HOMENAGEAR SIM, POR QUE NÃO?

24 \24\UTC fevereiro \24\UTC 2010 at 14:56 1 comentário

Por que São João da Barra, ao contrário da maioria das cidades brasileiras, não tem rua denominada Getúlio Vargas? Ou avenida Pedro II, único chefe de estado que a visitou? Ou Duque de Caxias, Barão do Rio Branco ou ainda Santos Dumont, grandes vultos do Panteão Nacional? Ou datas comemorativas como 15 de novembro, 7 de setembro e as datas de fundação do município (6 de junho) ou de elevação da vila a  cidade (17 de junho). Por que não tem estátuas homenageando suas figuras públicas – escritores, políticos, médicos e outros conterrâneos? Estranha e incompreensível timidez cívica.

Este foi o principal tópico de longo papo com amigos numa dessas noites em que o vento nordeste desfaz o sufoco do calor do dia. E a questão principal: por que, ao contrário de praticamente todos municípios brasileiros, o nosso despreza homenagens? Será que o mesmo vento nordeste traz as areias do esquecimento?

No levantamento que fiz para o trabalho “Aspectos Culturais Sanjoanenses”, listei oito deputados nossos do Império e sete da República – os vivos não podem dar nomes a logradouros públicos – administradores e prefeitos municipais, assim chamados após a separação dos poderes públicos em 1923, e 32 artistas de diversas áreas.

O médico Caetano de Campos é nome de rua e de importante escola pública na cidade de São Paulo; o advogado, deputado, poeta e escritor Pessanha Póvoa nomeia escola pública no Espírito Santo. Sanjoanenses que mereciam homenagem dos conterrâneos.

O herói da Guerra do Paraguai, Agostinho Lopes de Oliveira, que ganhou todas as medalhas de mérito da guerra e a Ordem da Rosa, importante condecoração imperial, já foi nome de rua, mas ninguém sabe mais dizer onde ficava. Que tristeza, né não?

Homenagear significa, segundo a Grande Enciclopédia Larousse Cultural, demonstrar respeito e admiração por alguém. Será que esses homens não merecem ser cultuados? As datas cívicas devem ser jogadas no baú do esquecimento?

Analisemos o caso do nosso porto, onde durante muitos anos aportaram navios que trouxeram pessoas, máquinas, equipamentos, ferramentas, sementes e transportaram a produção agrícola e industrial de nossa região, gerando emprego e renda. Houve época, os historiadores ensinam, que cerca 75 navios aportavam por mês em nosso cais. E não podemos esquecer a participação das pranchas no transporte de bens e pessoas pelo rio.

Esses heróis dos tempos de glória da navegação costeira estão soterrados pelas areias do desprezo de seus concidadãos. Quantos homens e mulheres mourejaram de sol a sol, enfrentaram os humores do tempo no rio e no mar, em frágeis embarcações, para povoar e produzir riquezas. Sem eles não haveria porto; sem porto não haveria S. João da Barra.

A Casa de Cultura Zenriques tem projeto de ereção de monumento aos trabalhadores do porto que seria, ao mesmo tempo, registro de sua existência. Em linhas gerais: sobre base quadrada, cercada de estreitos canteiros com as flores branca e roxa da Saudade (quem se lembra dessa flor, tão abundante antigamente?), um obelisco seria erguido na ponta esquerda do Cais do Imperador. Numa das faces, o alto relevo de um navio a vapor ou a vela ou ambos. Na face 2, a frase “Homenagem da cidade de São João da Barra aos homens que fizeram deste porto, no século XIX, um dos mais movimentados da província do Rio de Janeiro.”, ou algo semelhante. Na face 3, o alto relevo de uma prancha, com as velas desfraldadas e um prancheiro a empurrar outra com o remo apoiado no peito. E na face 4, a relação dos profissionais da navegação: marinheiros, taifeiros, oficiais, prancheiros, canoeiros, operários, artesãos, estivadores, trapicheiros, carpinteiros, armadores, exportadores e importadores, práticos de rebocadores e escravos, os homens que fizeram deste antigo porto flúvio-marítimo um dos mais movimentados da província fluminense até à Segunda Guerra Mundial.

Oneraria muito a municipalidade fazer essa homenagem? Fica aqui a idéia.

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O CARNAVAL, DE NOVO, A PEDIDOS NOTAS DO PARAISO III

1 Comentário Add your own

  • 1. joao noronha  |  25 \25\UTC fevereiro \25\UTC 2010 às 09:27

    Triste realidade sanjoanense. Infelizmente o que vemos hoje é um puxa-saquismo escancarado dos políticos, que quando não homenageiam seus parentes tentam adular gente sem expressão para tirar vantagem em épocas eleitorais.

    Responder

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