NOTAS DO PARAÍSO V

26 \26\UTC março \26\UTC 2010 at 10:10 4 comentários

* Mais um prefeito fluminense é cassado por abuso do poder econômico na eleição: Marquinhos Mendes, de Cabo Frio. Vai recorrer e pode voltar ao cargo. Mas, se a sadia instituição da “Ficha limpa” pegar, talvez não possa concorrer nas próximas eleições. A roda da fortuna gira e corta cabeças. De quem será a próxima?

* São João da Barra recebeu R$ 7.761.940,63 mais participação especial dos royalties do petróleo. Nos três meses deste ano abocanhou R$ 22.420.959,55. O que essa dinheirama representou em termos de melhoria de vida para os conterrâneos?

* Por essas e outras é que um dos sabichões da economia brasileira diz que falta o “marco regulatório”, ou seja, o manual de instruções para o uso dos royalties do petróleo. Com o marco seria possível a ANP – Agência Nacional do Petróleo, exercer fiscalização mais intensa e eficiente sobre os gastos com essa verba. Será que sai o marco? Difícil, vai mexer em muitos interesses. Se não sair, é melhor deixar tudo como está, pois os novos beneficiados serão tão ou mais perdulários, gananciosos e despreparados para lidar com essa dinheirama como os atuais.

* No tempo em que os royalties não jorravam com abundância sobre o município, as festas religiosas eram preparadas e bancadas pela população. Uma comissão era eleita ou sorteada para realizar e obter fundos para os festejos. Quando o tesoureiro era rico, sozinho arcava sozinho com as despesas e engordava sua conta corrente no céu. Leilões com prendas obtidas com fiéis para cobrir déficits. Não havia os caríssimos shows de cantores populares. Quando havia, como na festa do padroeiro, quem pagava o cachê era o clube Democrata, que dava bailes maravilhosos.

* No caso da Semana Santa, tempo de arrependimento e penitência, o clima era de compunção e recolhimento. Não se ouvia músicas altas e a banda musical União dos Operários, no acompanhamento das procissões, só tocava músicas tristes. Não se pensava em shows, leilões ou queima de fogos de artifício. Os fundos eram recolhidos pela Irmandade do Santíssimo, por um irmão, vestido com opa com gola roxa, que saía pelas ruas com um saquinho de veludo preso na ponta de uma vara, pedindo contribuições. À sua frente, um menino tocava a matraca, avisando que era hora dos fiéis meter a mão no bolso. Eu tinha pavor das matracas, que me remetiam a pesadelos alimentados pelas notícias da 2ª Guerra Mundial ouvidas nas rádios. Assustado mas curioso, observava a passagem dos dois olhando através da janela da sacada do sobrado do meu avô, na rua dos Passos, onde hoje resido.

* A procissão do enterro era solene e mais assustadora que agora. As irmandades mandavam seus filiados, os homens de opa, as mulheres casadas com a fita da cor de sua associação e véu negro e as solteiras com véu branco. Todas portando terço e tocheiro. Impressionante, pelo menos para o menino que eu era. Quando vejo hoje as raquíticas filas de fiéis acompanhando as procissões, não há como não comparar com aquele tempo, quando as procissões, chegavam à praça de S. Pedro com a banda musical ainda na praça do padroeiro. A participação popular era bem maior.

* Parabéns, André Pinto, pela idéia dos caminhos científicos do delta. Este delta maravilhoso, o segundo maior do país, com seu mangue e suas ilhas, merece ser divulgado. Bom seria se fosse despoluído, as aves aquáticas voltariam a povoá-lo.

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ROYALTIES E QUALIDADE DE VIDA NOTAS DO PARAÍSO VI

4 Comentários Add your own

  • 1. João Noronha  |  31 \31\UTC março \31\UTC 2010 às 21:21

    Bem que a Inquisição editada na Europa Medieval poderia ser reeditada para os políticos corruptos. Assim as cadeias estariam vazias, e não precisaríamos disponibilizar dinheiro para sustentá-los nos xadrezes. Poderíamos incluir nesse rol, os administradores que sugam o dinheiro dos royalties do petróleo, e nada fazem em favor da população. Êta classe desonesta e descarada. Se gritarem na rua “pega ladrão”, são capazes de sorrir pelo “elogio”.
    Abs

    Responder
  • 2. João Noronha  |  31 \31\UTC março \31\UTC 2010 às 21:23

    Bem que a Inquisição ocorrida na Europa Medieval poderia ser reeditada para os políticos corruptos. Assim as cadeias estariam vazias, e não precisaríamos disponibilizar dinheiro para sustentá-los nos xadrezes. Poderíamos incluir nesse rol, os administradores que sugam o dinheiro dos royalties do petróleo, e nada fazem em favor da população. Êta classe desonesta e descarada. Se gritarem na rua “pega ladrão”, a maioria é capaz de sorrir pelo “elogio”.
    Abs

    Responder
  • 3. Henriette Malhardes  |  15 \15\UTC abril \15\UTC 2010 às 22:31

    Informo que meu pai ROGER DE SOUZA MALHARDES era filho de Agenor Malhardes e Hanriette de Souza Malhardes e que a mãe dele era de nacionalidade francesa.
    Atenciosamente,
    Henriette Malhardes

    Responder
    • 4. carlosaadesa  |  16 \16\UTC abril \16\UTC 2010 às 10:22

      Henriette, obrigado pela informação. Gostaria que me enviasse mais detalhes da vida para verbete fique completo. As informações ora no blog foram dadas por pessoa da família.
      Obrigado, Carlos Sá

      Responder

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