NOTAS DO PARAÍSO XXXVII

17 \17\UTC novembro \17\UTC 2010 at 16:17 Deixe um comentário

* Feriadão há muito que é sinônimo de hecatombe nas rodovias brasileiras. As pessoas não saem para se divertir, passear, rever amigos, conhecer lugares; saem para matar ou morrer. Bebidas alcoólicas, abusos, irresponsabilidade, cansaço, inexperiência em dirigir em rodovias e outros males foram responsáveis pelos 2.490 acidentes nas rodovias federais no feriado da Proclamação da República, matando 142 e ferindo 1.465 pessoas.

Só no feriado de carnaval os números foram maiores: 3.233 acidentes, com 143 mortos e 1.912 feridos. Não é uma hecatombe?

* Quem observa o movimento nas estradas constata a irresponsabilidade e a imperícia dos motoristas. Se há uma pequena retenção do trânsito, os afobadinhos invadem o acostamento, e lá na frente cortam a fila dos que obedecem as leis de trânsito, o que provoca outras retenções. A impressão é que a maioria desses transgressores não cursou uma auto-escola, não sabe dirigir, não conhece as regras de trânsito, não tem bom senso, não se ama e nem aos seus, as maiores vítimas dos desmandos nas rodovias. Como conseguiram as carteiras de motorista?

* Gira a roda da moralidade pública, devagar mas implacavelmente. Muitos que pensam ter escapado de suas engrenagens estão sendo surpreendidos e esmagados. Agora, com a Lei da Ficha Limpa, a coisa piorou. Nas últimas semanas caíram Oswaldo Botelho, prefeito do município de Cambuci, afastado pelo Ministério Público, acusado de improbidade administrativa, e mais perto daqui, na antiga São João da Barra, hoje São Francisco de Itabapoana, a vereadora Adriana Coelho foi afastada do cargo pela Justiça.

* Enquanto isso o super Eike irrita os cariocas ao demolir o teatro do Hotel Glória que ele prometeu conservar ao adquirir o imóvel para intalar sua empresa. Artistas, empresários e público estão indignados. O teatro era muito bom, em seu palco grandes nomes encenaram peças memoráveis. O apartamento do hotel onde se hospedava presidentes da República e outros notáveis foi demolido. Onde foi parar o Mecenas?

* É fácil saber: estava ganhando mais dinheiro. Segundo o jornal O Globo, ele venceu a disputa, através da OSX, e conseguiu que seu estaleiro, projeto avaliado em US$ 1,7 bilhões, seja construído no complexo portuário do Açu, ao lado do porto, das usinas termelétricas, da siderúrgica e de mais o quê? Tanta coisa! O cais do empreendimento terá 2.400 metros e só na fase de execução serão criados 3.500 empregos. Meu Deus, é emprego demais para esta pobre e desvalida terra. Onde conseguiremos candidatos, além dos daqui e dos que tem vindo do Nordeste e do vale do Jequinhonha?

* O projeto não foi implantado em Biguaçu, no estado de Santa Catarina, por causa das resistências dos órgãos ambientais, mais preocupados com a qualidade de vida de sua população do que com o progresso, veja só! O estaleiro ficaria perto de unidades de conservação, como o nosso Parque estadual de Grussaí. O processo de licenciamento ambiental aqui deve ser rápido, nossos biomas são resistentes, a mata do Caroara pegou fogo por acidente. A OSX espera que a licença de instalação seja liberada em abril.

* Converso com o recém eleito presidente do Conselho Municipal de Cultura e ele me conta como deve ser reutilizado o prédio recuperado da antiga Câmara e Cadeia, construído em 1794/97. Não digo que o edifício está sendo restaurado porque soube que o IPHAN não pretende repor a varanda de madeira com cobertura de telhas que ficava na entrada da Câmara e talvez não se preocupe em descobrir onde fica o fojo, o túnel que ligava as celas da prisão ao rio Paraíba do Sul, não sei com que finalidade. Espero que ao menos não acabe com o alçapão que une um andar ao outro, local de divertida lenda. Sobre ele os edis discursavam, e, reza a lenda, se a fala desagradava ao poder, o presidente da Casa puxava uma lavanca e o indigitado caía diretamente numa cela.

* A Cadeia Pública, a Câmara de Vereadores e a Igreja decente, isto é, construída em pedra e cal, coberta de telhas, eram os elementos essenciais para caracterizar uma vila e ficavam na entrada, ladeando o caminho que saía do Cais do Mercado, hoje aterrado, onde ancoravam os vapores, sumacas, lanchas, iates e mais tarde as pranchas carregadas com mercadorias da feira de Gargaú, famosa em toda a região.

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