O PARAÍBA, DE NOVO.

9 \09\UTC fevereiro \09\UTC 2010 at 20:07 Deixe um comentário

Não me canso de falar do rio Paraíba do Sul, não só porque é o rio que embalou minha infância e juventude, como porque a cada dia aumenta a necessidade de conscientizar as pessoas de sua agonia e denunciar a perda para todos que será o seu fim. Um ambientalista de Campos, que acompanha a degradação do rio, já avisou que a continuar assim, o lado do braço do delta que banha nossa cidade, tende virar uma lagoa. Não são apenas os moradores do norte fluminense que se preocupam com o estado do rio, todos os ribeirinhos, dos três estados que ele atravessa, olham com apreensão o que vem acontecendo e pedem socorro. Pena que nenhum de nós tenha a autoridade necessária para determinar providências necessárias e urgentes. Tudo o que se refere à bacia do Paraíba do Sul é entregue a comissões, e no Brasil, comissão é o que se sabe. Na edição do domingo 7, o Jornal do Brasil publicou artigo de mais um preocupado com a situação do velho Paraibão. O advogado André Esteves, num artigo emocionado, intitulado “Muitas águas vão rolar. Cabeças também.” lembra que o rio Paraíba do Sul, que fornece água para 12 milhões de pessoas, é vítima dos resíduos industriais, do mercúrio dos garimpos ilegais, assoreamento e do esgoto doméstico in natura e pede socorro. O Paraíba, na verdade, é vítima daqueles a quem sacia a sede, rega as lavouras e fornece (ou fornecia?) peixes. O advogado contou que no dia 20 de janeiro técnicos do Instituto Estadual do Ambiente – Inea – colheram amostras da água do rio em Volta Redonda e Barra Mansa, atendendo a moradores da vizinhança que reclamavam do mau cheiro. E confirmaram as suspeitas de que devido às fortes chuvas, houve grande aumento dos nutrientes que ajudam na reprodução das algas, fenômeno que recebe o nome de floração, ou seja, crescimento excessivo de organismos vivos, que libera na água toxina altamente prejudicial. As matérias despejadas pelas indústrias na região, mais os resíduos de matéria do consumo humano não deve ultrapassar 1 mg/1 na água tratada. Caso contrário o consumo pode ser inviabilizado. A toxina liberada pelas algas pode causar danos ao sistema neurológico, ao fígado, provocar gastrenterites, alergias, doenças respiratórias, irritação da pele e dos olhos, um elenco de efeitos negativos ao ser humano de dar medo. Além, é claro, de aumentar a mortandade dos peixes. Segundo Esteves, a “situação de degradação persiste porque a fiscalização ambiental é ineficiente ou faz vista grossa. A lei nº. 2661/96 obriga o prévio lançamento de esgoto em rios, lagoas e baías. Conclui-se que há negligência ambiental de empresas e omissão por parte dos municípios e do estado.” Quantos municípios têm rede de esgoto? O nosso tem? “Para frear essa constante degradação do rio Paraíba, continua o articulista, é preciso medidas imediatas como recuperar a cobertura vegetal nas margens do leito e realizar a dragagem, que é a retirada de materiais e sedimentos. Enquanto as águas rolam poluídas, pessoas correm o risco de morrer.” Aqui no delta sente-se bem todos os efeitos nocivos da intervenção humana no leito do Paraíba. Tudo repercute aqui. Além de dejetos de todo tipo lançados, que afastam peixes e as aves que se alimentam deles, a retenção de água nos reservatórios das hidrelétricas, a partir da primeira, em Barra do Piraí, e a destruição da mata ciliar assoreou de tal forma o Paraíba que será difícil recuperar a pujança desse rio essencial a nossas vidas. E quanto à dragagem é preciso ter muito cuidado para não aumentar a mortandade de alevinos causada pela exploração predatória e ilegal de areais ao longo do curso hídrico. Já a rede de esgotos fica debaixo da terra, não pode ser inaugurada com foguetório e banda de música, não dá votos e daí…

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DURISTAS X TURISTAS TEMPO BOM QUE PASSOU

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