O sumiço dos povos pré-colombianos

18 \18\UTC janeiro \18\UTC 2010 at 08:55 Deixe um comentário

Entre os povos que habitaram a América do Sul antes da era dos descobrimentos, os maias e os mochicos desenvolveram sofisticadas civilizações, praticaram agricultura irrigada, criaram calendário de 365 dias e abriram extensa rede de estradas, com pontes pênseis vencendo abismos nos Andes; conheciam a escrita, a matemática, metalurgia, astronomia, cerâmica e a técnica de erguer pirâmides e templos de pedra para seus deuses, que exigiam sacrifícios humanos. O que acontece ainda hoje, pois nossa civilização, que se considera superior, sacrifica muitas vidas nos altares da ganância, da irresponsabilidade e da insensatez. Temos fome, insaciável fome dos frutos da terra.

Pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – Ipen, da Universidade de São Paulo, busca as razões porque, no auge de sua civilização, essas sociedades desapareceram. Doenças, guerras, catástrofes, acidentes naturais, o que provocou esse desaparecimento?

Os sacerdotes maias, que previram o fim do mundo – mais um, desde que me conheço por gente já foram anunciados vários “fins do mundo” – não perceberam que eram eles mesmos que cavavam sua própria destruição. Segundo a pesquisa, os maias e mochicas, na América, os acádios, na Mesopotâmia (o atual Iraque), os povos da Groelândia e outros sofreram colapsos devido às mudanças climáticas que eles próprios provocaram.

Não é o que está acontecendo conosco?

Somos tão insensatos, que uma pré-candidata à presidência na República nas eleições deste ano teve a falta de sensibilidade e de bom senso ao afirmar em seu discurso na COP-15, em Copenhague, que “meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”. Disseram depois que ela não percebeu que trocou a expressão, ia dizer aquecimento global. Foi um ato falho, que demonstra o pensamento oculto de nossos dirigentes, que continuam a exigir rapidez na concessão de licenças para empreendimentos capazes de impactar o meio ambiente, sem a devida análise ambiental ou com base em Eias/rimas feitos apressadamente.

O COP-15 representou pequeno avanço, mas o respeitado antropólogo Roberto da Matta se consola dizendo que “A esperança é que hoje já existe uma consciência quanto à nossa ligação com o planeta.” Será que existe? Difícil comprová-lo.

Fiquemos em nosso mundinho brasileiro, tão ambientalmente sacrificado, para ver se é verdade. Continuamos jogando o lixo em ruas e rios, garrafas e sacos plásticos nos campos, seguimos com o desmatamento para obter madeiras de lei, derrubando plantas importantes, com cidades sem esgoto, lançando dejetos domésticos, hospitalares e industriais não tratados nos leitos dos rios, numa completa ignorância de que a nós mesmos estamos atingindo, que o futuro do mundo é que estamos comprometendo.

Vemos o rio Paraíba perder força, mas continuamos não só a poluí-lo como a gastar suas águas em tarefas imbecis e inúteis como lavar calçadas e ruas. Abatemos árvores sem remorsos, aquecendo mais a região que, segundo especialistas, vai aumentar em 4 graus a temperatura dos próximos verões.

E já podemos ver os efeitos maléficos nas tempestades que derretem encostas e inundam cidades, causando mortes e destruição.

Reflorestar? Quem quer saber disso, além de uns poucos e abnegados ambientalistas? Os políticos querem mais é jogar para a platéia, ou seja, seus eleitores. Em 2001, um vereador sanjoanense fez aprovar o projeto de Lei que obrigava as secretarias municipais de Meio ambiente e Agricultura a plantar uma árvore para cada habitante do município. Jogo de cena. Nem a municipalidade atendeu ao decreto, nem o vereador proponente fiscalizou sua execução. Tudo purpurina, brilho falso. Fazer o quê?

Como os maias, mochicas e acádios vamos alegre e aceleradamente buscar o fim do mundo.

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