CONCURSOS LITERÁRIOS

17 \17\UTC agosto \17\UTC 2010 at 15:21 1 comentário

Está aberta a temporada de Concursos de Contos. Literatos e beletristas, atenção! Até 15 de setembro estão abertas as inscrições para o XX Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho, da Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima, de Campos. O regulamento está no site da prefeitura e traz algumas exigências que não dão para entender, como o envio de cinco cópias do conto mais um CD. CD virgem? Ou com o conto? Não é explicado. Parece até lista de material escolar de colégios particulares a cada renovação de matrícula.

Cada conto deverá ter, no máximo, três laudas em espaço 2. Quantas linhas tem uma lauda? Parece que tem 30 linhas. No concurso do Banco Santander, a lauda tem 20 linhas, 70 toques ou 1.400 caracteres. No caso do banco, os contos devem ter no máximo 10 laudas, o que, convenhamos, dão um pouco mais de espaço para o autor desenvolver sua história. Em três laudas cabe uma notícia. O criador do regulamento deve ser jornalista.

Os regulamentadores decidiram engessar o talento e a criatividade dos concorrentes. Como no tempo do parnasianismo, em que o poeta tinha que poetar, medir e pesar suas rimas para caber no molde 4X4X3X3. A turma da Semana da Arte Moderna acabou com isso. Talento não se mede, como terrenos ou pedaços de pano.

O concurso de Campos reservou 10 mil para os cinco melhores contos e o do banco, sete mil para cada um dos cinco melhores contistas. Já o de Rio das Ostras não dá o valor da premiação e não engessa as obras em retângulos de letras.

De 1991 a 93 participei do concurso de contos de Campos. Ganhei os dois primeiros e fiquei em 3º em 1993. Em 1991 tirei o 1º lugar com “Na boca da noite”, em 92 com “Raíska” e em 93 o 3º com o conto versejado “As esporas do padre”. Como nunca foram editados pela Fundação, os inclui em meu livro “Raíska”, publicado em 2001.

Dos prêmios guardo a estatueta de um jornaleiro, em barro, que comprei com o dinheiro de um dos prêmios. Não dava pra muito mais que isso. Diplomas não foram dados. Pelo menos a mim. Em 1995 ou 96, não lembro bem, inscrevi meu conto “O caso das cobras”. Nunca soube o resultado. Na época alguns problemas me tomavam o tempo e em 1996 meu pai faleceu. Não tive como me informar. Por várias vezes estive na sede da Fundação Cultural, querendo saber, por curiosidade, qual o resultado do tal ano, pois se tivesse ganho certamente teria sido avisado, como nas vezes anteriores. Não consegui saber. Uma vez alegaram que não havia arquivos, noutra que estavam empacotados, enfim, ninguém sabia de nada. Não sei se já se organizaram, acho que não, pois no ano passado fui lá, pegar o Regulamento, e perguntei sobre o tal concurso. As duas simpáticas funcionárias, sorriram, mas não faziam a menor idéia. Coisas da burocracia, que não devia contaminar as Fundações Culturais.

Este ano não sei se concorrerei. O engessamento e o pequeno valor do prêmio dado por uma prefeitura que nada em royalties do petróleo me desestimulam. Alia-se a isso a pouca divulgação dos vencedores; nas vezes em que ganhei, nunca fui procurado por um jornal da cidade para uma entrevista e olhe que já escrevi para eles. No tempo em que o professor e poeta Joel Ferreira Mello mantinha uma seção de literatura “Letras & Problemas”, publiquei crônicas, poesias, desenhos e entrevistas com escritores.

Constato que em todo o país ocorre uma retração em relação à literatura. Os jornais acabaram com os suplementos literários, os poucos que restaram viraram cadernos de resenhas. Como estimular o surgimento de novos talentos na área? Prêmios mofinos e silêncio da mídia só servem para inibir o aparecimento de novos valores.

Enquanto isso, cada novela de televisão tem cinco e até dez roteiristas ou colaboradores, muito bem pagos e divulgados. E o país vai ficando cada vez mais pobre em termos de literatura. Aqui, ninguém pode pensar em viver do que publica. Somos beletristas.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Jaime Collier Coeli  |  19 \19\UTC agosto \19\UTC 2010 às 12:15

    Esperava o que? Literatura é leite de pato que no maximo alcança o Juca Idem. Não é trabalho decente, porque contraria a moral. Dê graças por não estar em campo de trabalho forçado ou nas masmorras da Inquisição. Dedique-se a escrever estorinhas para criancinhas e as trate como idiotas futuros.

    Responder

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