O INEBRIANTE PODER

6 \06\UTC março \06\UTC 2010 at 09:01 Deixe um comentário

O poder é inebriante. Dizia o deputado federal Ulisses Guimarães que o poder é afrodisíaco. E, segundo o professor no assunto, o senador José Sarney, que ocupou o poder supremo do país algumas vezes, o poder corrompe.  

O poder pode ser benéfico ou cruel. Pode elevar, assim como pode degradar quem o detém. O poder é uma faca de dois gumes amolados. O homem adquire o poder de várias formas, pelo dinheiro, pelo carisma, pelo terror, ou pelo voto interesseiro de seus concidadãos. Antigamente o poder vinha por hereditariedade e seus detentores legaram péssima lembrança à Humanidade. O poder adquirido pela eleição tem uma grande falha: a falta do instituto da deseleição. O poder dado pelo voto tem sido, muitas vezes, retirado violentamente por rebeliões ou atentados. Devia poder ser retirado pelo desvoto de seus eleitores, ou seja, pelo voto por sua destituição. Quem fará essa lei, o poderoso?

O poderoso do momento se acha poderoso para sempre. Não quer saber de largar o osso. Na sua visão torta, ofuscada pelos excessivos elogios dos bajuladores e apadrinhados, ele não está de posse do poder, ele é o dono do poder, ele é o próprio poder. Nada como puxa-sacos para enlouquecer os pobres poderosos. E ao mesmo tempo usar de sua proximidade ou intimidade para obter vantagens indevidas, ou seja, para roubar. O poderoso é vaidoso, alimenta os áulicos, os aduladores.

Ao assumir o cargo ou botar a mão no poder, na sua inconsciência o poderoso da hora crê que adquire as prerrogativas da onipotência, da imputabilidade, da impunidade e da imunidade. Nada pode alcançá-lo ou atingi-lo, nem a cega justiça humana. Ele pode tudo! Ele é o tal! Sua vaidade o cega e isso pode ocasionar a perda do poder.

Escrevia esta crônica quando li, no Jornal do Brasil, crônica do advogado Antônio Paiva Rodrigues, da Associação Cearense de Imprensa sobre o mesmo assunto. Ele é coronel da PM e deve ter sentido alguns dos bons e maus efeitos do poder. E ensina:“O Poder alucina, apaixona, vicia, transforma o ser humano em orgulhoso, egoísta e invejoso” 

O homem tem se mostrado capaz de tudo para obter ou se manter no poder. Não há escrúpulo, vergonha ou consequência previsível que o detenha. Mata, tortura, destrói.

Com sua ilusão de ser imune, potencializada pela imprudência, insensibilidade e falta de caráter, o poderoso arma o cenário para sua própria derrocada. Durante algum tempo fez mal, prejudicou, derrubou amigos e inimigos, exerceu o poder em sua plenitude. Ninguém consegue fazê-lo acreditar que não dispõe de uma blindagem divina. Ele pode tudo! Todos os atos destrutivos provocam, porém, uma reação igual e contrária, como ensinam as leis da Física. É a lei do retorno funcionando.

E o coronel jornalista lembra alguns poderosos brasileiros que o destino abandonou e se voltou contra eles. São os efeitos maléficos do Poder. “Mortes misteriosas e que ainda não sabemos os motivos vitimaram autoridades conhecidíssimas, disse ele. Eram autoridades poderosas. O poder é cruel, o exercício do poder enseja injustiça e causa ressentimentos. Há poucos dias um secretário municipal foi morto a tiros no sul e se sabe que recebia ameaças de morte. O advogado lembra outras mortes misteriosas de políticos poderosos como Juscelino Kubitscheck, Jango, Lacerda, o marechal Castelo Branco, primeiro presidente do golpe militar, Ulisses Guimarães, cujo corpo nunca apareceu, Paulo César Farias, eminência parda do governo Collor. A ascensão de Collor ao poder contabiliza ainda a morte repentina, por câncer, de Pedro Collor, seu irmão, que denunciou as falcatruas do governo. Na relação das vítimas do poder pode-se incluir até o presidente eleito Tancredo Neves, que não conseguiu tomar posse, o que permitiu a ascensão de Sarney, contrariando o que prevê a Constituição Federal.

O poder e seus adoradores são cheios de artimanhas e mistérios. Apesar dos riscos e conseqüências funestas, o poder continua a atrair. Assim será através dos tempos.

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UM CONTADOR DE HISTÓRIAS MEU AVÔ DODÔ SÁ

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