NOTÍCIAS DO PARAÍSO II

19 \19\UTC fevereiro \19\UTC 2010 at 15:11 2 comentários

* O carnaval acabou, oba! Viva! Ainda bem! Até que enfim! Existem mais algumas expressões que dêem ênfase ao alívio? O carnaval sanjoanense tornou-se, desde que foi pensado para atrair duristas, e não para divertir sua população, extremamente repetitivo, cansativo e violento. A violência aqui não chega perto da de outras cidades da região, mas é bastante alta numa cidade que durante cinqüenta e poucos anos não registrou um homicídio sequer. A droga, ou seja, os tóxicos, trouxe a violência de rua, maculando nosso carnaval. A droga daquele tempo era o álcool e sabia-se o que esperar dos bebuns. * O carnaval não é e nunca será fonte de renda para o município, muito pelo contrário. O que é gasto na montagem das alegorias, das fantasias luxuosas, na contratação de segurança extra, em shows popularescos e numa série de outras despesas é dinheiro que não retorna. Os duristas que enchem e depredam nossas ruas e praças, vêm de cidades próximas, de onde saem depois do almoço e para onde voltam para casa no fim da noite. Gastam muito pouco. Os novos aparelhos de som, potentes, instalados em trios elétricos e carros particulares são um tormento à parte. Os donos de bares e restaurantes, que poderiam lucrar com a venda de bebidas, enfrentam a concorrência desleal de cidadãos de outros lugares com caixinhas de isopor recheadas de latinhas, que comercializam sem pagar impostos, aluguel e contratar empregados. Dinheiro que sai, sem retorno. * A cidade, antiga e de ruas apertadas, fica entulhada de veículos. Cidades semelhantes exigem que nesses eventos de multidão os automóveis fiquem estacionados fora do centro para evitar transtornos. Em Grussaí, localidade sem praça central, por exemplo, em certos domingos e carnaval, carros estacionados nas calçadas quase não permitem que pessoas saiam de casa, mas ajudam a quem defeca, urina e pratica sexo na rua. Revista de circulação nacional, em reportagem sobre as dificuldades que a Toyota, a maior montadora de automóveis do Japão enfrenta, lembra que em função do acelerado aquecimento global, em grande parte causado pela liberação de monóxido de carbono pelos veículos, em breve o homem inventará nova forma de deslocamento e que os automóveis em pouco tempo serão obsoletos, como a televisão em preto e branco. * Saindo do inferno de Momo, mas continuando nas agressões à natureza, vamos comentar notícia recente sobre o Complexo Portuário do Açu. Conforme crônica em nosso blog “A complexa gênese de um complexo”, a prefeita Rosinha Garotinho, de Campos, lembrou em discurso que o porto foi pensado em seu mandato de governadora do estado, através do seu secretário de Minas e Energia e Petróleo, Wagner Victer, que o indicou a Eike Batista, que precisava de um porto para escoar seu minério de ferro. A notícia que comentaremos foi veiculada pelo jornal campista Folha da Manhã, de 18 deste mês, na matéria “Porto do Açu estará a todo vapor até 2018”, de Renato Wanderley, onde o diretor-presidente da LLX, Otávio Lazcano, conta que o porto poderá estar operando em plena carga em 2018. Observem o tempo da locução verbal empregada. O porto, no seu feérico anúncio, falava em operar em 2009, depois 2010, 2012 e agora 2018. O diretor da empresa cita uma série de empresas que demonstram interesse – olha o verbo! – em se instalar no local, gerando 25 mil empregos diretos e outros tantos indiretos. Menos, gente, menos. A eleição já passou. Vamos citar números mais próximos da realidade. Não é desdouro, empreendimento algum começa gigante. Ao contrário dessa euforia, deveriam explicar que cuidados estão sendo tomados com a futura instalação de duas termelétricas na retroárea do porto, uma a carvão chinês, um dos mais poluidores do mundo, e outra a gás. Em um município constantemente varrido pelos ventos com o nosso, tanto os resíduos do carvão chinês quanto os da despelotização do minério de ferro – lembrem-se de Ubu -, vão atingir pessoas que vivem longe da retroárea. Atenção, Inea! Alô, Minc! Licença sim, mas com consciência.

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Entry filed under: Crônicas.

TEMPO BOM QUE PASSOU O CARNAVAL, DE NOVO, A PEDIDOS

2 Comentários Add your own

  • 1. Ariane Beyruth Fernandes  |  23 \23\UTC fevereiro \23\UTC 2010 às 16:04

    C’est fini! Aleluia! Que inferno, termos o nosso direito de ir e vir impedido por cones, cordas e CORRENTES! E isto já imperando a 2 dias antes da abertura do carnaval… Mais irritante, impossível! Pobre São João da Barra… E já que sou saudosista, vou provar que também posso ser “muderna”, usando uma expressão bem atual para definir o caos em que se transformou o carnaval sanjoanense: “É A TREVA!”

    Responder
  • 2. joao noronha  |  25 \25\UTC fevereiro \25\UTC 2010 às 10:01

    Acho que as “otoridades” não sabem o que é paraíso. A imagem de primeiro mundo que tentam vender aos boçais não condiz com a realidade. Numa cidade onde se mata um ou até dois por dia, não pode ostentar a condição de paraíso.
    Isso é o que podemos chamar de propaganda enganosa!!

    Responder

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