NOTAS DO PARAÍSO XXXIX

30 \30\UTC novembro \30\UTC 2010 at 14:12 Deixe um comentário

* O surto de violência que durante cerca de dez dias apavorou a população do município do Rio de Janeiro – cidade e grande Rio – e deixou o mundo aturdido, tem muitas explicações e poucas soluções. Ações insensatas marcou o desafio de traficantes presos em Catanduvas, que para desmoralizar as UPPSs, mandaram bandidos incendiar ônibus urbanos para disseminar o pânico na população. Não esperaram reação tão pronta e fulminante.

* Os moradores das favelas Vila Cruzeiro e do Alemão passaram grande sufoco, mas se viram libertados da opressão cotidiana de bandidos armados. Já as facções criminosas perderam homens, material, espaço geográfico e seus lucros cessaram. Calcula-se um prejuízo de cerca de R$ 50 milhões.  Armas sofisticadas e de grande alcance, toneladas de maconha e cocaína, e centenas de motocicletas roubadas foram apreendidas. Esconderijos foram vasculhados e chefes e chefetes do tráfico presos ou humilhados com a fuga desabalada de centenas de capangas pelas matas em torno das favelas.

* Pergunta-se: Como pode ter sido acumulada tamanha quantidade de drogas e armas? O transporte desse material é difícil e perigoso. As autoridades da região não as viram chegar? E as motos? Em suas rondas diárias a polícia não percebia que eram roubadas? Cegos por incompetência, conveniência ou medo?

* A essas, digamos, incapacidades ou cumplicidades se juntam outros fatores que culminaram no refrego do mês: um deles é  clima de impunidade no país. Confunde-se “imunidade parlamentar”, que protege o parlamentar durante seu mandato, permitindo que faça denúncias, com impunidade, o que é buscado por um grande numero de parlamentares eleitos a cada pleito. Buscam o mandato como um manto protetor contra a ação da Justiça.  A credibilidade dos políticos chegou a nível tão baixo que as pessoas se dispõem a desperdiçar seu voto em figuras esdrúxulas como o palhaço Tiririca. A impunidade dos grandes gera destemor nos pequenos meliantes para praticar seus crimes.

* Outro fator que acreditamos ter forte influência nesse cenário de guerra civil, quando o governo se viu obrigado a lançar mão de máquinas de guerra para conter e dominar os bandidos, é o telecurso da violência, ministrado semanalmente aos telespectadores de todos o país, criando heróis negativos, através de filmes de quinta categoria, que ensinam a planejar e executar roubos, banalizando a morte e a transgressão.

* O Paraíba mais uma vez é vítima da incompetência e do descaso. Um vazamento de resíduos da Estação de Tratamento de Efluentes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Volta Redonda, no sábado, se espalhou rapidamente pelo rio, levando o Estado a adotar medidas para punir a empresa infratora, que poderá pagar multa de até R$ 50 milhões, teto máximo previsto pela Legislação Ambiental.Em outubro, a CSN havia firmado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a secretaria estadual do Ambiente e o Inea, se comprometendo a investir R$ 216 milhões em compensações ambientais e em 90 ações na área da usina Presidente Vargas, em Volta Redonda.

* O plano de ação com obrigações e cronograma de execução, deverá ser concluído em três anos. Em caso de descumprimento, a CSN sofrerá as sanções. Isso depois dela apelar para os recursos, o que impede, por exemplo, que a Cataguazes de Papéis não tenha pago suas multas. Enquanto isso, as populações ribeirinhas bebem água batizada com todo o tipo de poluentes, de merda humana a metais pesados. Em nosso município o problema poderia ser solucionado com facilidade. Bastava a Cedae deixar de captar água do Paraíba e passasse a buscá-la no aqüífero Barreiras recente, como em Cajueiro, Açu , Barcelos e outros lugares.

* A roda da justiça recebeu outro impulso com a denúncia, feita pelo secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, do município de Maricá, de que sua prefeitura desviou verbas dos royalties do petróleo durante a recente campanha eleitoral. O Ministério Público analisa a denúncia: entre julho e setembro deste ano a municipalidade pagou R$ 834 mil a três empresas para comprar cimento, manilha , saibro e pó de pedra, material que nunca  chegou ao destino. Em que foi usado todo esse dinheiro, que poderia ter contribuído para melhorar a qualidade de vida da população?

Anúncios

Entry filed under: Crônicas.

NOTAS DO PARAÍSO XXXVIII NOTAS DO PARAÍSO XL

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Últimos Posts


%d blogueiros gostam disto: