INfÂNCIA EM QUADRINHOS

23 \23\UTC janeiro \23\UTC 2010 at 10:57 Deixe um comentário

A edição especial do Jornal da ABI, órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa, à qual sou filiado desde os tempos da faculdade, me jogou de volta à minha infância, em Campos. O assunto é o levantamento, que deve continuar, das revistas em quadrinhos e seus heróis, que povoaram a infância de muita gente.

Na minha tiveram destaque especial. Garoto solitário, vivendo confinado no quintal porque a rua era muito perigosa, os carros passavam à velocidade estonteante de 30/40 km por hora e criança é um bicho sem juízo, que não devia sair sozinho e os adultos estão sempre ocupados. Quintal grande, cheio de árvores frutíferas e a companhia de minhas irmãs, mas não tinha aventura, emoção, de que os gibis eram fartos.

Comecei a gostar dos quadrinhos com os jornais que papai trazia nas manhãs de domingo quando voltava do mercado municipal. Ir ao mercado, passear no meio de tantas frutas, verduras e animais vivos, como galinhas, patos, perus e coelhos, tantas cores e sons, uma excursão que me fascinava. Havia também lojas que vendiam pipas, piões, balebas, bodoques, gaiolas e outros artesanatos que encantavam qualquer garoto.

Os jornais traziam tiras com pequenas histórias ou suplementos de quadrinhos e ali conheci Pinduca, Mutt e Jeff, Popeye, Mickey e Pato Donald, Pafúncio e Marocas, ele com a perna enfaixada apoiada numa cadeira por causa da gota que hoje me ataca. E grandes heróis como o Príncipe Valente, Mandrake, Dick Tracy, Tarzan, Flash Gordon, Brucutu, Ferdinando e sua mãe Chulipa, Fantasma, Super Homem, Batman, Capitão Marvel, e outros paladinos a serviço do Bem. Maravilhosos, apaixonantes. Eu me emocionava, torcia, me angustiava com suas aventuras e ao final de cada punha para fora emoções que me ajudavam a crescer, imaginar o mundo e desenvolver o intelecto.

Dizem que os quadrinhos ajudavam na alfabetização e desenvolvimento do raciocínio da garotada, mas minha mãe achava que, ao contrário, atrapalhava os estudos, botava idéias perigosas nas cabeças das crianças. Entretanto, ela não deixava de se deliciar com as fotonovelas da revista Grande Hotel. Para ler meus gibis, comprados às escondidas ou emprestados por colegas do colégio, eu me metia entre as folhas da caramboleira ou no banheiro, onde entrava com a revista escondida na calça.

Dizem que se pode considerar o início da atração do homem pelas histórias seqüenciais em quadrinhos já na pré-história, quando o homem desenhava nas paredes das cavernas caçadas de animais. As tapeçarias da cidade francesa de Bayeux, que ornam sua catedral, seriam uma manifestação dos quadrinhos na Idade Média por contar desde a invasão da Inglaterra em 1070 até uma passagem do cometa Halley.

Já os grandes heróis dos quadrinhos norte-americanos, como Capitão América, Super Homem e outros do mesmo quilate teriam sido criados como esforço da 2ª Guerra Mundial, para estimular os soldados na luta contra os nazistas. E o marinheiro Popeye teria sido criado por um tio decidido a fazer o sobrinho a vencer sua aversão ao espinafre. A coisa deu tão certo que os produtores de espinafre ergueram uma estátua para homenagear o marinheiro numa cidade do Texas.

Deixemos de lado essas informações técnicas, fornecidas por esta belíssima edição especial da ABI, e voltemos às alegrias e outras emoções suscitadas pelas histórias e super heróis que me fizeram acreditar que a vida seria bem melhor do que é.

Continuo a achar que o mundo precisa, urgentemente, da retidão do Príncipe Valente, da força e determinação dos outros heróis para derrotar esses corruptos oficiais que são a nuvenzinha negra que pairava constantemente sobre a cabeça de Joe Cometa.

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