NOTAS DO PARAÍSO

19 \19\UTC janeiro \19\UTC 2010 at 18:26 1 comentário

Uma sanjoanense que estuda no Rio de Janeiro, ao telefonar para saber notícias dos seus parentes costuma perguntar: como vai a cidade mais barulhenta do país? Não são poucos os visitantes e turistas que reclamam da barulheira. É alucinante! Quando os carros de publicidade passam pelas ruas interrompem conversas, impedem que se ouça a televisão, acordam crianças e incomodam velhos e doentes. Uma loucura paradisíaca!

Parece que vivemos numa cidade cujos habitantes sofrem de grave deficiência auditiva, tal a altura do volume dos carros de som que anunciam eventos e produtos e, pasmem, com o apoio e aval da prefeitura municipal, que deveria zelar pelo bem estar de seus moradores. Imagine como vai ser neste ano eleitoral. Cadê o decibelímetro?

Acrescente-se aos ruídos comerciais os sons exacerbados dos automóveis particulares que passam a todo momento tocando músicas da pior qualidade, algumas com letras pornográficas, em altura ensurdecedora.

O cantor inglês Elton John veio a público, há meses, dizer que está ficando surdo por não ter, por tanto tempo, protegido seus ouvidos nos shows. E é o que deve acontecer com a população daqui.

Será que os transgressores acham que música alta é sinônimo de alegria e animação?

Se um comerciante esperto resolver abrir uma loja para vender fones de tapa-ouvido para livrar o pobre ser humano desses barulhos vai ficar rico.

Com a musiquinha que busca promover a cidade junto a seus moradores ficou pior, o refrão: o paraíso é aqui, em altos brados, faz a gente pensar: se o paraíso é barulhento, assim, quero pro inferno.

Outro ponto desanimador para quem precisa sair para fazer compras ou passear são as calçadas da cidade. As calçadas aqui não são apenas espaços protegidos para a circulação de pedestres; servem também para o estacionamento de motos e bicicletas e para a colocação de cadeiras onde, depois que o sol se põe, as comadres apreciam os passantes, murmuram suas opiniões sobre eles e comentam sobre a vida dos outros. Andar pelas calçadas sanjoanenses é enfrentar uma corrida de obstáculos, pois as entradas das garagens nunca ficam no mesmo nível ou um pouco abaixo das calçadas e sim elevam-se como rampas. Cegos aqui não tem colher de chá e se alguém se distrai tropeça e vai ao chão. É o paraíso dos joelhos ralados.

DE FORA DO PARAÍSO

O escritor sanjoanense Antônio Nunes, que também se exaspera com essas formas de se maltratar moradores, em visita à Casa de Cultura Zenriques,viu que  na “Calçada da Fama”, onde estão impressas em cimento mãos e pés de sanjoanenses que elevaram o nome de sua terra, pode-se encontrar uma ou duas motos estacionadas. Aos domingos, de três a cinco. Numa dessas visitas, o Tonunes, que é da Academia Campista de Letras, me trouxe o segundo volume do livro Campos – pequenas histórias verídicas de Campos dos Goytacazes (causos para ler, rir e curtir) de Herbson Freitas – jornalista, radialista, teatrólogo campista, diretor das revistas Almanaque de Campos, do Carnaval e Verão, e da Exposição Agropecuária, ex-presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC) e da Academia Campista de Letras (ACL). Leitura divertida, fixando momentos de personalidades goitacás. Traz ainda duas sugestões que poderiam encontrar eco entre nossos homens de letras: “Aqui fica uma sugestão para os mais velhos, para aqueles que viveram os ‘anos dourados’: escrevam, escrevam muito sobre o passado. Esses fatos não podem morrer e muito menos seus personagens.

Aos mais novos, outra sugestão: escrevam sobre o presente, escrevam bastante, para que no futuro seja fácil recordar os acontecimentos de hoje.”

O professor e grande contador de anedotas Júlio Macedo, começou a reunir as histórias engraçadas para montar o livro “São João da Farra”, mas parou na décima página, por preguiça, pois tem material de sobra e muito tempo ocioso quando visita a sogra em Atafona. Falta o quê? Vamos lá, mestre, fixe na eternidade do papel tudo o que de engraçado e pitoresco sabe do povo dessa festeira cidade. Vamos ao “São João da Farra” . E parabéns, Herbson, pela nova e alegre coletânea.

Anúncios

Entry filed under: Crônicas.

O sumiço dos povos pré-colombianos INfÂNCIA EM QUADRINHOS

1 Comentário Add your own

  • 1. Joel  |  21 \21\UTC janeiro \21\UTC 2010 às 21:55

    Parabéns pela bela matéria. Esse livro “São João da Farra”, caso a preguiça dele não acabe logo, você bem que poderia escrever, eu ia adorar.
    Abraço.

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Últimos Posts


%d blogueiros gostam disto: