NOTAS DO PARAISO XXIV

13 \13\UTC agosto \13\UTC 2010 at 11:35 Deixe um comentário

*Um dos trechos de estradas de rodagem que mais destrói vidas humanas e bens no país, ao que parece será finalmente duplicada. A concessionária, Autopista Fluminense, reuniu-se com o prefeito de Silva Jardim e mostrou o projeto de duplicação no trecho. Segundo o diretor e o coordenador de engenharia da concessionária, a duplicação de Rio Bonito a Casimiro de Abreu (70 km) e de Casimiro a Campos dos Goytacazes (106 km) está prevista para fevereiro de 2017, um bocado de tempo. Diz a Autopista Fluminense, que as obras devem começar no 2º semestre de 2010. Enquanto isso, a morte campeia no asfalto.

* No meu tempo de adolescente, os canaviais acompanhavam a rodovia BR 101 das imediações de Macaé até depois de Barcelos. Meu avô paterno plantava cana de açúcar em Pipeiras. Hoje as margens da rodovia se enchem de distritos industriais, condomínios residenciais e sítios de recreio. Muitos canaviais foram trocados por pastos – mal cuidados e capim de péssima qualidade – para a criação de ovinos, de gado vacum e cavalar. Olhando essas mudanças, me pergunto: são pra melhor?

* O mundo sofre com o aquecimento provocado pela insensatez e ganância dos homens, agora mesmo todo o país se ressente das queimadas, o clima ficou seco demais e o capim que substituiu as matas faz o fogo se propagar com rapidez. Prejuízo sobre prejuízo. Até a mata da Caroara dos tamanduás mirins, das preguiças e de dezenas de aves e das decantadas e extintas mini-orquídeas, ardeu durante vários dias. É bom isso? Tem lógica o que digo ou é simplesmente coisa de velho retrógrado?

* A viagem de trem, que querem ressuscitar não sei como, pois os terrenos da Leopoldina viraram favelas ou sítios particulares, era lenta, mas um refrigério para os olhos. De um lado o rio Paraíba do Sul, ainda pujante e caudaloso, desenhando aquarelas móveis; do outro, além da estrada, os canaviais, os bandos de anus, que os agrotóxicos reduziram a poucos exemplares, e centenas de outras aves. Só restam garças e garcinhas. Triste.

* Quando, pela manhã ou no fim da tarde, bandos de maritacas barulhentas revoam o trecho de serra que está sendo reflorestado entre a Uerj e o Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, me lembro dos periquitinhos verdes, de cauda curta, que viviam aqui nos capões de mato. Acabaram com eles. Estão fugindo para as cidades grandes, onde o homem curte a natureza. Aqui, a desprezamos e destruimos. Eta bicho predador, o tal do homem. E vai acabar destruindo seu próprio habitat e inviabilizando a vida.

* Quando o leão sacudia a juba e urrava sem muito entusiasmo nas telas do cinema sabia-se que as emoções iam começar. Era um leão tão manso, que alguns diziam que era gay. Leio no jornal O Globo, pois o JB acabou, só tem edição on line, que a Metro, dona do leão, poderá ser forçada a pedir concordata. Era uma senhora empresa de entretenimento, com astros de primeira grandeza. O leão deve voltar ao zoológico. E o condor, que abria a sessão de outra empresa cinematrográfica, cujo nome não recordo, e que os gaiatos enxotavam aos gritos da platéia, pois só depois que ele levantasse vôo o filme começaria, cadê ele? Foi embora, levando parte da vida de muita gente. Snif!

* Ainda no jornal carioca leio que a Universidade Estácio de Sá pretende se desfazer de 41,7% de seu capital social. Há pouco tempo, a Candido Mendes do Rio declarou que estava com problemas financeiros. Seja oficial ou privado, o ensino no país não é prestigiado, ao contrário do que ocorre no resto do mundo. As nações que saíram destroçadas da 2ª Guerra Mundial, investiram em educação e hoje são potências.

* A Viação 1001 tem uma granja de mosquitos. Toda vez que viajo para o Rio e Macaé – e olhe que estou sempre indo a essas cidades – mato no mínimo dois exemplares. O que preocupa é que o Ministério da Saúde acusou a presença no país, depois de uma ausência de 28 anos, do vírus transmissor da Dengue 4. Por enquanto foi detectado em Roraima, mas com as viagens aéreas pelo país, logo logo estará por aqui. Vamos acabar com os mosquitos? Já tive dengue e sei bem como é. A 4 parece ser mais perigosa ainda.

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