NOTAS DO PARAÍSO XXX

28 \28\UTC setembro \28\UTC 2010 at 11:35 Deixe um comentário

* Um aparelho de ressonância magnética de última geração, pesando cinco toneladas, já está no pátio interno da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Será instalado no setor de neurocirurgia, custou R$ 2 milhões e foi doado pelo mega-empresário Eike Batista. Como perguntar não ofende, aí vai: por que o magnânimo empresário não faz doações desse tipo à Santa Casa de Misericórdia de São João da Barra, que abriga o Pronto Socorro municipal e tem sérias carências no atendimento?

* E por falar em Pronto Socorro, como está aumentando e continuará a aumentar o número de trabalhadores no Complexo Portuário do Açu, por que a empresa de Eike não aproveita a estrutura do Posto de Saúde Municipal mais próximo do porto e não o transforma em um super-posto de saúde, equipado com modernos equipamentos para atendimentos de emergência, ao invés de manter ambulância para levar seus acidentados para o hospital Ferreira Machado de Campos ou Santa Casa de nossa cidade?.

* Além de atender os empregados do complexo, o super-posto atenderia também à população mais próxima do porto, carente de bom atendimento, como de resto, todo o município. Talvez assim a população local ficasse menos revoltada com a brutal desapropriação de terras de pequenos produtores rurais para beneficiar as empresas que virão ali se instalar em função do porto. Tem gente que já está com mais de 70 anos e vive ali desde que nasceu.

* E por que a sociedade e os políticos sanjoanenses não cobram isso dele? Não é aqui que ele montou seu garnade empreendimento? Não é daqui que sairá o dinheiro que fará sua fortuna se aproximar da de Carlos Slim?

* Já foram anotados 12 casos de Dengue 4 em Roraima pelo seu Núcleo Estadual de Dengue e Febre Amarela. Outros nove casos estão sob investigação. Em quem já foi infectado pelos vírus das outras formas de Dengue, a nº 4 provoca graves sintomas, podendo evoluir para a dengue hemorrágica. Graças às viagens aéreas, em pouco tempo o vírus estará por aqui. São João da Barra foi considerado o município fluminense com maior índice de contaminação de dengue. Daí, todo cuidado é pouco.

* A Viação 1001 continua a cultivar com o sucesso sua criação de mosquitos. Na quarta feira, quando viajei a Macaé para o aniversário de minha neta, matei cinco mosquitos, que ficaram presos na janela, e mais quatro quando, próximo à rodoviária, troquei de poltrona. Dessa vez, por má pontaria, três gordos exemplares escaparam. A empresa deveria desinfetar seus veículos, para não favorecer o surgimento da Dengue tipo 4 na região. Só que aí os passageiros não poderiam mais se divertir praticando a eletrizante caça aos mosquitos.

* Segundo índice de desenvolvimento da Firjan, Macaé e Rio das Ostras estão entre os 10 municípios de maior desenvolvimento do estado. São João da Barra está em 37º lugar, apesar do complexo portuário do Açu, que aumentou bastante a arrecadação de impostos, do crescente aporte dos royalties do petróleo e da previsão orçamentária para o ano que vem ser de R$ 384.554.300,00. Não era para o índice de desenvolvimento municipal ter dado um salto? O que acontece com tanto dinheiro?

* O cientista político e professor da UFF, José Álvaro Moisés, estranha o Lula irado dos últimos pronunciamentos, sua revolta contra a imprensa, um dos fatores da fixação de sua imagem no cenário político nacional desde os tempos em que era sindicalista. Ele crê que Lula não está familiarizado com a “crítica e a contestação que existem nas democracias e não consegue conviver com esses aspectos.” Também estranho tanta raiva e lamento. Já Dilma é mais tolerante, acha as críticas normais.

* Outro cientista político e professor da UFF, Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise e da Ipsos Public Affairs, comentando sobre o fato do eleitor votar em candidatos notoriamente corruptos, como alguns que lideram as pesquisas de intenções de voto, diz “O eleitorado de um modo geral acha que todos políticos roubam. Nivela por baixo todos os políticos.” Lembrando que quanto mais baixa é a escolaridade do eleitor mais sua vida está ligada à sobrevivência, seu voto se torna pragmático. Ele vota com o bolso. Triste conclusão, mas parece verdadeira.

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