NOTAS DO PARAISO III

2 \02\UTC março \02\UTC 2010 at 21:16 1 comentário

* O carnaval terminou, a barulheira diminuiu mas não acabou, e isso faz lembrar a camiseta que um folião ostentou no domingo de carnaval. Na frente um boneco tapando os ouvidos, com a legenda: O PARAÍSO É AQUI? Nas costas a frase ME DIGA ONDE É O INFERNO – QUERO IR PRA LÁ. Devia ser o desabafo de algum morador da rua Direita, atordoado com a barulheira, a mesma dos fins de semana, potencializada pelo reinado desse pirado, o Momo. * Deixemos o abuso que é diário pra lá, embora nossos ouvidos vivam doendo. O governo municipal diz que 200 mil pessoas passaram pelo município nos dias de carnaval, mas os mais realistas e menos marqueteiros, avaliam em 10% disso, cerca de 20 mil, incluídos na conta os visitantes da sede, Grussaí, Atafona. Chapéu-do-sol, Iquipari, Açu e outras localidades menos festeiras. Muitos não vieram pelo famoso carnaval, dito o melhor do interior do estado, mas pelos shows de artistas populares, e voltaram depois para suas casas. Os conhecidos duristas. O dinheiro gasto em shows poderia ser utilizado na melhoria das condições de saúde da população, construção de abatedouro público, capela funerária e outras velhas modernidades. E nunca é demais lembrar que não foi com shows que o carnaval sanjoanense ganhou reputação de melhor do interior. O Carnaval sanjoanense é o show. * Quem não ficou muito satisfeito com esse mundo de gente que (não) veio foram os empresários do ramo da hotelaria em Grussaí. A ocupação dos leitos continuou como sempre: 100% nas sextas-feiras e sábados e 50% nos demais dias, durante os 60 dias do verão. Desde antes do ano 2000 é assim, afirma um deles. E mais:das 20 mil pessoas que vieram, 70% eram duristas, 10% veranistas (com casa nas praias) e 20% de turistas. A BR 356 e estradas municipais ficavam congestionadas, mas só nos fins de semana. Cheias de bêbados ao volante. * A briga pela mudança na distribuição dos pagamentos dos royalties do petróleo, estimulada pela possibilidade de crescimento com os royalties da exploração do pré-sal, está levando os políticos fluminenses a se empenharem na briga pra deixar tudo como está. Rosinha, prefeita de Campos e presidente da Ompetro, mobiliza o povo, dando até ônibus de graça para que compareça a um debate sobre o assunto. Mais uma vez é o povo sendo usado como bucha de canhão com propósitos eleitoreiros. A meu ver, é justa a pretensão de outros estados e municípios quererem uma parte do bolo, o petróleo é brasileiro, o Brasil é uma federação e todos somos iguais perante a lei. Ou não? No nosso país alguns são mais iguais que outros. A continuar como está, com um grupo privilegiados municípios fluminenses mais outro tanto de paulistas usufruindo dos royalties, deveria ser criado um mecanismo fiscalizador, na própria ANP – Associação Nacional do Petróleo – para vigiar com rigor a aplicação correta do dinheiro, entregue a administradores incompetentes, gananciosos e pouco sérios. Assim, ao invés da infinidade de shows musicais, que só levam dinheiro do município, teríamos melhor atendimento na saúde, educação e meio ambiente. * O ministro da secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República defendeu o pagamento de royalties aos municípios produtores de minérios, atividade que produz efeitos ambientais relevantes. Na minha opinião, os municípios do médio Paraíba deveriam pagar royalties aos municípios da foz pelos danos ambientais causados pelo uso da água. Toda intervenção humana no rio, geralmente predatória, repercute na foz. Assoreamento e poluição são danos ambientais. * Empresas produtoras de granitos e rochas ornamentais do pólo produtor de Cachoeiro do Itapemirim querem exportar através do Açu. As próximas candidatas devem ser açúcar, álcool e outros. Como nos tempos do porto flúvio-marítimo.

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1 Comentário Add your own

  • 1. joao noronha  |  3 \03\UTC março \03\UTC 2010 às 11:41

    Reafirmo que não existem turistas no litoral de São João da Barra. Querem vender essa imagem, que não condiz com a realidade. O que são comuns nos balneários sanjoanenses são veranistas e visitantes de ocasião, os famosos duristas, que não têm condições financeiras para passar a alta temporada em outros centros, e acabam escabando pra cá. Com bolsos vazios se limitam a circular nos finais de semana sem injetar dinheiro algum no município.Prova disso é só frquentar as noites de domingo para deparar com as praias vazias e os restaurantes às moscas.

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