocicletas com a descarga aberta passam pelo quebra-molas feitos de tachões, os prédios em torno estremecem e racham, como acontece com minha casa.  Para não dizer que sou implicante, chamei a Defesa Civil e seus técnicos constataram e fotografaram os estragos e segundo informações, produziram relatório entregue aos órgãos competentes da prefeitura, que implantou o quebra-molas. Não quero indenização pelas paredes rachadas, já contratei pedreiro que está fazendo o conserto às minhas custas. Quero que tirem o quebra-molas dali e o levem para uma rodovia. E fica o alerta: se minha casa desmoronar e fizer vítimas, o Ministério Púbico já sabe a quem responsabilizar.

*A OGX, do grupo EBX, do Eike Batista, anunciou a descoberta de indícios de petróleo em águas rasas – profundidade de apenas 134 metros – na bacia de Campos. A OGX graças a isso teve suas ações na Bolsa de Valores aumentadas para R$ 20,60. A ntes da descoberta do poço, chamado de Carambola-A as ações valiam R$ 2,23. A OGX divide o poço no bloco BM-C-37 com a Maersk Oil, responsável pela operação.

* Não será ausência de atrações musicais populares, mas caríssimas, que levam nosso dinheiro para fora, quando poderia ser empregado m melhoria da infraestrutura local que marcará este verão, nem será responsável pela volta mais cedo pra casa dos veranistas e visitantes. O que se apresenta como marca deste verão é a invasão maciça de mosquitos na cidade e nas praias. Tem turista que na falta de sol, ao invés de protetor solar se cobre de repelente. Assim não dá, diria FHC.

* Há muito não se vê o carro do fumacê passar pelas ruas e até o pessoal do combate à dengue anda arredio. Deus queira que uma epidemia de dengue não venha perturbar ainda mais nossa sofrida população, que pena com um serviço médico deficiente. A dengue 4 foi novamente detectada no norte do país – 10 casos – e com as viagens aéreas num instante chega ao sudeste.

*Audiências públicas para obtenção de licenciamento ambiental para a construção de um estaleiro no Complexo Industrial do Superporto do Açu, serão realizadas nos dias 11 e 12 pela OSX, empresa de equipamentos e serviços offshore para a indústria de petróleo e gás natural do Grupo EBX, nos municípios de São João da Barra e Campos. O objetivo é apresentar o empreendimento à população e discutir o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), conforme determinação do órgão responsável pelo processo, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Seria bom perguntar por que este projeto não pode ser construído em Santa Catarina, como Eike queria.

* Este projeto da OSX prevê um investimento de R$ 3 bilhões na construção do maior estaleiro das Américas e a geração de 3,5 mil empregos diretos na fase de construção e 10 mil durante a operação. Mais uma vez o exagero nos números de empregos, capaz de atrair trabalhadores desempregados de outros municípios, até mesmo do Nordeste, como aconteceu há pouco tempo. É um ato de desumanidade.

* A OSX trabalha para atender a demanda nacional por equipamentos navais para a indústria brasileira de petróleo e gás, sempre de acordo com os mais altos padrões de tecnologia e de sustentabilidade que norteiam a atuação empresarial do Grupo EBX, diz a nota. Muito dinheiro a vista, o complexo portuário parece uma mina, sem trocadilho.

* Segundo o colunista Bruno Astuto, do jornal carioca O Dia, “Eike Batista decorou o mais novo de seus três aviões, um Gulfstream, com madeira nas paredes. O possante tem uma suíte para o seu dono, serviço de bordo com caviar e salmão, poltronas que deitam 180° para seus convidados e autonomia de vôo para uma viagem Rio-NY sem escalas.” Insisto na pergunta: já que parte do dinheiro do Eike virá do porto do Açu, em contrapartida ele não poderia montar um superposto de saúde para os empregados das empresas que ali estão trabalhando e para a população da região, carente de tudo?

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Entry filed under: Crônicas.

NHÁ, A GARCINHA NOTAS DO PARAÍSO XLVI

1 Comentário Add your own

  • 1. Renato Alves Teixeira  |  11 \11\UTC janeiro \11\UTC 2011 às 10:52

    Como sempre, com seu estilo simples e direto seu texto é coeso, tem início, meio e fim e uma gostosa picardia ,marca dos melhores cronistas do país,como o Veríssimo do Globo e o Joemir Betting da Bandeirantes.
    A propósito:
    Quando vai sair o livro de crônicas reunindo esses excelentes textos sobre São João da Barra que pelo jeito vai se transformar em mais um complexo.
    Que tal : Complexo do Pescador.
    Abraços

    Responder

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